segunda-feira, junho 04, 2007
O peso das palavras
Há tempos venho percebendo que o blog de um conhecido meu não estava sendo atualizado como antes. A agilidade e a inteligência com que ele comentava os fatos mais relevantes do nosso país já não eram mais os mesmos. Os textos começaram a minguar, embora continuassem com a mesma fúria ácida que sempre admirei. Aos poucos, nem minguavam mais. Acabou. A fonte de inspiração secou. Não a dele, mas a de muitas pessoas que - assim como eu - se deleitavam com suas palavras certeiras.
Hoje, ele me explicou. "Parei de escrever porque simplesmente não adianta." E ele, mais uma vez, tem razão. Nada adianta neste país.
A imprensa fala, a Polícia Federal fala, o Ministério Público fala e o que acontece? Muito barulho e nada mais. Até os políticos falam! Maluf disse que há um esquema de compra do resultado eleitoral (mesmo com voto eletrônico). Falou que foi procurado pelos "vendedores" que teriam como fraudar o resultado das eleições. Ele garante que não comprou!
Por outro lado, há aqueles que falam e tudo se resolve. Mesmo quando falam para negar tudo. Lula nega saber das falcatruas de sua filha Lurian (ex-Ong Rede 13) e do filho Lulinha (Gamecorp). Nega ter participação no caixa 2 do PT, no dinheiro do exterior, no assassinato político de Celso Daniel, na quadrilha do mensalão, etc. Foi reeleito.
Renan Calheiros negou troca-troca com a Mendes Júnior e isso bastou. Aliás, "negar" é o verbo dos novos tempos. Todo mundo nega até que se prove o contrário e, mesmo assim, provas hoje em dia não dizem nada. Zuleido Veras, como eu já havia dito - e era de se esperar - é o atual renegado. Os políticos negam tudo em relação a ele. "Zuleido quem?" "Falei com ele uma ou duas vezes" "Aquele de bigode, dono da Gautama? Não conheço".
Existem ainda aqueles que falam e se dão mal. Um certo caseiro falou muito sobre Palocci em uma mansão. Ficou desempregado e desacreditado. Palocci, virou deputado federal. Veremos qual será o futuro do ex-assessor de Rondeau depois de ele dizer que o ex-patrão teve um encontro com Zuleido "Charles Bronson" Veras.
Entre tantos disse-me-disse, nego a explicação do meu amigo e exijo (outra palavra de ordem) a volta de seus textos imediatamente! É preciso falar, falar e falar, cada dia mais! Mesmo que não dê resultado algum, pelo menos é bom irritar os simpatizantes dessa política suja, canalha e desonesta nas quais está mergulhado o poder deste país.
sexta-feira, maio 25, 2007
Made in Brazil
O desespero em deixar o país é tão grande que o brasileiro é capaz de passar por uma verdadeira maratona no preparo dos documentos, sem falar no custo da burocracia. Com a implantação do novo passaporte (aquele azulzinho, com foto digital, chique mesmo!) o custo para quem está nas capitais praticamente dobrou. Passou de R$ 89,71 para R$156,07. Soma-se a isso, a regularização de toda a papelada e as intermináveis filas nos postos da Polícia Federal. Olha, não é fácil... mas vale a pena.
A grande maioria dos brasileiros que optam por deixar o país não volta. Sente falta da família, dos amigos, do calor de seus conterrâneos... e mais nada. Ninguém diz "ah, que saudades do desemprego, da falta de respeito, do governo, dos parlamentares, da corrupção, da violência no trânsito e nas ruas.... saudades da quadrilha do mensalão". Nunca ouvi isso de ninguém!
O país preferido dos brasileiros são os Estados Unidos. Todo mundo critica o capitalismo norte-americano mas é pra lá que a maioria vai quando o cinto aperta por aqui. Já somos uma colônia de 1 milhão de brasileiros na casa de Bush! E o número aumenta, mesmo que isso lhe custe a vida! (uma pessoa morre a cada 18 horas tentando entrar ilegalmente nos EUA).
O segundo destino mais procurado é o Paraguai. (Dá pra entender, sair do Brasil para morar no Paraguai?) Em terceiro lugar, o Japão seguido de Portugal. Londres não é uma das capitais mais procuradas por nós, mesmo assim os números impressionam. Em 10 anos (de 1997 a 2006) os brasileiros em solo londrino passaram de 4 mil para 25 mil (600% a mais)!
