sábado, agosto 25, 2007

STF x mensaleiros: o jogo do ano!

Se eu gostasse de futebol, estaria me sentindo em final de Campeonato Brasileiro com meu time na final. Ou, na Copa do Mundo, com o Brasil disputando a taça com a Argentina ou com a França e seu Zidane, sei lá, como disse, “se eu gostasse de futebol”. Deste esporte, gosto mesmo é do meu São Paulo.

A minha Copa do Mundo está sendo acompanhar o julgamento do STF quanto à denúncia dos quadrilheiros do mensalão. Um deleite. O flagrante do fotógrafo do jornal O Globo, Roberto Stuckert Filho, nas mensagens eletrônicas entre os ministros Ricardo Lewandovski e Carmen Lúcia foi um gol de bicicleta!

A atitude do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, de separar por capítulos a denúncia do Procurador Geral de República, Antonio Fernando de Souza, que tem mais de 400 páginas, foi outra jogada de mestre. Assim, o julgamento fica mais objetivo, com maior tendência de acatar as denúncias contra os acusados. Tanto é que 19 já se tornaram réus no processo.

O julgamento só deve terminar na terça-feira e até lá saberemos o futuro dos outros 21 denunciados. Se eu fosse participar de um bolão desta final, apostaria que o STF acatará a denúncia contra todos eles. Nem mesmo José Dirceu vai se livrar dessa. É bom lembrar que Dirceu pode ter se livrado de uma acusação mas, no total, ele é apontado pelo procurador-geral como chefe da organização criminosa, foi denunciado por formação de quadrilha, denunciado quatro vezes por peculato e nove vezes por corrupção ativa! Talvez alguns dos acusados se safem de um ou outro crime. Mais do que apostar, é que eu gostaria de ver.

Pesa sobre os ombros do STF o clamor da sociedade que se mostra intolerante à impunidade. E, convenhamos, acatar a denúncia, não seria tão difícil para o STF, já que transformá-los em réus não torna nenhum deles diferentes do que já são: culpados perante a sociedade. Tornando-os réus não muda a vida de nenhum dos envolvidos. No Brasil, ser processado não é sinal de culpa até o final do julgamento o que, neste caso, levará anos (senão décadas)!

Em tempo: se a informação da ministra Carmen Lúcia (flagrada por mensagem eletrônica) de que o colega Eros Grau não acataria a denúncia do Ministério Público for verdadeira, ele não teria esta chance já que o ministro sairia de licença para uma cirurgia. Eros Grau cancelou a cirurgia. Vamos ver o porquê no final do julgamento, que deve seguir até terça-feira.

Em tempo 2: enquanto os holofotes estão virados totalmente para o STF, o deputado Antônio Palocci será o relator do projeto de prorrogação da CPMF na Câmara, o que não é nada bom para o Brasil.

Em tempo 3: Ainda não engoli a história de que Collor afastou-se do cargo de senador para dar lugar ao primo, que será candidato a prefeito nas próximas eleições. Aí tem. Atenção alagoanos, fiquem de olho no que Collor fará nos 120 dias de licença. O grupo Collor de Melo, que também possui veículos de comunicação no estado, tem muitos interesses no caso Renan. Políticos e financeiros.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Eu posso falar mal do Lula!

Uma simples razão me leva a ter o direito de criticar o presidente Lula. Eu votei nele. Votei nele e no PT desde as eleições de 1989. Fiz duas campanhas políticas para o PT e arrastei milhares de votos comigo. Acreditava cegamente que havia muita verdade, honestidade, vontade política e caráter no partido e principalmente na figura de Lula.

Ainda me lembro da primeira entrevista que fiz com ele, em Poços de Caldas, Minas Gerais. Foi em 1994. Ele tinha um olhar profundo, desafiador, daqueles que você não consegue desviar e definitivamente acredita no que ele diz.

E é por tudo isso que me sinto no direito de falar o que eu quiser dele, do partido e do governo petista. O que esta tríade fez com o país e principalmente com aqueles que, como eu, neles confiavam, foi uma das piores traições políticas já vividas neste país.

Eram inadmissíveis corrupção, apadrinhamento, mensalão, ou qualquer coisa que fosse desonesto em governos petistas. Pelo menos era assim que eu fui levada a crer. Lula, para mim, não é melhor do que qualquer mercenário.

Não está em questão, aqui, questões econômicas, sociais, ou qualquer tipo de discurso pró-Lula. E olha que, mesmo assim, são muito discutíveis! Minha questão com ele é mais profunda, é de falta de caráter mesmo. Ética, transparência, honestidade e todas as coisas que ele pregava e se esperava de Lula.

Dois anos atrás, Peter Eigen, presidente da TI (Transparência Internacional) que mede o índice de corrupção em diversos países no mundo, disse que “Lula foi uma decepção”. Decepção? Lula é mais do que isso, é uma mentira. Um personagem criado pelo PT que passou a ter vida própria, interesses próprios e aprendeu a fazer o que há de pior na política. Ser igual.

Detalhe: quando Peter Eigen disse que Lula era uma "decepção" (em 2005) a crise no governo petista havia feito o Brasil perder três posições no ranking global de corrupção, caindo da 59ª para a 62ª posição. Um ano depois, o Brasil caiu ainda mais chegando a 70ª posição entre os 163 países pesquisados.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Por favor, vaiem o Lula!

Lula mostra, a cada dia, que tem um ponto fraco e de alvo fácil. O ego do metalúrgico que se tornou Presidente da República não suporta vaias e, pouco a pouco, elas estão desfazendo a máscara do “Lulinha Paz e Amor”. O discurso polido (quando escrito por assessores, é claro) está ficando para trás e dando lugar à vulgaridade, à falta de respeito e mostrando o verdadeiro Lula.

As vaias no Pan ficaram sem resposta, o que foi uma pena. Eu gostaria de saber qual besteira ele teria dito. Nos protestos seguintes, Lula atribuiu à meia dúzia de descontentes e chamou a briga para as ruas. Depois, provocou a elite dizendo “Os que estão vaiando deveriam estar aplaudindo porque ganharam muito dinheiro no meu governo”, referindo-se a banqueiros e empresários. Sem perceber, explicou o milagre do aumento do consumo no país. Com a facilidade dos empréstimos bancários - que encheu os bolsos dos bancos - a classe média e o trabalhador nunca compraram tanto e nunca estiveram tão endividados.

Mas, foi esta semana, que Lula mostrou o quanto é dissimulado e arrogante. Foi durante a inauguração de uma Unidade de Ensino, em Campos dos Goytacazes, no Rio. Um grupo de estudantes e professores, usando nariz de palhaço, vaiou o presidente. Com um sorriso cínico no rosto, Lula primeiro comparou os manifestantes aos atletas no banco de reserva torcendo para que o titular cometa um erro. De banco de reserva Lula entende. Ficou 20 anos em um, criticando, à espera de uma chance. O pior é que, quando conseguiu, não cumpriu metade do que prometeu. Principalmente nos quesitos transparência, honestidade e o fim da corrupção.

Depois, ofendeu os estudantes ao dizer que o público “é tão jovem e desprovido de consciência política, que usa nariz de palhaço, que é uma coisa alegre.” O que o presidente, desprovido de inteligência como é não entendeu, é que o brasileiro é sim um palhaço. Motivo de piada internacional, do Governo Federal, do Congresso, do PT e até da justiça.

Mas foi ao chamar os estudantes de “desprovidos de consciência política” que Lula expôs sua mais sincera opinião sobre o jovem deste país. Para ele o jovem é apenas uma mente manipulável. E disso, ele também entende bem. Durante anos, os chamados revolucionários manipularam milhares de jovens a pegar em armas em nome de uma ideologia falsa e, mais tarde, Lula e o seu bando do PT incentivaram-os a pintar suas caras pelo impeachment de um presidente.

Quanto mais Lula sofre vaias, mais mostra sua face cruel, mentirosa e ao mesmo tempo verdadeira. Espero que a sociedade vaie mais. Muito mais.

sexta-feira, agosto 10, 2007

As lições da semana

Lição 1:
Um avião com 15 parlamentares fazer um pouso forçado não é nada. Teria sido bom se este tivesse com um reverso desligado, sem freios, em pista curta, molhada e num dia de chuva. Exatamente para não passar por isso é que eles foram parar em Guarulhos e não em Congonhas, como previsto. O que eles sentiram dentro daquele avião não foi nada e, mesmo assim, ficaram apavorados! Quem sabe, agora, eles comecem a entender um pouco do que é o dia-a-dia de um brasileiro comum. Aliás, eles têm muito que aprender com a nossa gente.

Lição 2:
Orçamento. Quando uma família comum faz o orçamento do ano ela inclui estudo, moradia, comida, transporte, atendimento médico e por aí vai. O Ministério da Defesa, porém, faz diferente. Ele calcula o quanto deverá investir em Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos durante todo o ano de 2007 (2 milhões de reais) e usa em festas e homenagens em apenas 7 meses! Justamente entre os dois maiores acidentes aéreos da história do país! Se não bastasse, o novo Ministro da pasta diz que as companhias aéreas deveriam aumentar o tamanho das poltronas! Em que país estas pessoas vivem, hein?

Lição 3:
Efeito dominó. Por outro lado, até que seria bom. Aumenta a poltrona, diminui o número de passageiros, aumenta o preço da passagem, restringe os vôos às classes A e B, aumenta o preço das passagens de ônibus, aumenta o fluxo de veículos nas estradas, mata mais gente nas rodovias e aí, quem sabe, as novas pesquisas Datafolha comecem a mostrar a verdadeira imagem de Lula (aquele cujo avião nunca voa com o reverso desligado).

Lição 4:
Cartas na manga. Depois de ser expulso do baile, o ex-Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira resolveu dedurar a diretora da Anac. Pergunto: se ele sabia que Denise Abreu fazia lobby para levar o serviço de cargas para Ribeirão Preto e presentear amigos com 400 millhões de reais, por que ele não denunciou antes? Afinal, era obrigação dele, como presidente da Infraero, ou não? Isso me faz lembrar Roberto Jefferson... só quero ver se o brigadeiro terá o mesmo peito que Jefferson e se ele será processado (no mínimo) por omissão.

Lição 5:
Processo contra autoridade é besteira. Não é que Maluf conseguiu se livrar dos processos em São Paulo? Também, depois de 11 anos na gaveta, duvido até que alguém soubesse onde estavam. Mesmo destino terão outros processos. Contra Marcos Valério, por exemplo. O publicitário-caixa 2-empresário denunciado há mais de dois anos está tão de bem com a vida que até mudou o visual. Fez implante e está a cara de Renan Calheiros. Em tudo. Abandonou a publicidade e agora é pecuarista. Cria cavalos e gado numa fazenda cuja sede é uma mansão.

Lição 6:
Construindo o futuro. Aliás, se Valério quer ser copycat de Calheiros, está no caminho certo. Faltam apenas as concessões de rádios. Será que ele ainda não as tem?

segunda-feira, agosto 06, 2007

Um filme chato, cansativo e repugnante

Se o Brasil de hoje fosse um filme, seria uma obra sem direção, com um péssimo enredo, com muitos personagens e todos ruins. Nos dois sentidos. Os atores (com altíssimos cachês) nem se dão ao trabalho de fingir. Agem e pronto. Acredite neles se quiser! Enquanto outros, que deveriam agir, ficam às moscas, como se esquecessem suas deixas e não entram nunca em ação. Porém, antes mudo do que com péssimas falas. Dizer que tem "duas orelhas, uma para ouvir vaias e outra para os aplausos" e o "não sabia da extensão da crise (aérea)", como disse o protagonista do filme, soa-me como uma piada sem graça, absurda e infantil.

Mas não é um filme. O país está num caos (há muito tempo) que piora a cada dia. Quando um presidente chega ao cúmulo de dizer que "de rua ele entende", em resposta a um protesto "Fora Lula", como se tivesse sido chamado para uma briga de rua, Lula resumiu-se ao que ele é: um bronco cuja maior habilidade é a briga de rua, sem regra, sem escrúpulo e sem técnica, apenas um instinto selvagem de sobrevivência, a própria. Este é o presidente deste país. É o protagonista deste filme que somos forçados a assistir, gostando ou não.