O que faz tanta gente arrumar as malas, documentos e dívidas para simplesmente fugir do próprio país? Frustração... (o risco de se furstar no exterior é melhor do que a certeza de se frustar aqui) e decepção. Podemos ser traídos por qualquer pessoa, menos por aqueles que amamos. Esta traição dói, e muito! Sermos tratados como imigrantes, tupiniquins, ignorantes e puxadores de carroça lá fora é mais fácil de aceitar do que levarmos tapa na cara dos nossos pais (ou país).
Com tudo isso, mais do que aço, soja, açúcar, banana, jogador de futebol e até urnas eletrônicas, o Brasil pode comemorar a exportação de estudantes (cerca de 70 mil por ano) e de mão de obra qualificada (140 mil por ano). Ok, estamos semeando também nosso "jeitinho" brasileiro de ser quando, lá fora, resolvem ser o que são aqui: motoristas assasinos, hackers, contrabandistas, exploradores sexuais, pedófilos, médicos/açougueiros, golpistas e tudo mais. A diferença é que lá a justiça funciona!
Bon voyage!
segunda-feira, maio 21, 2007
Por trás da navalha
Ministros Tarso Genro e Dilma Roussef festejaram a operação
(se eles festejaram, aí tem mesmo! Ou vão me convencer de que eles festejaram o fim das propinas?)
As investigações começaram em novembro do ano passado
(demorou muito para um esquema tão manjado)
Os contratos suspeitos somam R$ 100 milhões em apenas um ano
(e o TCU não percebeu isso antes?)
O sócio-diretor da empresa, Zuleido Veras, é amigo (muito amigo) de vários parlamentares
(Os mesmos que, agora, vão dizer que o "conhecem de vista". Querem apostar?)
Acho que alguém neste esquema parou de ganhar a sua propina de cada dia ou alguém está querendo tomar o lugar da Construtora Gautama, de Veras, forte candidato a delação premiada, já que pelo menos 14 funcionários dele estão entre as vítimas da Navalha. Se bem que, assim como todas as outras operações, logo logo se vê uma chuva de habeas corpus, desculpas esfarrapadas e tudo volta como antes.
Por hoje é só, ainda não digeri essa prezepada toda...até a próxima operação, pessoal!
O que não deve demorar muito, já que a Polícia Federal tem se empenhado em mostrar muito serviço ultimamente. Ou melhor, o governo tem usado muito a PF para encher os olhos do povo.
sexta-feira, maio 11, 2007
Eu queria ser o Papa
Como paulistana, não consigo imaginar como seria ter guarda-costas deste calibre. Aliás, muito diferente disso, não vi um segurança sequer, duas semanas atrás, quando eu e outros clientes fomos vítimas de um assalto dentro de uma loja de conveniência. Armado, um motoqueiro entrou na loja e levou de nós o que quis. Eram 9 horas de manhã.
Ironicamente, torci para que nenhum policial chegasse, com medo de um tiroteio. Sorte que duas estudantes (de 17 e 11 anos) não tiveram, em Monte Alto, no interior do Sergipe. Elas foram mortas, dentro de uma farmácia, com tiros na cabeça, por um assaltante que entrou na farmácia para fugir da polícia.
No dia da chegada do Papa, por volta de uma da tarde, eu saía de um restaurante e quatro policiais militares estavam, muito bem armados, revistando alguns motoqueiros. Pouco depois, às 5 da tarde, fui surpreendida no trânsito por um policial da Rota apontando uma arma em minha direção. Eu estava com a minha filha de 1 ano e 9 meses dentro do carro. O policial falava em alto e bom som o tradicional "mãos ao alto" e seguia firmemente com a arma em punho em minha direção. Assustada, pensei que meu carro havia sido confundido com outro. Para minha sorte (de novo) o alvo não era eu e sim um homem na calçada ao lado. Temi, de novo, por um tiroteio. Arranquei com o carro e com as pernas tremendo.
No dia seguinte, às 5 da manhã, seguia para o trabalho quando me deparei com homens do exército - e suas armas - literalmente em cada esquina por onde eu passava (é assustador temer por aqueles que fazem a segurança). Como ainda era noite, fui com a luz interna do carro acesa até chegar ao trabalho para que pudessem me identificar. Afinal, não tenho cara de quem pretende assassinar o Papa!
Na volta do trabalho presenciei um show nos ares. Vários helicópteros pairavam sobre a região central onde o Papa ficou hospedado. Aeronaves militares faziam a segurança do pontífice. Ao todo, 15 helicópteros foram mobilizados para a operação Papa. Os vôos tradicionais das 470 aeronaves que sobrevoam a capital levando executivos de um lado ao outro ficaram restritos. Os prejuízos ainda não foram calculados.
Não sei se vou sentir falta de Bento XVI quando ele se for de São Paulo, ou se vou me sentir aliviada por não me deparar com tantas armas em meu caminho. Se pelo menos toda esta segurança fosse para nós, paulistanos...
Aliás, de onde saíram tantos policiais para esta operação? Ou melhor, quem fez o policiamento e garantiu a "nossa" segurança enquanto os 20 mil policiais serviram de babá do Papa? Estes policiais representam 27% de todo o efetivo do Estado!
Resta saber se a Secretaria de Segurança Pública divulgará os números da violência nas regiões por onde o Papa não passou.
sexta-feira, maio 04, 2007
Com as próprias mãos
Não convencidos da inocência do rapaz, moradores lincharam Daniel, até a morte, com pedaços de pau e canos. Dois dias depois, a polícia comunicou que exames de DNA mostraram que Daniel não era o estuprador. A polícia, agora, busca os linchadores do rapaz.
Deveriam se questionar sobre o que leva o povo a agir com as próprias mãos.
Em uma sociedade onde as instituições são respeitadas não há este sentimento de abandono em que vivemos. Acredita-se na polícia, no governo e na política de segurança pública. Acredita-se que juízes não vendem sentenças; que agentes não facilitam fuga de presos; e que políticos não aceitam propinas para aprovar este ou aquele projeto. Mas isso, em um país sério, desenvolvido, que respeita seu povo e suas vítimas. Não é o caso do Brasil. Acontecimentos desta semana provam isso.
A fuga de "Champinha"
O assassino confesso do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em 2003, usou uma escada "esquecida" por funcionários de uma obra na unidade da Febem (que insistem em chamar de "Fundação Casa", como se o nome fosse mudar a história e os fracassos desta instituição).
Na fuga, Champinha usou metrô e ônibus até a zona leste da capital paulista. Sentou-se ao lado de várias pessoas que sequer sabiam do risco que corriam pois, protegido pelo ECA (Estatudo da Criança e do Adolescente), seu rosto jamais havia sido mostrado.
Durante a fuga, Champinha só não cometeu outros crimes porque não houve tempo suficiente para isso. Onze horas depois de fugir, o cruel assassino do casal Liana e Felipe estava nas mãos da polícia, dedurado pela própria família.
Todos com quem conversei sobre o assunto me disseram a mesma coisa "deveriam ter matado o animal". Não mataram. A polícia fez o politicamente correto: devolveu o criminoso para a justiça. O problema é que, desde o final do ano passado, Champinha já deveria ter sido transferido para um hospital psiquiátrico. Não foi, pela ausência do Estado. Em São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança, não há um local adequado para tratar este psicopata.
Agora, a Vara da Infância e Juventude (sim, ele ainda é tratado como um menor) determinou que ele vá para uma "Unidade Experimental de Saúde" que - embora tenha sido inaugurada há alguns meses - sequer foi colocada em funcionamento. Determinou também que médicos da USP acompanhem a vida do sujeito e enviem relatório a cada 20 dias.
É muita bajulação (e gasto de dinheiro público) por um caso perdido enquanto nós ficamos à deriva neste país onde a violência e o descaso crescem a cada dia.
Anistia Internacional: omissão do Estado dá lugar à criminalidade
No mesmo dia que o país assiste ao empurra-empurra sobre o destino de Champinha, a Anistia Internacional divulgou um relatório sobre a criminalidade no Brasil. Este relatório sai um ano e meio depois do último relatório sobre o mesmo tema. A conclusão é que pouco ou nada foi feito para melhorar a questão da segurança pública no país. "Diante da crescente vulnerabilidade do Estado frente à criminalidade, examinam-se as falhas do sistema de justiça criminal, tais como a corrupção generalizada que permitiu ao crime organizado criar raízes que abalaram profundamente a confiança da sociedade no sistema de justiça e na polícia."
Eles sabem. Nós sabemos. Todo mundo sabe. Mesmo assim, o Estado continua ausente criando uma sociedade desesperada, revoltada e faminta por justiça... nem que seja pelas próprias mãos, na primeira oportunidade que tiver. Mesmo que esta seja contra um "inocente".
Diante de tudo isso, um herói
Dia 2 de julho um lavrador morador de rua receberá do Corpo de Bombeiros, em Brasília, a Medalha de Mérito Dom Pedro II, a mesma recebida pelo ex-presidente FHC, por contribuição com a corporação. A contribuição de José Aparecido, de 23 anos, foi se atirar de uma ponte para salvar uma mulher que havia sofrido um acidente de moto. E ele salvou mesmo. Jeane de Souza Andrade não sabia nadar. E nem poderia. Ela havia deslocado a bacia e fraturado o braço. Jeane disse: "Uma pessoa se jogar de cima de uma ponte para salvar outra, arriscando a própria vida, sem saber se vai conseguir... Pra mim ele é um anjo."