Até Renan Calheiros está cansado. Bocejou longamente no segundo dia de trabalho depois do recesso. Não parece nem um pouco preocupado com o desenrolar das investigações contra ele. Em seu lugar, eu também não estaria. Num país como este?

Enquanto isso, a Polícia Federal vem com um requentado esquema de corrupção nos Correios. E com uma declaração incrível! Mesmo depois das denúncias na estatal, em 2005 (2005!!!), as fraudes nas licitações dentro da empresa continuaram. Jura? Eu nunca poderia imaginar... Assim como não poderia imaginar que outros aviões da TAM apresentassem problemas tão cedo, nem que as CPIs que investigam a crise aérea acabariam por se digladiar no primeiro brilho alheio. Se fosse o Senado a divulgar os dados das caixas-pretas, os deputados é que estariam gritando.

O filme é tão previsível em alguns aspectos que cansa mesmo. Porém, enquanto somos apenas nós, meros espectadores desta trama (que parece não chegar ao fim simplesmente por não ter um desfecho a apresentar), dá para entender. Não temos poder (nem direito) algum mesmo. Mas, a Ordem dos Advogados do Brasil dizer "Cansei"? Cansou de quê? Se pelo menos tivesse feito algo, mas não a vi em ação concreta contra nada do que estamos vendo. Nada! Onde está o pedido de impeachment que poderia (e deveria) ter feito?

Cansados estamos nós, de assistir a este filmezinho de custo elevadíssimo sem resultado algum. Cansados estamos nós de ver famílias destruídas por violências e tragédias entregarem pedidos de "atitude" ao presidente Lula (como se esta não fosse a obrigação dele e sim um favor).

A vida tornou-se tão banal neste país que praticamente três aviões como o Airbus A320 caíram no mês de julho e ninguém percebeu. Foram 669 mortes em acidentes, apenas nas estradas Federais. A imprudência, as péssimas condições das estradas e o aumento do número de veículos (graças ao caos aéreo) foram as principais causas destas mortes. Como sempre, uma "trágica conjunção de fatores".

A última vez que me senti tão enojada ao ver um filme foi em “Laranja Mecânica”, há vinte anos. E, hoje, comparo não só a minha reação ao filme como também os personagens. Lula é Alex. Começa como marginal e termina como marginal. Só que este foi um filme bom de ver e deve ser revisto, principalmente agora! Pena que, diferente do filme, não teremos a chance de revidar a Lula e a todos deste governo a violência que estamos sofrendo. O nosso filme é péssimo mesmo!

domingo, julho 22, 2007

Tragédia TAM: número indefinido de mortos

Não há como calcular o número de mortos na tragédia com o Airbus da TAM. Um acidente como este, assim como foi com o Boeing da Gol, em setembro do ano passado, não se calcula pelo número de corpos e sim pelo número de famílias, amigos e parentes atingidos pela tragédia. E este cálculo, infelizmente não tem número definido.

Meu choro, como mãe e cidadã, não significa nada perto do grito de desespero de Cristiane Bueno, a mãe que perdeu seus únicos dois filhos (apenas para citar um dos exemplos). Que vida poderá levar esta mãe depois desta tragédia? Que vida levarão todas as famílias que perderam tantos sonhos junto com aquela explosão? Todas elas morreram naquele dia. Poderão sobreviver à tragédia, mas jamais terão os mesmos sonhos, farão os mesmos planos, terão as mesmas esperanças. Tudo o que morreu com elas (além dos seus entes queridos), não terá retorno.

Suas vidas serão de lembranças. Um dia, porém, terão que renascer de alguma maneira. E elas renascerão, espero eu, com muita coragem e a força dos amigos e parentes. A pessoa é parte daquilo que a cerca. Ou, “daqueles” que a cercam. Quando este ambiente muda, com perdas tão grandes, esta pessoa precisa se redescobrir, começar de novo e isso não está nos cálculos da TAM ou da Infraero, está?

Por todos aqueles que enterraram seus parentes em setembro do ano passado, por todos estes que tentam enterrar as mais novas vítimas desta tragédia aérea, por todos nós brasileiros, possíveis vítimas num futuro vôo, que se faça alguma coisa!

Nada que seja para daqui a 10 anos, senhor presidente. É preciso fazer algo hoje, agora, já que nada foi feito quando deveria. Era preciso ter feito antes, muito antes daquele Boeing da Gol ter se despedaçado, pois o senhor, presidente Lula, foi informado das condições técnicas dos radares assim como das pressões sobre os controladores de vôos.

Era preciso ter feito também depois do acidente com o avião da Gol. E é preciso fazer algo agora! Não somos nós que temos que fazer, são as autoridades que têm nosso dinheiro para isso. São as empresas aéreas que lucram com cada passageiro que coloca sua vida em suas mãos.

Vocês têm que fazer alguma coisa! E isso não é um pedido. É uma ordem, escrita por mim, mas que – certamente – é também de todo o povo brasileiro, pois temos o direito de exigir alguma atitude concreta para que tragédias como estas não se repitam, nem daqui dez meses, nem daqui dez anos.

É nosso direito, é seu dever.

O fantasma de ACM

Não é porque ACM morreu que vou falar bem dele. Não. ACM não foi um político imaculado, mas também não posso negar que sua figura impressionou e que sua liderança fará falta. Mesmo afastado, ACM ainda era o "Senador Antônio Carlos Magalhães". Por isso, um homem como ele não morre. Deixa o corpo velho e cansado para viver em segredo.

ACM rondará o Senado, a Câmara, o Governo e a Bahia. Mas, por mais assombrado que seja não terá êxito. Não neste cenário e, acredito, nem nos próximos dez anos. Não há e nem haverá, tão cedo, alguém com a personalidade tão ambígua, forte, assustadora e necessária quanto à dele. Nem o filho, nem o neto.

ACM sabia passar da ternura à malvadeza nos momentos certos. Era um político. Por paixão e vocação. Fez tudo o que todos os políticos fizeram e fazem. Manipulou, mentiu, enriqueceu. Violou o painel e fugiu. Mas e daí? O que contarão, em se tratando de Antônio Carlos Magalhães, serão sua coragem, sabedoria e sagacidade. Ele teve força, bateu na mesa, gritou, urrou e amedrontou, quando foi preciso. Venceu batalhas e soube passar de um lado para o outro no momento oportuno. Foi um líder. E é esta figura que permanecerá.

A morte de ACM é a concretização de que os pilares da política estão ruindo. Enterrar as atitudes manipuladoras de ACM e sua certeza de que o dinheiro poderia comprar tudo (e todos) poderia ser um alívio, mas não é. Entre raríssimas exceções, ficam apenas os aprendizes que tomaram para si tudo aquilo pelo qual o "Senador Antônio Carlos Magalhães" não será lembrado.

Enterrar o velho coronel, somado a tudo pelo qual o Brasil vem passando, é um aviso: o país está morrendo aos poucos. A saúde pública está em estado terminal. A segurança mete medo. As professoras temem os alunos, e os pais, medo da doutrina política nas escolas. As rodovias, um perigo tão grande quanto o transporte aéreo e o governo mais sujo do que nunca, ao ponto de comemorar uma suposta isenção na tragédia com o Airbus da TAM.

É, povo brasileiro... nós nunca estivemos tão no limbo quanto hoje. Tanto, que ainda vamos sentir saudades do jeito ACM de ser.

quinta-feira, julho 19, 2007

Novas lições, velhas tristezas

A aviação, que fez com que tantas crianças e jovens sonhassem em se tornar pilotos e aeromoças, no Brasil é, hoje, sinônimo de medo, revolta, sofrimento e decepção. O sonho transformou-se em pesadelo em menos de dez meses, período em que dois acidentes mataram quase quatrocentas pessoas. Destruiu famílias inteiras, forçou o brasileiro comum a aprender, por exemplo, que um transponder não pode ser desligado e que uma pista de pousos e decolagens não deve ser liberada sem o grooving.

Estas novas lições jamais serão esquecidas, pelo menos por nós, cidadãos comuns que não pilotamos, não construímos pistas mas sofremos junto àqueles que perderam filhos, netos, pais, amigos, noivas, esposas...sonhos. O que, aparentemente, não aconteceu com aqueles que são responsáveis por evitar que novas tragédias acontecessem.

Uma lição antiga parece não ter sido aprendida pela própria TAM: um avião não deve voar com problemas no reverso! Esta, até nós já sabíamos, desde 1996, quando um Fokker-100 (da mesma TAM) caiu poucos minutos após a decolagem. A causa? Uma "rara combinação entre falha humana e mecânica", entre elas, defeito no reverso (que auxilia na frenagem durante o pouso). Neste caso, o reverso foi acionado durante o vôo causando a queda. Agora, a falha pode ter impossibilitado o pouso e matado mais de duzentas pessoas.

Tudo isso é assunto para investigação que, pra variar, vai levar à agonia famílias que mal conseguirão enterrar seus parentes, vítimas, provavelmente, de uma "combinação rara de vários erros". Afinal, esta também foi a conclusão da tragédia com o avião da Gol. O que impedirá que gora seja também a resposta para as duzentas vítimas do vôo 3054? "Falha mecânica e humana agravada pelo estado da pista e a chuva"... ficaremos sabendo, talvez, daqui a dez meses ou até dois anos.

Por que nós, que aprendemos as lições, vamos ter que repetir o ano? Seremos obrigados a acompanhar as degravações das caixas pretas, reconstituição do acidente, identificação dos corpos, enterros e mais enterros! Não somos obrigados a pagar pelos erros das autoridades!

Por que o governo preferiu investir quase 20 milhões de reais no embelezamento do Aeroporto de Congonhas, ao invés de garantir a segurança na pista? E da TAM que, mesmo sabendo que o Airbus havia apresentado problemas no reverso uma semana antes, nada fez, importando-se apenas em garantir mais vôos para a empresa? Por que a pista de Congonhas foi liberada antes de suas obras terminarem? Quem a liberou? Estas respostas serão meros esquivos, não convencerão e nem devolverão a vida àqueles que se foram por causa da imprudência e da ganância daqueles que deveriam cumprir o seu papel, que é o de garantir a segurança.

Penso em qual (e quando) será a nossa próxima lição... passou da hora de "eles" aprenderem algumas lições.

sexta-feira, julho 06, 2007

Jogo de cartas marcadas

Renan Calheiros está certo. Ele não deve mesmo renunciar.

Moralmente falando (se é que ainda existe um pouco de moral no Congresso), quando um senador ou deputado renuncia ao cargo diz à população que está interessado apenas em manter seus direitos políticos. E, moralmente falando, Renan Calheiros já foi exposto. Todos já sabem quem paga suas contas e a sua imensa (e mágica) capacidade como pecuarista. Resta a Calheiros esperar para ver quem terá coragem de abatê-lo. Assim como Renan, eu também estou pagando para ver o fim dessa história, até porque, o Presidente do Senado não deve ter apenas o "dossiê ignorado" (como auto-intitula o relatório de sua defesa). Devem ser vários os dossiês guardados em seus currais. E muita gente sabe disso. Não é à toa que o processo no Conselho de Ética apresenta irregularidades capazes de anulá-lo. Calheiros é forte como um touro!

Bem menos forte, Joaquim Roriz renunciou sozinho. Por enquanto. Gim Argello, que assumirá o lugar de Roriz, bebeu da mesma fonte e poderá ter que escolher, em breve, entre a cassação ou a renúncia. Creio em uma nova renúncia. Será que o ex-deputado e empresário, Wigberto Tartuce, e Nenê Constantino, dono da Gol, vão querer que este caso vá mais longe do que já foi? Creio que não.

Teriam que explicar muita coisa sobre a venda do tal terreno do governo do DF que, um ano depois, valorizou 170% graças a um projeto do então governador Roriz.. E, se Argello renunciar, quem aparece para substituir o substituto é ninguém menos que Marcos de Almeida Castro, irmão de Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido por livrar políticos de denúncias e é também amigo de José Dirceu. Precisa dizer mais alguma coisa? Precisa.

Se eles estão pouco ligando para a imagem "moral", o futuro das investigações criminais também não lhes importa muito. Elas têm rumo certo: a impunidade. Quem garante é a própria Associação dos Magistrados Brasileiros. Parecia piada, mas não era. Juízes fizeram manifestação contra a impunidade! Pois foi exatamente isso que aconteceu.

Diante de tanta indignação do povo brasileiro perante as denúncias (que parecem nunca ter fim - e não terão mesmo) e a falta de punição, os magistrados correram para se defender e só faltaram chorar. Disseram que o STF (Supremo Tribunal Federal) não condenou autoridade alguma, desde a Constituição de 1988, simplesmente porque não têm condições de julgar tantos processos. Na realidade, nenhuma autoridade foi condenada nos últimos 40 anos!

Das duas uma: ou temos políticos sujos demais ou as instituições julgadoras são incompetentes. Aposto em ambos.

Em uma coisa eu concordo com eles. Esse "foro privilegiado" tem que acabar. Aliás, isso mais parece um "forro" privilegiado, uma tenda onde eles se protegem da luz da verdade e da justiça. Por mim, acabaria também com essa tal Comissão de Ética. Existe uma suspeita de irregularidade envolvendo parlamentar? Ele deveria ser imediatamente afastado do cargo. De tanto usar a declaração de que alguém é "inocente até que se prove o contrário", o país está cheio de bandidos nas ruas, no Congresso e nos Governos.

Graças a tudo isso é que estamos vendo, hoje, o presidente do Senado envolvido em propina e transações pecuárias milagrosas, senadores repartindo um cheque de dois milhões de reais (o que também parece ser propina por uma transação imobiliária) e mais! Graças a isso, Lula pretende trazer de volta Silas Rondeau ao Ministério das Minas e Energia, suspeito de levar R$100 mil da Gautama.

Em pouco tempo teremos de volta também José Dirceu.

segunda-feira, julho 02, 2007

Hogwarts brasileira: o Congresso e seus feitiços

A escritora britânica J.K. Rowling tornou-se bilionária ao criar o bruxo Harry Potter, cuja vida está sentenciada a um confronto com o sanguinário bruxo Valdemort, que tentou matá-lo quando Potter tinha ainda um ano de vida. Enquanto o confronto final não acontece, Potter - assim como centenas de outros bruxos adolescentes - frequentam a escola de Hogwarts. Lá se aprende todas as poções e feitiços que se possa imaginar. A cada episódio Valdemort torna-se mais forte e Potter perde um a um de seus aliados.

Rowling diz que não há nada de mágico em seu processo de criação. Apenas espelhou-se na vida real. Acredito nela. Quem acompanha a série "Escândalos no Congresso Brasileiro" sabe que tudo é possível. Casos recentes mostram-se verdadeiramente mágicos. Com uma pitada de imaginação, qualquer um poderia ter criado uma Hogwarts brasileira.

O mais recente exemplo é o "feitiço" lançado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que permitiu-lhe escolher, convidar e desconvidar o relator do possível processo contra ele no Conselho de Ética. Algo inusitado para qualquer cidadão comum. Não tenho acesso aos livros de feitiços de Renan, mas posso imaginar que ele tenha usado o chantagius, aquele que revela os segredos de suas vítimas caso não realizem os seus desejos. Lição que, aliás, é uma das primeiras a ser aprendida na política brasileira.

Outra poção mágica usada por grande parte dos nossos políticos é a emprestimus amigus. O ex-presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, foi vítima desta poção quando pagou uma dívida de R$29,4 mil que o presidente Lula tinha com o PT. Pagou e nunca cobrou!

O presidente do conselho administrativo da Gol também parece ter tido um acesso de bondade ao sacar R$ 2,2 milhões do Banco de Brasília e teria emprestado R$300 mil ao senador Joaquim Roriz.

Enquanto Renan também não admitir que usou outro feitiço, o engordum bois, em seu rebanho para justificar sua renda extraordinária, ainda fica a versão de que o amigo Cláudio Gontijo paga, às cegas, as despesas extra-conjugais do senador.

Entre os mais mágico de todos os processos já vistos na Hogwarts Brasilis, está o sortis eternum, criado pelo finado João Alves. Cá entre nós, acertar 221 prêmios na loteria é sorte para toda a vida! Pena que ele levou a fórmula para o túmulo!

O que mais me preocupa, porém, é o memorius finitum, o que parece apagar a memória do povo brasileiro. Prova disso é a volta de personagens como Jader Barbalho, Fernando Collor, ACM, Paulo Maluf, João Arruda, entre outros.

O paralelo entre a ficção de Rowling e o nosso Congresso termina quando, aqui, não há Harry Potters, só Valdemorts e suas trapaças. O futuro de Potter e Valdemort ainda é um mistério que será conhecido em julho deste ano. A corja que ocupa o Congresso, porém, está longe de ter um fim, assim como suas mágicas inimagináveis.

sexta-feira, junho 15, 2007

Déjà vu

Se você, assim como eu, tem a sensação de estar revivendo situações, pode estar sofrendo do que eu chamo de Déjá vu à brasileira. Uma síndrome que vejo acontecer com muito mais freqüência aqui do que em outros países e que pode causar múltiplos transtornos. Por exemplo, não saber diferenciar o presente do passado. E, o que é pior. Ter a certeza de que será o mesmo no futuro.

Nas manchetes policiais, perdi as contas de quantas vezes li frases como estas:
"PF prende 30" (dias depois) "Justiça solta os 30 presos pela PF". (apenas os números mudam)

Na política:
"A denúncia é falsa e vou provar minha inocência"
"Eu nunca vi este senhor" (dias depois) "Estive com ele uma ou duas vezes"
"Conselho de ética analisa processo contra deputado" (dias depois) "Conselho de ética arquiva processo"
"Deputados aprovaram emenda em benefício de empresa" (Máfia das ambulâncias ou da Gautama?)
"Denúncia de caixa 2" (PSDB, PT ou Collor?)

As falas do presidente Lula são as que mais me confundem:
"Eu não sabia!"
"Fui traído"
"Ele é um homem de bem, confio nele até que se prove o contrário"(é sobre Dirceu, Genuíno, Delúbio, Duda Mendonça ou o irmão Vavá?)
"O Brasil nunca esteve tão bem"
"O brasileiro tem que parar de falar mal do seu país"
"Vamos parar de falar de violência"(isso foi anos atrás ou recentemente na campanha pelo Cristo Redentor?)

Não faltam exemplos. O que falta é um ponto final neste padrão. Não só neste, mas também nas falas repulsivas de muitas autoridades. Se é que, hoje em dia, pode-se chamar "político" de autoridade.

Depois do famoso "estupra, mas não mata" de Maluf e do "as mulheres de hoje trabalham deitadas e descansam em pé" de Clodovil, Marta Suplicy soltou o"relaxa e goza". Estamos baixando o nível das reprises ou é impressão minha? Pelo jeito, ainda teremos muito o que ouvir até o final do mandato Lula.

A sensação de Déjà vu teve outro episódio essa semana, com o adiamento (pela quarta vez) da posse de Mangabeira na Secretaria de Planejamento Estratégico. Dizem que será na terça-feira. O país do repeteco é também o da retaliação. Quem chamou o governo Lula de o mais corrupto da história e pediu o impeachment do presidente está sendo fritado antes mesmo de receber o cargo. Mas ele chega lá. Todos chegam!

Depois de analisar alguns destes flashes de memória, imagino que se eu acordar de um coma daqui a 19 anos, como o polonês Jan Grzebski, acredito que vou encontrar tudo na mesma, ou pior.

"Tira o tubo!"

quarta-feira, junho 13, 2007

Uma luz na escuridão

Ufa! Finalmente tem algo de bom acontecendo por aqui. Neste país, onde a justiça se vende tão facilmente, uma sentença deixou-me feliz. Deixaram a Míriam divulgar o nome da escola e da editora responsáveis por colocar em sala de aula apostilas "pornomarxistas". Para quem pegou o bonde andando, seguem os capítulos anteriores:

O fato foi citado no texto "Eles querem nossos filhos", publicado em abril, aqui no site. Míriam Macedo (jornalista, mãe e corajosa) encontrou vários textos com claras tendências esquerdistas nas apostilas usadas na escola de sua filha. Tirou a filha de 15 anos da escola e denunciou o fato na internet. A justiça a obrigou a omitir os nomes dos responsáveis pelo material "didático" e da escola. A revista Veja desta semana disse que a justiça, agora, recuou e decidiu que ela pode sim divulgar os mesmos. Se ela pode, todos nós podemos!

A decisão da justiça é uma migalha perto do prejuízo intelectual que este material poderia ter causado no solo fértil destes mentes ainda jovens. Mas, por uma migalha, solto rojões. Que triste comemorar uma simples autorização. Quisera eu estar comemorando o impeachment do presidente Lula, a condenação de todos os políticos envolvidos no mensalão, nas propinas de empreiteiras, ou simplesmente o cumprimento das leis. Porém, mais tristes ainda devem estar os diretores do COC (dono das apostilas) e do Colégio Pentágono de São Paulo, onde a filha de Míriam estudava. E certamente o estão, como relata um aluno do Ensino Médio da escola em questão.

Pedro de Castro Magalhães Gomes comentou o artigo deste site defendendo a reputação dos professores da escola neste episódio. O texto, muito bem escrito por sinal (digno de um professor ou até mesmo do dono da escola) me pareceu um formato padrão em resposta à Veja e à Míriam muito mais do que a mim, já que a maioria das citações que ele faz eu não havia sequer mencionado em meu artigo. Para quem o leu, verá que o caso "pornomarxista" é apenas um dos exemplos citados por mim do uso da sala de aula como palanque comunista.

Ao Pedro, meus respeitos aos seus sentimentos, embora a escola (mesmo que não faça uso total do material - como garante o aluno - e também possua professores capazes de orientar o jovem a pensar livremente ao invés de submeter-se a uma doutrina) continua sendo responsável pelo material que disponibiliza aos alunos. Ou uma escola não tem obrigação de verificar o conteúdo dos livros que impõe? Tanto se sente responsável que a escola não renovou o contrato com o COC!

O diretor do grupo COC também reconhece a imprudência. A menos que a revista Veja tenha inventado tal fala, Chaim Zaher, diretor do grupo, afirmou: "Erramos mesmo". Ele avisou ainda que fará uma revisão de suas apostilas usadas por 220.000 estudantes.

Como um náufrago que se apega ao primeiro sinal de salvamento, a simples vitória de Míriam na justiça me faz dormir um pouco mais aliviada. Há uma luz no fim do túnel. Um brinde à Míriam Macedo e à justiça.

Mas, só por hoje!

segunda-feira, junho 04, 2007

O peso das palavras

A palavra tem o peso que se quer que ela tenha. Eu dou muito peso a elas principalmente quando vêm de pessoas bem informadas e que conseguem enxergar por trás do óbvio. Pena que estas pessoas estão se calando pouco a pouco e deixando que outras, cujas palavras são na maioria "não sei" "não fui" "não sabia", tenham um peso tão grande que conseguem ofuscar aqueles que realmente têm algo a dizer.

Há tempos venho percebendo que o blog de um conhecido meu não estava sendo atualizado como antes. A agilidade e a inteligência com que ele comentava os fatos mais relevantes do nosso país já não eram mais os mesmos. Os textos começaram a minguar, embora continuassem com a mesma fúria ácida que sempre admirei. Aos poucos, nem minguavam mais. Acabou. A fonte de inspiração secou. Não a dele, mas a de muitas pessoas que - assim como eu - se deleitavam com suas palavras certeiras.

Hoje, ele me explicou. "Parei de escrever porque simplesmente não adianta." E ele, mais uma vez, tem razão. Nada adianta neste país.

A imprensa fala, a Polícia Federal fala, o Ministério Público fala e o que acontece? Muito barulho e nada mais. Até os políticos falam! Maluf disse que há um esquema de compra do resultado eleitoral (mesmo com voto eletrônico). Falou que foi procurado pelos "vendedores" que teriam como fraudar o resultado das eleições. Ele garante que não comprou!

Por outro lado, há aqueles que falam e tudo se resolve. Mesmo quando falam para negar tudo. Lula nega saber das falcatruas de sua filha Lurian (ex-Ong Rede 13) e do filho Lulinha (Gamecorp). Nega ter participação no caixa 2 do PT, no dinheiro do exterior, no assassinato político de Celso Daniel, na quadrilha do mensalão, etc. Foi reeleito.

Renan Calheiros negou troca-troca com a Mendes Júnior e isso bastou. Aliás, "negar" é o verbo dos novos tempos. Todo mundo nega até que se prove o contrário e, mesmo assim, provas hoje em dia não dizem nada. Zuleido Veras, como eu já havia dito - e era de se esperar - é o atual renegado. Os políticos negam tudo em relação a ele. "Zuleido quem?" "Falei com ele uma ou duas vezes" "Aquele de bigode, dono da Gautama? Não conheço".

Existem ainda aqueles que falam e se dão mal. Um certo caseiro falou muito sobre Palocci em uma mansão. Ficou desempregado e desacreditado. Palocci, virou deputado federal. Veremos qual será o futuro do ex-assessor de Rondeau depois de ele dizer que o ex-patrão teve um encontro com Zuleido "Charles Bronson" Veras.

Entre tantos disse-me-disse, nego a explicação do meu amigo e exijo (outra palavra de ordem) a volta de seus textos imediatamente! É preciso falar, falar e falar, cada dia mais! Mesmo que não dê resultado algum, pelo menos é bom irritar os simpatizantes dessa política suja, canalha e desonesta nas quais está mergulhado o poder deste país.

sexta-feira, maio 25, 2007

Made in Brazil

O brasileiro tem muito o que comemorar. Principalmente aquele que saiu do Brasil em busca de oportunidades. Estamos exportando cada vez mais mão de obra para o exterior. Atualmente, cerca de 3 milhões de brasileiros vivem no exterior. Que sorte a deles!

O desespero em deixar o país é tão grande que o brasileiro é capaz de passar por uma verdadeira maratona no preparo dos documentos, sem falar no custo da burocracia. Com a implantação do novo passaporte (aquele azulzinho, com foto digital, chique mesmo!) o custo para quem está nas capitais praticamente dobrou. Passou de R$ 89,71 para R$156,07. Soma-se a isso, a regularização de toda a papelada e as intermináveis filas nos postos da Polícia Federal. Olha, não é fácil... mas vale a pena.

A grande maioria dos brasileiros que optam por deixar o país não volta. Sente falta da família, dos amigos, do calor de seus conterrâneos... e mais nada. Ninguém diz "ah, que saudades do desemprego, da falta de respeito, do governo, dos parlamentares, da corrupção, da violência no trânsito e nas ruas.... saudades da quadrilha do mensalão". Nunca ouvi isso de ninguém!

O país preferido dos brasileiros são os Estados Unidos. Todo mundo critica o capitalismo norte-americano mas é pra lá que a maioria vai quando o cinto aperta por aqui. Já somos uma colônia de 1 milhão de brasileiros na casa de Bush! E o número aumenta, mesmo que isso lhe custe a vida! (uma pessoa morre a cada 18 horas tentando entrar ilegalmente nos EUA).

O segundo destino mais procurado é o Paraguai. (Dá pra entender, sair do Brasil para morar no Paraguai?) Em terceiro lugar, o Japão seguido de Portugal. Londres não é uma das capitais mais procuradas por nós, mesmo assim os números impressionam. Em 10 anos (de 1997 a 2006) os brasileiros em solo londrino passaram de 4 mil para 25 mil (600% a mais)!

O que faz tanta gente arrumar as malas, documentos e dívidas para simplesmente fugir do próprio país? Frustração... (o risco de se furstar no exterior é melhor do que a certeza de se frustar aqui) e decepção. Podemos ser traídos por qualquer pessoa, menos por aqueles que amamos. Esta traição dói, e muito! Sermos tratados como imigrantes, tupiniquins, ignorantes e puxadores de carroça lá fora é mais fácil de aceitar do que levarmos tapa na cara dos nossos pais (ou país).

Com tudo isso, mais do que aço, soja, açúcar, banana, jogador de futebol e até urnas eletrônicas, o Brasil pode comemorar a exportação de estudantes (cerca de 70 mil por ano) e de mão de obra qualificada (140 mil por ano). Ok, estamos semeando também nosso "jeitinho" brasileiro de ser quando, lá fora, resolvem ser o que são aqui: motoristas assasinos, hackers, contrabandistas, exploradores sexuais, pedófilos, médicos/açougueiros, golpistas e tudo mais. A diferença é que lá a justiça funciona!

Bon voyage!

segunda-feira, maio 21, 2007

Por trás da navalha

Sempre que acontece uma leva de prisões, o que tornou-se rotina nas operações da Polícia Federal, penso o que pode estar por trás de tudo isso. Até porque, este esquema não é novo. A máfia das ambulâncias agia praticamente da mesma maneira. Propinas para políticos em troca de suas prestações de serviço. Superfaturamento, lobistas, desvio de dinheiro público. O que me chama a atenção é que este esquema era voltado especificamente para programas sociais do governo federal (o PAC e Luz para Todos). Hum, aí tem coisa, ah tem!

Ministros Tarso Genro e Dilma Roussef festejaram a operação
(se eles festejaram, aí tem mesmo! Ou vão me convencer de que eles festejaram o fim das propinas?)

As investigações começaram em novembro do ano passado
(demorou muito para um esquema tão manjado)

Os contratos suspeitos somam R$ 100 milhões em apenas um ano
(e o TCU não percebeu isso antes?)

O sócio-diretor da empresa, Zuleido Veras, é amigo (muito amigo) de vários parlamentares
(Os mesmos que, agora, vão dizer que o "conhecem de vista". Querem apostar?)

Acho que alguém neste esquema parou de ganhar a sua propina de cada dia ou alguém está querendo tomar o lugar da Construtora Gautama, de Veras, forte candidato a delação premiada, já que pelo menos 14 funcionários dele estão entre as vítimas da Navalha. Se bem que, assim como todas as outras operações, logo logo se vê uma chuva de habeas corpus, desculpas esfarrapadas e tudo volta como antes.

Por hoje é só, ainda não digeri essa prezepada toda...até a próxima operação, pessoal!

O que não deve demorar muito, já que a Polícia Federal tem se empenhado em mostrar muito serviço ultimamente. Ou melhor, o governo tem usado muito a PF para encher os olhos do povo.

sexta-feira, maio 11, 2007

Eu queria ser o Papa

Escolta 24 horas por dia. Reforço de cerca de 20 mil policiais militares (além de federais e exército) por todos os lados. Atiradores de elite sobre os prédios. Carro blindado. Inspeção rigorosa no local de estadia. Estes e outros serviços foram implantados para garantir a segurança do Papa Bento XVI na capital paulista. Nem George Bush teve um esquema de segurança tão reforçado quando visitou São Paulo, em março deste ano. Para a visita do presidente norte-americano foram mobilizados cerca de 4 mil policiais.

Como paulistana, não consigo imaginar como seria ter guarda-costas deste calibre. Aliás, muito diferente disso, não vi um segurança sequer, duas semanas atrás, quando eu e outros clientes fomos vítimas de um assalto dentro de uma loja de conveniência. Armado, um motoqueiro entrou na loja e levou de nós o que quis. Eram 9 horas de manhã.

Ironicamente, torci para que nenhum policial chegasse, com medo de um tiroteio. Sorte que duas estudantes (de 17 e 11 anos) não tiveram, em Monte Alto, no interior do Sergipe. Elas foram mortas, dentro de uma farmácia, com tiros na cabeça, por um assaltante que entrou na farmácia para fugir da polícia.

No dia da chegada do Papa, por volta de uma da tarde, eu saía de um restaurante e quatro policiais militares estavam, muito bem armados, revistando alguns motoqueiros. Pouco depois, às 5 da tarde, fui surpreendida no trânsito por um policial da Rota apontando uma arma em minha direção. Eu estava com a minha filha de 1 ano e 9 meses dentro do carro. O policial falava em alto e bom som o tradicional "mãos ao alto" e seguia firmemente com a arma em punho em minha direção. Assustada, pensei que meu carro havia sido confundido com outro. Para minha sorte (de novo) o alvo não era eu e sim um homem na calçada ao lado. Temi, de novo, por um tiroteio. Arranquei com o carro e com as pernas tremendo.

No dia seguinte, às 5 da manhã, seguia para o trabalho quando me deparei com homens do exército - e suas armas - literalmente em cada esquina por onde eu passava (é assustador temer por aqueles que fazem a segurança). Como ainda era noite, fui com a luz interna do carro acesa até chegar ao trabalho para que pudessem me identificar. Afinal, não tenho cara de quem pretende assassinar o Papa!

Na volta do trabalho presenciei um show nos ares. Vários helicópteros pairavam sobre a região central onde o Papa ficou hospedado. Aeronaves militares faziam a segurança do pontífice. Ao todo, 15 helicópteros foram mobilizados para a operação Papa. Os vôos tradicionais das 470 aeronaves que sobrevoam a capital levando executivos de um lado ao outro ficaram restritos. Os prejuízos ainda não foram calculados.

Não sei se vou sentir falta de Bento XVI quando ele se for de São Paulo, ou se vou me sentir aliviada por não me deparar com tantas armas em meu caminho. Se pelo menos toda esta segurança fosse para nós, paulistanos...

Aliás, de onde saíram tantos policiais para esta operação? Ou melhor, quem fez o policiamento e garantiu a "nossa" segurança enquanto os 20 mil policiais serviram de babá do Papa? Estes policiais representam 27% de todo o efetivo do Estado!

Resta saber se a Secretaria de Segurança Pública divulgará os números da violência nas regiões por onde o Papa não passou.

sexta-feira, maio 04, 2007

Com as próprias mãos

Cidade de Santos, litoral paulista. Uma menina de 10 anos é estuprada e estrangulada, até a morte, com um fio de carregador de celular. O corpo nu, deixado em uma cama, foi encontrado pela mãe. Um suspeito do crime, o desempregado Daniel dos Santos, acusado de vários roubos na região, foi levado à delegacia. Negou o crime e não foi reconhecido pelas testemunhas.

Não convencidos da inocência do rapaz, moradores lincharam Daniel, até a morte, com pedaços de pau e canos. Dois dias depois, a polícia comunicou que exames de DNA mostraram que Daniel não era o estuprador. A polícia, agora, busca os linchadores do rapaz.

Deveriam se questionar sobre o que leva o povo a agir com as próprias mãos.

Em uma sociedade onde as instituições são respeitadas não há este sentimento de abandono em que vivemos. Acredita-se na polícia, no governo e na política de segurança pública. Acredita-se que juízes não vendem sentenças; que agentes não facilitam fuga de presos; e que políticos não aceitam propinas para aprovar este ou aquele projeto. Mas isso, em um país sério, desenvolvido, que respeita seu povo e suas vítimas. Não é o caso do Brasil. Acontecimentos desta semana provam isso.

A fuga de "Champinha"

O assassino confesso do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em 2003, usou uma escada "esquecida" por funcionários de uma obra na unidade da Febem (que insistem em chamar de "Fundação Casa", como se o nome fosse mudar a história e os fracassos desta instituição).

Na fuga, Champinha usou metrô e ônibus até a zona leste da capital paulista. Sentou-se ao lado de várias pessoas que sequer sabiam do risco que corriam pois, protegido pelo ECA (Estatudo da Criança e do Adolescente), seu rosto jamais havia sido mostrado.

Durante a fuga, Champinha só não cometeu outros crimes porque não houve tempo suficiente para isso. Onze horas depois de fugir, o cruel assassino do casal Liana e Felipe estava nas mãos da polícia, dedurado pela própria família.

Todos com quem conversei sobre o assunto me disseram a mesma coisa "deveriam ter matado o animal". Não mataram. A polícia fez o politicamente correto: devolveu o criminoso para a justiça. O problema é que, desde o final do ano passado, Champinha já deveria ter sido transferido para um hospital psiquiátrico. Não foi, pela ausência do Estado. Em São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança, não há um local adequado para tratar este psicopata.

Agora, a Vara da Infância e Juventude (sim, ele ainda é tratado como um menor) determinou que ele vá para uma "Unidade Experimental de Saúde" que - embora tenha sido inaugurada há alguns meses - sequer foi colocada em funcionamento. Determinou também que médicos da USP acompanhem a vida do sujeito e enviem relatório a cada 20 dias.

É muita bajulação (e gasto de dinheiro público) por um caso perdido enquanto nós ficamos à deriva neste país onde a violência e o descaso crescem a cada dia.

Anistia Internacional: omissão do Estado dá lugar à criminalidade

No mesmo dia que o país assiste ao empurra-empurra sobre o destino de Champinha, a Anistia Internacional divulgou um relatório sobre a criminalidade no Brasil. Este relatório sai um ano e meio depois do último relatório sobre o mesmo tema. A conclusão é que pouco ou nada foi feito para melhorar a questão da segurança pública no país. "Diante da crescente vulnerabilidade do Estado frente à criminalidade, examinam-se as falhas do sistema de justiça criminal, tais como a corrupção generalizada que permitiu ao crime organizado criar raízes que abalaram profundamente a confiança da sociedade no sistema de justiça e na polícia."

Eles sabem. Nós sabemos. Todo mundo sabe. Mesmo assim, o Estado continua ausente criando uma sociedade desesperada, revoltada e faminta por justiça... nem que seja pelas próprias mãos, na primeira oportunidade que tiver. Mesmo que esta seja contra um "inocente".

Diante de tudo isso, um herói

Dia 2 de julho um lavrador morador de rua receberá do Corpo de Bombeiros, em Brasília, a Medalha de Mérito Dom Pedro II, a mesma recebida pelo ex-presidente FHC, por contribuição com a corporação. A contribuição de José Aparecido, de 23 anos, foi se atirar de uma ponte para salvar uma mulher que havia sofrido um acidente de moto. E ele salvou mesmo. Jeane de Souza Andrade não sabia nadar. E nem poderia. Ela havia deslocado a bacia e fraturado o braço. Jeane disse: "Uma pessoa se jogar de cima de uma ponte para salvar outra, arriscando a própria vida, sem saber se vai conseguir... Pra mim ele é um anjo."

José Aparecido pode ser o anjo de Jeane. Ou pode ter feito o que fez simplesmente por instinto de sobrevivência e defesa ao próximo - muito mais desenvolvido entre os moradores de rua do que os que estão cercados de conforto. E, para lá, parece estarmos caminhando todos. Para uma sociedade onde, se o poder público não faz nada, faremos nós.

segunda-feira, abril 30, 2007

Abril vermelho... de raiva!

O mês está na contagem final e já vai tarde. Invasão de praças de pedágios e prédios públicos. Bloqueio de rodovias, ocupação de fazendas e até de uma área do exército. Estas foram apenas algumas das manifestações praticadas, neste mês, pelo MST que, só em fazendas, fez 81 invasões.

O movimento nega que tenha batizado o período de "AbrilVermelho". Para eles, as ações se intensificam neste período "em memória aos 19 trabalhadores rurais mortos em Eldorado dos Carajás, em 1996". A data virou "Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária". Tudo isso pode ser muito bonito, comovente, se não fosse por alguns detalhes que valem a pena serem lembrados sempre!

O MST deixou, há muito tempo, de lutar pela terra (se é que algum dia foi este o verdadeiro objetivo do grupo). O movimento, fundado em 1984, começou na década de 1950 com as Ligas Camponesas, no Recife, e é hoje muito mais uma questão política do que rural. Mesmo que fosse por um objetivo agrário, isso não lhes dá o direito de invadir nada público ou privado. Quem aqui já invadiu uma concessionária para pegar a sua cota de BMW? Ou, o que seria mais interessante ainda, tomar um prédio inteiro de um banco para reivindicar sua parte nas ações?

A maioria das pessoas de bem teve um mês bem diferente. Muitos acordaram ainda de madrugada, pegaram várias conduções até o trabalho, aguentaram o chefe reclamando de tudo e de todos e só saíram do trabalho depois das 6 da noite. No final do mês vão pegar um salário quase 30% menor do que o esperado porque a diferença é descontada em impostos.

Ah, é verdade, eles não são como nós, meros mortais, cujos salários precisam ser esticados mês após mês. Os sem-terra têm um padrinho bilionário que sustenta suas "ideologias sociais". Um padrinho que lhes repassou 39,9 bilhões de reais em quatro anos, valor quatro vezes maior do que o repassado pelo governo FHC. O que me enfurece é que este padrinho, que veste a faixa presidencial, faz farras não com o dinheiro dele e sim com o dinheiro deste mesmo povo que, um dia qualquer, se vê acuado com centenas de famílias com enxadas, pás e foices nas mãos invadindo suas terras.

Semana passada estas famílias invadiram uma fazenda particular em Sorocaba(SP) e pediram proteção da polícia por terem sido ameaçados por uma "milícia armada". A polícia diz que esteve no local, mas para acompanhar um oficial de justiça que foi à fazenda entregar uma decisão judicial para que os sem-terra saíssem da propriedade. Era só o que me faltava. A polícia ser deslocada de seu dever para com o cidadão de bem para proteger bandido. Esta historinha já vemos centenas devezes nas idas e vindas dos presos deste país. Não precisamos, agora, ver que, além de levarem nosso dinheiro para seus assentamentos, ainda estão levando nossa polícia para lhes dar cobertura no crime.

As inversões de valores que estamos vivendo promete um futuro de vários meses vermelhos. E a cor poderá vir não das bandeiras do MST e sim, da reação - já tardia - deste povo que não aguenta mais servir de capacho deste e de outros grupos de terroristas que passaram a ditar as regras neste país.

domingo, abril 15, 2007

Eles querem nossos filhos

Antes de qualquer coisa, peço ao leitor que leia esta seqüência de verbos:

"acordou, barbeou-se... beijou, saiu, entrou... despachou... vendeu, ganhou, lucrou, lesou, explorou, burlou... convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou... despiu-se... deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou... saiu... chegou, beijou, negou, etc, etc".

Enquanto lê, certamente imaginou um personagem para a cena. Agora tente defini-lo. Segundo o livro didático de redação - usado por uma estudante de 14 anos em escola particular - do qual este trecho foi extraído, é a maneira de “como se conjuga um empresário”.

Se você ficou pasmo(a) como eu, então continue a leitura. Caso contrário, melhor mudar de página porque, certamente, não gostará do que vou descrever abaixo.


Crente de que se tratava apenas de um engano, a mãe desta estudante pegou outras apostilas. Infelizmente ela encontrou mais. Na apostila de História, destacam-se os trechos:

"O progresso técnico aplicado à agricultura (...) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher".

".....a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais - daí as classes sociais - e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado".

O conteúdo, não só de mau gosto como também altamente tendencioso, levou a mãe - que também é jornalista - a retirar a filha da escola e denunciar a instituição em um artigo. A briga foi parar na justiça e, até o momento, apenas a mãe teve que cumprir uma ordem judicial: retirar o nome da escola do artigo. A jornalista e dois editores onde o artigo foi publicado respondem processo na justiça.

Esta é a educação que estão oferecendo aos nossos filhos. Muitas escolas (públicas e particulares) estão usando métodos da antiga cartilha comunista de “como recrutar jovens da maneira mais fácil possível”.

Encontrei, na internet, várias denúncias desta prática vindas de pais e até professores. Profissionais que se sentem atropelados pelos canhões silenciosos da doutrinação dentro de sala de aula, como relata este professor de Filosofia:

... “não suporto mais o clima sufocante que o ativismo esquerdista fez pairar sobre nossas instituições de ensino”
... “Espero de coração que muita gente, para o bem de seus filhos e do Brasil, entre nessa cruzada contra a barbárie e em defesa do verdadeiro ensino E acho que a coisa tem de começar já nas escolas primárias e secundárias, onde a atuação dos doutrinadores esmaga e transforma num mingau indigesto o cérebro de nossos jovens, porque nas universidades o "Leviatã" já se apossou de suas almas e afirma, de púlpito, que o inferno é aqui.”


Em outro caso, uma escola em Bagé (RS) – também particular – estaria usando um livro “didático” para a 5ª série (isso mesmo, 5ª série!!!!) de “Geografia”, em que os alunos são bombardeados com ensinamentos do tipo:

... “propriedades grandes são de ‘alguns’ e que assentamentos e pequenas propriedades familiares ‘são de todos’. Aprendem que ‘trabalhar livre, sem patrão’ é ‘benefício de toda a comunidade’. Aprendem que assentamentos são ‘uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais’”

Para completar, diz o artigo “A Revolução Silenciosa”, os jovens são obrigados a ler um texto do líder do MST, João Stédile!!!!!

É cruel demais ver nossos jovens, que já passam por tantas provações que a fase lhes incide, serem doutrinados desta maneira, à luz do dia, silenciosamente e debaixo dos nossos olhos! Façamos as contas. Lula está no governo há 5 anos. Quando ele entrou, uma criança de 11 anos, sendo “educada” desta maneira, hoje, aos 16, estaria apta a votar. Preciso falar mais alguma coisa?

Todos sabem que as escolas sempre serviram de palanque. A diferença, hoje, somos nós (pais) e o acesso à informação. Ter uma conversa franca com os filhos e procurar mostrar-lhes todos os lados da História - hoje em dia - está sendo fundamental para garantir a saúde mental dos nossos jovens!

Mas não acabou, companheiros!

Só para lembrar, em fevereiro, a revista Veja publicou uma entrevista com o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, em que ele denuncia uma doutrinação idelológica dentro do Itamaraty.

“Está havendo uma doutrinação. Diplomatas de categoria, não apenas jovens, são forçados a fazer certas leituras quando entram ou saem de Brasília. Livros que têm viés dessa postura ideológica. É uma coisa vexatória. O Itamaraty não é lugar para bedel.”

"Um processo de doutrinação assim no Itamaraty não aconteceu nem na ditadura".

Pode ser pior? Pode.

Recebi, recentemente, um email com uma questão formulada em uma prova da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A questão apresentava um conceito tão ideológico que achei que fosse piada. Não era. Assim como também não era ela a única questão a me chocar. Só para se ter uma idéia, vou deixar aqui um gostinho:

22. Aponte os exemplos de homens éticos com visão filosófica engajada (para além da hipocrisia):

A) Bush, Olavo de Carvalho, Editora Abril, Inocêncio de Oliveira e Roberto Marinho.

B) Dalai Lama, Gandhi, Marina da Silva, Frei Beto e Dom Helder.

C) FHC, Marco Maciel, ACM, Ratinho e Reginaldo Rossi.

D) Leonardo Boff, Irmã Dulce, Ariano Suassuna, Betinho e Zilda Arns.

E) Dalai Lama, Gandhi, ACM, Frei Beto e Leonardo Boff

Agora, imagine, caro leitor, como será a tal TV Pública... aliás, com um governo munido de tantos instrumentos de doutrinação assim, pra quê TV Pública, não é mesmo? Talvez para garantir os 10 milhões de empregos que Lula tanto disse que criaria no primeiro mandato. Até dezembro do ano passado, o IBGE apontou pouco mais de 2 milhões de novos empregos em 4 anos de governo.


***As denúncias foram retiradas do site “Escola sem Partido”, criado em 2004 para denunciar práticas de doutrinação ideológica dentro das escolas:

Luta sem Classe (Míriam Macedo)

A Revolução Silenciosa (Diego Casagrande)

Denúncia de doutrinação ideológica no Itamaraty

Uma prova da Universidade Federal de Pernambuco e a revolução cultural do ministro Haddad

terça-feira, abril 10, 2007

Cadê o recheio do bolo?

Depois do resultado da pesquisa CNT/Sensus - que apontou aumento na aprovação do presidente e do governo Lula - peço demissão de jornalista e vou passar a falar sobre culinária. Prefiro ingredientes saborosos, dar dicas de como pilotar bem um fogão (que modéstia à parte conheço muito bem) e cultuar a saúde e o bem estar pela boca, do que tentar - em vão - apelar aos olhos e ouvidos dos brasileiros sobre um Brasil que, aprentemente, a grande maioria não vê.

Levando em consideração que a pesquisa esteja correta (porque neste país começo a duvidar cada dia mais de tudo e de todos!) a aprovação do presidente subiu para o mesmo patamar em que estava em maio de 2005, semanas antes de estourar o escândalo do mensalão. Como lembrou bem o comentarista Joelmir Beting, no Jornal da Band (10.04), isso quer dizer que a imagem de Lula resistiu ao mensalão, à crise aérea e ainda levou uma reeleição entre uma crise e outra. É muito prestígio para tanto descaso! Sem falar nos gastos com cartões de crédito (investigados pelo TCU), repasses irregulares às obras do PAN (também investigados pelo TCU), prorrogação da CPMF por mais 10 anos, envio do nosso dinheiro para países da América Latina, falta de investimento na segurança pública (entre muitas contradições da pesquisa, quase 91% dos entrevistados dizem que a violência aumentou!), etc (sim, vou apelar para o etcetera porque estou mesmo farta dessa besteira toda de política).

O que importa é que o brasileiro não quer saber de nada, só de ter seus benefícios pagos pelo governo e de andar de ônibus (porque "pobre anda de ônibus e não de avião", como dizem os lulistas), mesmo que as estradas estejam um caos e coloquem em risco a vida de famílias inteiras!

Pobre quer ter escola de graça (mesmo que as condições de ensino não sejam lá essas coisas - faltam carteiras, merenda, professores ETC, porque o dinheiro é desviado desde o Ministério da Educação até às prefeituras). Mas não importa, a escola é de graça... graças ao Lula! E viva o Lula, viva a cegueira do povo brasileiro!

O Jornal Nacional desta terça-feira preocupou-se em justificar o aumento da popularidade do populista. Segundo a reportagem, a diferença social caiu 4,6%. Mas é óbvio que caiu! O pobre hoje tem mais dinheiro no bolso (ou vales gás, refeição, ETC). Entre os mais ricos (entende-se banqueiros) a renda caiu apenas 1,2% enquanto a renda dos pobres aumentou em 36% (entre 2001 e 2005).

Se você, leitor, também sentiu falta da classe média nesta conta, tem uma explicação. Ela não existe mais. O governo conseguiu fazer com que grande parte da classe média fosse achatada e outra pequena parte (com sorte e influência) subisse para a classe mais alta. Em resumo - e falando em culinária - o recheio do bolo sumiu mas.... não importa. O que vale é que tenha bolo para a festa, regada à muito funk, pagode e linguiça no forno pra assar. Sem falar na cachaça, é claro.

PS: o que poucos se lembram é que a renda de muitos pobres e da "classe média" está vinculada aos milhões de empréstimos bancários. "Nunca antes na história desse país" o povo brasileiro teve tantos empréstimos, nunca antes teve tantas facilidades de pagamento... nunca antes o povo esteve tão endividado... enquanto os bancos, nunca antes tão ricos. Uma hora esta receita vai desandar!

PS2: antes que digam que estou "ferida" com o desaparecimento da classe média, não custa falar o que pode não ter sido entendido. Eu só não entendo como este povo, que merece tanto, se dê por satisfeito com as esmolas que recebe, ao invés de reivindicar o certo: emprego, oportunidade, saúde, estradas, escola (com equipamentos, professores, uniformes e merenda escolar), segurança (informatizada, equipada, limpa), ETC.

sábado, abril 07, 2007

Chance perdida

Era 30 de março, véspera das comemorações da revolução de 64. Os controladores de vôo fizeram um motim e calaram o céu por algumas horas. Com o presidente da república fora do país (viajando, como sempre) eu pensei: é agora... ou nunca!

Quarenta e nove aeroportos e millhares de passageiros ficaram à mercê das negociações entre controladores de vôo e o governo. Enquanto os passageiros esperneavam (com razão), fotos tiradas de dentro da sala de controle mostravam os militares de braços literalmente cruzados enquanto poucos controladores civis faziam o monitoramento apenas dos aviões que estavam no céu.

Neste momento, o Brasil parou junto com os controladores. Passageiros exigiam a presença das autoridades, culpavam o governo pela falta de investimentos. Rasgavam títulos de eleitores. Xingavam o presidente e apoiavam o motim. Funcionários e donos das empresas aéreas juntavam-se aos passageiros e exigiam providências do governo, cuja omissão já lhes causava milhões em prejuízo, em mais um apagão aéreo.

Assistindo à esta movimentação, policiais militares somaram à revolta. Espalharam panfletos denunciando privilégios aos bandidos e a humilhação a que são submetidos por falta de investimento e segurança pública. Oficiais do exército cercaram o Congresso Nacional exigindo votação imediata das leis que garantem às famílias dos oficiais mortos por comunistas, indenização igual aos que recebem as famílias dos “revolucionários”.

Assim que chegou a Camp David (EUA), Lula soube da confusão que se instalara no país e não demorou muito para saber que era o fim. Fim das atrocidades que vinha cometendo contra o país. Fim da cegueira e dormência a que pareciam estar submetidos os brasileiros. Exilado nos EUA, Lula enviou um comunicado oficial renunciando ao cargo.

Claro que quase tudo é uma grande ficção. Um sonho em que estou mergulhada há alguns anos. Infelizmente, só o motim dos controladores de vôo e o caos instalado nos aeroportos é verdade. Uma semana depois, tenho muito mais certeza de que, entre o “agora ou nunca”, o NUNCA venceu.

A verdade é que Lula, voando tranquilamente entre o Brasil e os Estados Unidos, anistiou os amotinados, ordenou que fosse amenizada a crise com um acordo que, dias depois, seria praticamente jogado no lixo. Para o lixo foi, também, a ousadia dos controladores militares que, dias depois do motim, pediram "desculpas" à população pelos transtornos causados pelo último apagão.

Dinheiro para atender às necessidades dos controladores de vôo e da segurança pública em geral, não falta. Temos dinheiro até para mandar pra fora! Os R$ 20 milhões destinados à reforma agráraria NA VENEZUELA só não saíram do papel, ainda, porque o Senado ainda não aprovou a Medida Provisória assinada pelo governo, mas já passou ilesa pela Câmara.

Se tem dinheiro pra os Venezuelanos, para os funcionários da Presidência da República, também. Sobra tanto que financiamos viagens, hospedagens e locação de veículos muito acima do normal, pagos com cartões de crédito corporativos do governo e apontados pelo Tribunal de Contas da União como suspeitos. Em apenas 3 anos (de 2002 a 2005) o TCU encontrou indícios de irregularidades em 35% das notas fiscais apresentadas pela Presidência. Estamos falando em R$ 482,5 milhões! Muitas delas possuem endereços falsos e alteração de valor pelas empresas prestadores de serviço.

Cartões de Crétido à parte e voltando aos caos aéreo, o major-brigadeiro Renato Cláudio Costa Pereira, ex-diretor da Organização de Aviação Civil Internacional – órgão que regulamenta o transporte aéreo no mundo – pede à população que faça a pergunta certa: "...para onde foi o dinheiro arrecadado com as taxas do tráfego aéreo, e porque não foram direcionadas para o Departamento de Controle, que carecia tanto de equipamentos e investimentos”. Em entrevista ao jornalista Sidney Rezende, ele vai além. Diz ainda que uma auditoria internacional deveria ser instalada para averiguar o destino de milhões de reais não empregados no controle aéreo.

Em 2003, o Conselho de Aviação Civil (Conac) alertou sobre um possível apagão aéreo em pouco tempo, graças à falta de investimento no setor. Mesmo assim, 3 anos depois deste alerta, o governo teimava em aplicar apenas 53,6% da verba que seria destinada ao programa “Proteção ao Vôo e Segurança do Tráfego Aéreo”. Do final de 2006 pra cá, os cofres foram abertos e, mesmo assim, a burocracia fez com que apenas 17,2% do orçamento anual fosse efetivamente pagos até o início de abril.

Em 1964 as forças armadas demonstraram para que serve um exército afinal. Contiveram a tentativa de entrada do comunismo em nosso país (que já durava mais de 30 anos e contava, naquele momento, com a conivência do presidente João Goulart).

Não cabe, agora, discutir os fatos seguintes, pois os abusos de ambos os lados vitimaram cerca de 500 civis e outros 500 militares. Mas, fica uma única pergunta: 43 anos depois da revolução de 64, como estão os países comunistas hoje?

Ai, que saudades do Exército!

quarta-feira, março 21, 2007

Depois de descobrir o "Brasil", Cabral vai à Colômbia

Sérgio Cabral, eleito governador do Rio de Janeiro, encontrou na capital do Estado uma cidade sitiada. Refém da corrupção, do tráfico de drogas, da violência que desceu o morro e fez dos cariocas – um povo bonito, alegre e confiante – o retrato do medo urbano. Parecia ter descoberto algo novo. Um Brasil ainda desconhecido... apenas por ele, não por nós. Muito menos por aqueles que lá vivem.

Quinhentos anos atrás, ou pouco mais do que isso, um outro Cabral pretendia ir à Índia. Encontrou outras terras, terras "novas" como seriam chamadas. De "novo", nada havia. Aliás, nem teria sido ele o primeiro a desembarcar por nossas terras. Mas ficou a ele o título de descobridor do Brasil.

Hoje(22.03), o nosso Cabral desembarcará num país conhecido por ser o maior fornecedor de cocaína no mundo. Encontrará na Colômbia muito mais do que isso. Terá a "surpresa" de ver que a criminalidade tem cura. Nada de novo, de novo. Qualquer sociólogo de plantão terá todas as fórmulas para devolver ao Rio o título de "cidade maravilhosa". Cabral irá à Colômbia para descobrir o óbvio: empenho, seriedade, punição, investimento social, etc.

Álvaro Uribe pode ter todos os defeitos do mundo, como qualquer governante os tem. E nós, com o governante que temos, não podemos abrir nossa boca miúda para fazer qualquer crítica que seja. Vale lembrar os últimos escândalos envolvendo os governos colombiano e brasileiro.

Aliados de Uribe foram acusados de envolvimento com o narcotráfico. Sendo a Colômbia o segundo país a receber os maiores recursos do governo Bush no combate ao tráfico de drogas, as pressões internacionais foram grandes o suficiente para que providências fossem tomadas e talvez tenha sido este o diferencial dos rumos tomados entre os escândalos daqui e os de lá. Na Colômbia, pelo menos oito congressistas foram presos e dezenas ainda estão sendo investigados. Aqui... sem comentários. Uma semelhança, porém, há de ser citada. Tal qual o nosso governante, Uribe disse que não sabia de nada. Defendia seus aliados até o último minuto.

Comentários políticos à parte, vamos ao que interessa: a questão da diminuição da criminalidade, tema central da visita de Sérgio Cabral e Aécio Neves (o que ele vai fazer lá?) à Colômbia.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Uribe foi objetivo: combater o narcotráfico requer muitas ações, entre elas uma ação militar efetiva. Além de oferecer aos agricultores alguma recompensa por trocar o cultivo da coca por outras culturas. O medo de uma punição mais severa pode fazer com que os colaboradores dos traficantes troquem mesmo de patrão. Eles certamente não terão o mesmo lucro, mas terão garantias como segurança, ajuda do governo e incentivo fiscal. Poucos sabem, mas a Colômbia, hoje, é o segundo maior exportador de biocombustível da América Latina produzindo etanol com palma africana, mandioca e cana-de-açúcar, mas também está estudando a utilização do milho.

Tomando como exemplo, seria mais ou menos oferecer segurança, educação e emprego aos jovens que, diariamente, se submetem aos traficantes dos morros cariocas.
Ah! Na Colômbia houve também uma "limpeza" na polícia local, além de um empenho substancial das prefeituras, como declara Uribe, em trecho da entrevista: "... confiscamos bens adquiridos ilegalmente dos narcotraficantes. Na cidade de Medellín havia uma série de favelas dominadas pela guerrilha e pelos paramilitares. Ambos grupos financiados pela coca. Colocamos o Exército e a polícia nas favelas com toda a determinação. E prendemos quem estava nesses grupos. Fizemos uma campanha para quem quisesse se desmobilizar. Mais de 40 mil pessoas entregaram as armas."

Que bons ventos tragam a caravela, ops, a comitiva de Cabral de volta à terrinha e que ele mostre coragem, determinação e seriedade para reduzir os mesmos 79% na taxa de homicídio (como em Bogotá) ou, quem sabe, chegar aos 90% como ocorrido em Medellín.
Cabral tem a chance de marcar seu governo no Rio de Janeiro pela redução da criminalidade, como o presidente Uribe ou o prefeito de Nova York, Rudy Giuliani. Basta seguir a rota certa, ao contrário do outro Cabral, e não cair em Cuba, por exemplo...

terça-feira, março 13, 2007

Onde estava Deus naquela hora?

A polícia de Joinville prendeu, na manhã de segunda-feira (12.03), o assassino da menina Gabrielle Cristina, de apenas um ano e sete meses. Ela foi estuprada, estrangulada e deixada à beira da morte dentro da pia batismal de uma Igreja Adventista durante um culto, naquela cidade, na manhã de sábado (03.03) .

Começo este texto com cara de reportagem de jornal mas em meu rosto correm lágrimas de uma mãe, cuja filha, da mesma idade, pode ser a próxima vítima. Talvez não de um crime tão cruel (e qual crime não o é?), mas de uma bala perdida, de um maníaco qualquer, de um atropelamento e de todos os riscos que correm qualquer cidadão comum. E, por isso, eu não consiga seguir as regras do “jornalismo e da ética”. Ao invés disso, despejo sobre estas linhas uma revolta que me persegue há tempos, resumida no título deste artigo.

Neste caso específico, assim como todos os casos que envolvem crianças, a dor que sinto é mísera perto da que os pais desta e de todas as outras vítimas devem sentir.

Uma amiga, que perdeu o filho aos 20 anos baleado em uma lanchonete, disse “todas as mães podem dizer que imaginam o que eu devo estar passando. Mas não imaginam não. É muito pior do que isso”. Por isso, não ouso dizer que “imagino” a dor da mãe de Gabrielle, de João Hélio, de Alana (vítima de bala perdida no RJ), de Priscila (cuja bala perdida a sentenciou a uma cadeira de rodas), de Luciana Novaes (com o mesmo futuro de Alana), de Liana Friedenbach, de Felipe Café, de Gabriela Prado, de Rodrigo Damus, de Georgio Renan, de Hermes Thadeu, e de milhares de vítimas que surgem a cada minuto neste país e no mundo.

Não. Eu não imagino esta dor. Mas choro diante de tudo isso simplesmente em pensar em como seria se tivesse acontecido com um de meus filhos. Se esta dor que sinto neste momento já me arrasta para um choro compulsivo de medo e angustia, o que dizer a estes pais? O que dizer a estes monstros que puxam um gatilho, torturam, estupram e matam pessoas inocentes?

O acusado da morte da pequena Gabrielle chegou na delegacia sob um forte esquema de segurança. Ele teve seus direitos protegidos pela polícia. Direitos que Gabrielle não teve e nenhuma das outras vítimas também não. O direito à vida, à segurança, ao ir e vir.

Quero crer que a polícia, naquele momento, tinha a mesma vontade que nós. De soltá-lo à multidão para que ela acabasse com ele, ali mesmo. Quero crer que depois de preso, este monstro tenha anos de sofrimento que o faça lembrar o horror vivido por aquela pequena garotinha inocente que brincava em uma igreja. Uma criança cuja maior maldade que poderia lhe passar pela cabeça (em seus poucos meses de vida) no máximo seria uma birrinha, de vez em quando.

Gabrielle passou da inocência para a crueldade humana em segundos. Viveu um terror que nenhum de nós pode imaginar.

Se existe mesmo um Deus (que não olhou por ela naquele momento), que este ser a recompense de alguma maneira pela tortura sofrida. Embora, infelizmente, acredito que não haja remédio algum para este sofrimento.

E, se existe um Deus, que permitiu que o “livre-arbítrio” levasse um monstro a fazer o que fez, que este ser faça justiça sobre a mente e o corpo desta abominável criatura que disse “não se lembrar de nada porque estava bêbado”.

Sei que desabafos como este remetem a questões religiosas de cada um e não pretendo debatê-los. Quem quiser, que o faça em seus comentários.

Neste momento posso ouvir uma outra amiga dizendo “Tira esse ódio do coração...”. Ela diz isso com um sorriso nos lábios, é uma brincadeira entre nós, mas não consigo sentir nada além de ódio mesmo diante de situações assim. Que o assassino terá seus momentos críticos na prisão, eu não tenho dúvidas. Mas isso não aliviará a dor dos pais de Gabrielle e nunca responderá a pergunta: onde estava Deus naquela hora?

Talvez exista um Deus que tenha colocado a polícia na pista certa para prender aquele monstro, na pista certa para pegar os assassinos de João Hélio. Um Deus um tanto atrasado, na minha opinião.

Sei que o debate vai além da religião e sim na falta de segurança pública e privada, no caso de Gabrielle, que estava dentro de uma igreja, cuja segurança cabia à instituição. Mas, não me surpreenderá nem um pouco se, ao longo das notícias, soubermos que o pedreiro que a matou já tinha um histórico de pedofilia, havia sido solto ou coisa parecida.

Neste momento, só consigo pensar no tão poderoso Deus que algumas religiões pregam ser onipresente e que tem como missão cuidar de seus filhos, tementes a Ele.

Aliás, não era este o caso de Gabrielle que, estava em uma igreja, ou melhor, na casa d’Ele mesmo?

sexta-feira, março 09, 2007

Que povo é esse?

Protestos contra a vinda do “satã” George Bush mobilizaram as principais capitais do país. Milhares de manifestantes foram às ruas gritando e exibindo faixas e cartazes com os dizeres “FORA BUSH”, sem falar na nudez oportunista que aprimorou o discurso com “OUT” Bush de uma mulher que, com sua loirice extravagente, mais parecia americana do que tipicamente brasileira.

Em São Paulo o protesto gerou confronto entre a polícia e os manifestantes. Sabe-se lá de onde começou a pancadaria, mas o fato é que o espetáculo brasileiro reforçou a imagem de um povo medíocre política, cultural e economicamente.
Onde estavam estes manifestantes quando os Parlamentares tentaram aumentar em 91% seus já reforçados salários? Por onde andavam estes corajosos militantes durante os dois últimos anos de denúncias de corrupção, mensalões, manobras jurídicas e políticas?

Revivemos um momento político mal explicado para a grande parte da sociedade que foi a mobilização popular pré-regime militar. Jovens manipulados por um pré-conceito implantado por movimentos políticos cujos interesses nada mais são (e eram) do que seus próprios holofotes. Antes, era a implantação do comunismo disfarçado de "liberdade de expressão". Hoje, na simples exposição da mídia.
São contra um acordo comercial entre o Brasil e os Estados Unidos na troca de tecnologia da produção do Etanol, a mais nova estrela da nossa economia. Se Bush quer redução do preço do Etanol fornecido aos Estados Unidos e- de quebra – livrar-se da pseudo-dependência do Petróleo Venezuelano, faz parte das negociações. Nada vejo de excepcional nisso. Bush não é o responsável por décadas de submissão brasileira diante das exigências comerciais norte-americanas.

Protestar contra a guerra no Iraque é ainda mais hilário e nem perderei meu tempo – nem o seu – comentando este despertar atrasado do nosso povo que nunca está no lugar certo na hora certa.

Por mim, faria um manifesto “Fora, povo brasileiro!”

Quanto ao Etanol, a ganância de Lula em tornar-se o presidente que fará do Brasil o principal fornecedor do combustível alternativo, no mundo, terá um preço muito mais alto do que a pechincha de Bush.
O Ministério da Agricultura prevê um aumento de 10% na produção de etanol, na safra de 2006/2007 e dobrar a produção até 2012, para garantir o abastecimento dos mercados da Europa e dos Estados Unidos. Ótimo para a economia do país! Péssimo para os cortadores de cana, considerados escravos por todas as instituições ligadas ao setor. Denúncia antiga (e nunca levada em conta) que já chegou ao conhecimento do exterior. Hoje, o jornal britânico The Guardian publicou o seguinte artigo, cujo título resume-se a: 'Escravos' sustentam 'boom' do etanol no Brasil (Brazil's ethanol slaves: 200,000 migrant sugar cutters who prop up renewable energy boom)

E não é exagero. Apenas no ano passado, o trabalho pesado matou (por exaustão) 17 cortadores de cana, segundo a Pastoral do Migrante ligada à igreja católica. As condições de trabalho destes “escravos” estão mais detalhadas no site: http://www.pastoraldomigrante.org.br/artigo01.html. Mas, em resumo, atualmente um único cortador realiza as seguintes atividades todos os dias (sem feriado ou fim de semana livres):

· Caminha 8.800 metros;
· Despende 366.300 golpes de podão;
· Carrega 12 toneladas de cana em montes de 15 kg. em média cada um, portanto, ele faz 800 trajetos levando 15Kg. nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros;
· Faz aproximadamente 36.630 flexões de perna para golpear a cana;
· Perde, em média 8 litros de água por dia, por realizar toda esta atividade sob sol forte do interior de São Paulo, sob os efeitos da poeira, da fuligem expelida pela cana queimada, trajando uma indumentária que o protege, da cana, mas aumenta a temperatura corporal.

Com o Brasil prestes a se tornar o rei do Etanol, será que esta triste realidade de trabalho canavial mudará? Será que os milhões de reais vindos do fornecimento do Etanol chegará, de alguma maneira, às mãos destes trabalhadores que, hoje, recebem o farto salário de R$ 413,00 por mês?

Bom, para quem acredita que o PT nunca perdeu o foco de tornar o Brasil no socialismo disfarçado, vale a pena lembrar que a China anunciou a criação de um campo socialista de trabalho para incrementar o PIB daquele país. Entenda, trabalho escravo em nome da economia.

É... ainda bem que os mais de 10 mil processos por improbidade administrativa não estão à beira do arquivamento, nem o salário dos juízes estaduais bateu o teto dos R$ 24,5 mil, nem o violência matou mais de 55 mil brasileiros no ano passado no Brasil e, muito menos, que o país investiu mais no transporte de prisioneiros do que na segurança pública, entre outras tantas notícias que não cabem ao nosso país.
Realmente, nunca tivemos motivo para protestar, exceto pela vinda de George Bush ao Brasil.
(interessante o comentário de "Ruy" a quem redigi uma resposta também dentro dos comentários)

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Do chôro à atitude

A morte de João Hélio, o menino de seis anos que foi arrastado por quilômetros pendurado do lado de fora do carro pelo cinto de segurança, abalou o país.

Choramos todos, menos os bárbaros que torturaram este menino.

Não quero, aqui, comentar nada além do que todos já falaram. Não tenho palavras suficientes para isso. Apenas recomendo duas leituras:

A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA E O BRASIL EM GUERRA CIVIL
(de Júnia Turra)

e POR QUEM OS SINOS DOBRAM
(de Paulo Coelho)

Injustiça aos porcos

A revista semanal britânica "The Economist" publicou um artigo, esta semana, entitulado "'Parliament or pigsty?" (Parlamento ou chiqueiro?). Coitados dos porcos serem comparados aos nossos legítimos representantes do legislativo... é certo que algumas semelhanças eles têm. Vamos à elas: são bebês fofinhos e quando crescem - além de viverem na lama - podem ser nocivos à saúde.


Mas dá para evitar uma teníase (ou solitária), basta evitar a carne de porco mal cozida. Agora, como evitar os males causados pelo "trabalho" dos nossos excelentíssimos deputados? O papo "acompanhe o que o seu deputado está fazendo e cobre dele a seriedade prometida" não serve mais. Além de nunca ser colocado em prática, não leva a nada. Eles sempre estarão lá e farão a mesma coisa...


A solução seria, talvez, assá-los, bem temperadinhos? Assim como não sou adepta ao leitão à pururuca (embora aprecie um lombinho assado), também não tenho tendência alguma ao canibalismo. Acho que nem mesmo Hannibal Lecter toparia jantar o cérebro de qualquer um dos nossos nobres parlamentares. É muita sujeira num prato só.


Voltando ao "The Economist", a matéria fala sobre a eleição de Chinaglia ao cargo de presidente da Câmara. Perspicaz, a revista "sugere" troca de favores na vitória à presidência da casa, no comentário "Parochial back-scratching trumped ethics". Algo como "O toma-lá-dá-cá paroquiano venceu a ética".


Assim como no meu texto anterior "The truth is out there", eles conhecem muito bem a nossa realidade.


Mesmo assim, insisto... brasileiros e brasileiras. Ainda há esperança. Clodovil está lá! Pelo menos, na lama certamente ele não vive... não faz o "estilo" dele. Resumindo seu discurso, que foi da ingenuidade à ironia, o deputado-estilista-comunicador-apresentador prometeu colocar a faxina em dia.

Haja água para tanta lama!

sexta-feira, janeiro 12, 2007

As mãos sujas do brasileiro

O brasileiro tem mãos sujas. Sujas da propina, da corrupção, do sangue da violência (vítima ou causador dela), da lama que invade as cidades nesta época de chuvas e, se não bastasse, de Staphilococus. Explico:
Uma pesquisa recente mostrou que 100% das notas de euros que circulam em Dublin, na Irlanda, estão contaminadas com cocaína. Teoricamente, são notas usadas como “canudinhos” para aspirar a droga ou manuseadas por traficantes e usuários da mesma. Outro estudo recente mostrou que, em Madri, na Espanha, 94% das notas também apresentaram vestígios da droga e, nos Estados Unidos, a contaminação por cocaína se deu em 65% das notas de dólares.

Esta pesquisa me fez procurar os resíduos no nosso dinheiro. Pra que!
Aqui, no Brasil, análises feitas nas notas de real mostram uma realidade de outro submundo, que não é do tráfico de drogas (pelo menos não encontrei estudos sobre resíduso de cocaína em notas de real). A sujeira, aqui, é outra.
Todas as notas analisadas – de 1, 2, 5, 10 e 50 reais - apresentaram contaminação de diversos microrganismos, principalmente a bactéria Staphilococus, presente nos alimentos. Numa pessoa saudável, ela é inofensiva, mas em uma pessoa doente, ela pode ser fatal em até 24 horas, já que a staphilococus aureus (encontrada em cerca de 25% das notas de papel e em 40% nas de plástico) é resistente a todos os antibióticos produzidos até hoje. Através de um simples corte na pele, por exemplo, ela pode causar infecções gravíssimas na pele, no pulmão e no sangue.

No mês passado um funcionário de um hospital na Inglaterra morreu depois de ser infectado por uma variante desta bactéria. Outro paciente já havia morrido infectado da mesma maneira, durante o ano.

Enquanto nos países europeus a sujeira presente nas cédulas se dá por uma livre escolha (o uso da droga) aqui, o nosso dinheiro nos contamina pela pura ausência de higiene durante uma ação essencial do ser humano: o alimentar-se!

A conotação de “dinheiro sujo” ganha mais uma mão. Além do tráfico, de Brasília e de seus caixas 2, as mãos dos caixas das peixarias, dos açougues, das feiras-livres, do povo em geral também são imundas. Da falta de higiene, educação, sanidade básica de saúde! Falta de água e sabão.

São mais duas, portanto, as outras tristes realidades no nosso país. Nosso povo não tem dinheiro e nem comida, e, quando consegue uma coisa ou outra, ainda corre o risco de morrer por isso.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

2007

O que eu amo na vida é saber que tudo é um ciclo.
Se algo termina, algo começa.
Se alguém se vai, outro chega... e assim por diante.

Por isso, não faço retrospectiva. Faço, sim, planos!
Olho pra frente, penso adiante, penso pra cima!Bom, pelo menos, tento. Tento isso todos os dias. Confesso que algumas madrugadas nem sempre é possível. Mal consigo assimilar que um novo dia está começando. Afinal, meu dia começa quando ainda é noite, e meus colegas de trabalho sabem muito bem do que estou falando...

Enfim, retomando a idéia original, 2006 já era, se foi, xô!

Entrando já nos primeiros dias do ano, quase caí na tentação de fazer promessas: "Vou parar de fumar, entrar numa academia, fazer regime, parar de brigar por coisas pequenas, curtir mais a vida, ler mais livros, ir mais ao cabeleireiro, comprar mais roupas, controlar melhor minhas finanças, bla bla bla"

Quase caí.... quer dizer, caí um pouquinho só, mas logo me recuperei. Sei que vou continuar me chocando com a política, com a injustiça e a crueldade humana (como se fosse possível evitar) mas talvez este ano seja diferente. Seja um ano em que as pessoas se importem mais umas com as outras, que sejam mais felizes e façam os outros mais felizes tb.

Este ano, quero apenas isso: A minha felicidade....e a sua também!

terça-feira, dezembro 19, 2006

Sinceramente...

Não sou católica. Quem me conhece sabe quem estou bem longe disso.
Também não sou evangélica, espírita ou muçulmana. Não visto qualquer embalagem religiosa. Mas tenho cá minhas crenças que não vêm ao caso.
Por que esta explicação da minha total ausência religiosa? Bom, é tempo de Natal, certo? Pelo menos ninguém nos deixa esquecer disso. É amigo secreto no trabalho, na escola, no bairro, na família, na roda do parquinho (para quem é mãe/pai), na padaria da esquina..... são tantos que, no final, gasta-se tudo o que se pretendia economizar. Mas, não reclamo disso. Entrei em poucos, mas são pessoas que eu realmente quero bem, que fazem diferença na minha vida e, por isso, vale a pena pagar aquele mico e dizer.. "o meu amigo secreto é..." e soltar aquelas gracinhas que todo mundo ri pra não te deixar sem graça.
Amigo secreto à parte, Natal é sinônimo também de.... sentimentalismo. Passo as semanas finais do ano pensando nas crianças e famílias que não trocam presentes em amigos secretos e, muito menos, entre si. Não têm mais esperanças de que o bom velhinho lhes faça uma visita, mesmo que o presente desejado seja um prato de comida, um emprego para o pai ou uma vaga na escola pública.
É, meus caros. Em tempo de Natal, sinto uma angustia tão grande que proponho abolir o Natal.
O que importa ter sido o dia em que o tal Jesus nasceu, se isso não impede que nós, pobres mortais, sejamos vítimas da fome, da dor, da perda, da injustiça, do abandono, do frio e do medo.
De que vale sermos tão sensíveis nesta época do ano sendo que, a maioria de nós, nada faz pelos outros no restante do ano?
De que vale reunirmos a família para uma bonita ceia, sendo que, aos domingos (ou de vez em quando) fazemos a mesma coisa simplesmente pelo fato de sentirmos saudades uns dos outros?

Este aperto no coração que me atinge nesta época do ano se chama culpa. Por viver na corrida contra o vermelho da conta bancária, no desejo incessante de proporcionar tudo aos meus filhos, por trabalhar tanto, por nunca ter tempo para nada, nem para olhar do lado e, quando olho, algumas vezes fecho o vidro (mesmo que isso - mais uma vez - meu dê aperto no peito).
No apagar das luzes, corro contra o tempo e procuro dividir um pouco do que eu tenho, aqui e ali.

Mas, sinceramente...se é para sentir culpa e gastar tudo em amigo secreto, prefiro abolir o Natal e desejar a todos, que a solidariedade que invade o seu coração durante uma semana, dê frutos durante toda a sua vida.
Feliz Solidariedade!

sexta-feira, dezembro 08, 2006

quarta-feira, dezembro 06, 2006

The truth is out there

A expressão "a verdade está lá fora", do seriado norte-americano Arquivo X, nunca caiu tão bem ao Brasil quanto agora. Os Estados Unidos sabem mais das verdades do Brasil do que nós mesmos. Ou - o que é mais certo - falam aquilo que nós tentamos esconder.

E, para começar, vamos olhar para o céu. Não tão longe quanto os agentes Mulder e Scully fariam. O céu sobre a Amazônia já está de bom tamanho.

Não acreditávamos, mas o buraco negro é ali. E quem o denunciou foi um americano. Num primeiro momento, o jornalista Joe Shakey foi excomungado pelos brazucas. A bordo do jatinho Legacy, Sharkey (mesmo que tenha sentido apenas um pequeno abalo) foi testemunha do maior acidente aéreo do país. Culpou o sucateamento do tráfego aéreo brasileiro pela falha na comunicação. Certamente não foi a única causa do acidente, mas foi um de uma série de erros que causou a morte de 154 pessoas. Para quem acompanha a cruzada de Sharkey, em seu blog, o jornalista nos despe de nossa cegueira ignorante e submissa. Somos obrigados a engolir a seco trechos assim: "that Brazilian media are very easily manipuilated.", "Surely you don't expect the harrumphing third-world martinets marching around in Brazil to actually FIX their broken air-traffic control system! Don't be silly!"

Muitos de nós ainda prefere refutar...

Agora, o cinema americano exibe "Turistas". Outra batata quente que a maioria de nós prefere jogar para o caldeirão da ficção, ao assumir a verdade. No filme, um grupo de jovens americanos vem passar férias no Brasil. Depois de sofrerem um acidente de ônibus, eles caem numa praia paradisíaca e são vítimas de traficantes de órgãos. São torturados, alguns mortos e descobrem uma rede de tráfico liderada por um médico.

Bom... dá pra imaginar a reação aqui no Brasil. Excomungaram (de novo) os sensacionalistas hollywoodianos que só querem (de novo) denegrir a nossa imagem, que tudo não passa de ficção absurda.

Ficção? Onde!? Talvez seja realmente mentira que turistas sejam assaltados e assassinados no Brasil. Foi pura ficção a atrocidade contra os seis portugueses, em 2001, em Fortaleza. Talvez tenha sido apenas um pesadelo a morte do turista (também português) assassinado na praia de Copacabana, em agosto deste ano. Ou as dezenas de assaltos contra suíços, ingleses, chineses, franceses, no Rio de Janeiro (só este ano!). O estupro de uma turista na praia paulista... é, talvez seja também mera ficção a retirada de órgãos clandestina, em Recife. O assassinato de doadores em Taubaté, Poços de Caldas e várias outras cidades investigadas na CPI do Tráfico de Órgãos, em 2004.

Enquanto nada disso acontece, o brasileiro rejeita o filme, rejeita os fatos, prefere viver uma Matrix tupiniquim (sem o Keanu Reeves, é claro!) e tem a coragem de ainda defender o país! Sequer pensou que o filme poderia ser (assim como as palavras de Sharkey) uma boa oportunidade de escancararmos para o mundo todo a repressão em que vivemos, o massacre moral, a falta de dignidade, de perspectiva, de seriedade! Não. Vamos recuar duzentos passos ao invés de darmos um adiante. Não. Vamos enfiar a cara no buraco e deixar o traseiro à mostra.

Quer saber? Somos um povo ainda mais doente do que eu poderia imaginar. Somos a raiz da síndrome de Estocolmo! Merecemos, não acha?

Ainda há esperança, porém. Enquanto não tivermos coragem de enfrentar, sempre haverá alguém (lá fora) que o faça.