José Aparecido pode ser o anjo de Jeane. Ou pode ter feito o que fez simplesmente por instinto de sobrevivência e defesa ao próximo - muito mais desenvolvido entre os moradores de rua do que os que estão cercados de conforto. E, para lá, parece estarmos caminhando todos. Para uma sociedade onde, se o poder público não faz nada, faremos nós.
segunda-feira, abril 30, 2007
Abril vermelho... de raiva!
O movimento nega que tenha batizado o período de "AbrilVermelho". Para eles, as ações se intensificam neste período "em memória aos 19 trabalhadores rurais mortos em Eldorado dos Carajás, em 1996". A data virou "Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária". Tudo isso pode ser muito bonito, comovente, se não fosse por alguns detalhes que valem a pena serem lembrados sempre!
O MST deixou, há muito tempo, de lutar pela terra (se é que algum dia foi este o verdadeiro objetivo do grupo). O movimento, fundado em 1984, começou na década de 1950 com as Ligas Camponesas, no Recife, e é hoje muito mais uma questão política do que rural. Mesmo que fosse por um objetivo agrário, isso não lhes dá o direito de invadir nada público ou privado. Quem aqui já invadiu uma concessionária para pegar a sua cota de BMW? Ou, o que seria mais interessante ainda, tomar um prédio inteiro de um banco para reivindicar sua parte nas ações?
A maioria das pessoas de bem teve um mês bem diferente. Muitos acordaram ainda de madrugada, pegaram várias conduções até o trabalho, aguentaram o chefe reclamando de tudo e de todos e só saíram do trabalho depois das 6 da noite. No final do mês vão pegar um salário quase 30% menor do que o esperado porque a diferença é descontada em impostos.
Ah, é verdade, eles não são como nós, meros mortais, cujos salários precisam ser esticados mês após mês. Os sem-terra têm um padrinho bilionário que sustenta suas "ideologias sociais". Um padrinho que lhes repassou 39,9 bilhões de reais em quatro anos, valor quatro vezes maior do que o repassado pelo governo FHC. O que me enfurece é que este padrinho, que veste a faixa presidencial, faz farras não com o dinheiro dele e sim com o dinheiro deste mesmo povo que, um dia qualquer, se vê acuado com centenas de famílias com enxadas, pás e foices nas mãos invadindo suas terras.
Semana passada estas famílias invadiram uma fazenda particular em Sorocaba(SP) e pediram proteção da polícia por terem sido ameaçados por uma "milícia armada". A polícia diz que esteve no local, mas para acompanhar um oficial de justiça que foi à fazenda entregar uma decisão judicial para que os sem-terra saíssem da propriedade. Era só o que me faltava. A polícia ser deslocada de seu dever para com o cidadão de bem para proteger bandido. Esta historinha já vemos centenas devezes nas idas e vindas dos presos deste país. Não precisamos, agora, ver que, além de levarem nosso dinheiro para seus assentamentos, ainda estão levando nossa polícia para lhes dar cobertura no crime.
As inversões de valores que estamos vivendo promete um futuro de vários meses vermelhos. E a cor poderá vir não das bandeiras do MST e sim, da reação - já tardia - deste povo que não aguenta mais servir de capacho deste e de outros grupos de terroristas que passaram a ditar as regras neste país.
domingo, abril 15, 2007
Eles querem nossos filhos
Antes de qualquer coisa, peço ao leitor que leia esta seqüência de verbos:
"acordou, barbeou-se... beijou, saiu, entrou... despachou... vendeu, ganhou, lucrou, lesou, explorou, burlou... convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou... despiu-se... deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou... saiu... chegou, beijou, negou, etc, etc".
Enquanto lê, certamente imaginou um personagem para a cena. Agora tente defini-lo. Segundo o livro didático de redação - usado por uma estudante de 14 anos em escola particular - do qual este trecho foi extraído, é a maneira de “como se conjuga um empresário”.
Se você ficou pasmo(a) como eu, então continue a leitura. Caso contrário, melhor mudar de página porque, certamente, não gostará do que vou descrever abaixo.
Crente de que se tratava apenas de um engano, a mãe desta estudante pegou outras apostilas. Infelizmente ela encontrou mais. Na apostila de História, destacam-se os trechos:
"O progresso técnico aplicado à agricultura (...) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher".
".....a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais - daí as classes sociais - e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado".
O conteúdo, não só de mau gosto como também altamente tendencioso, levou a mãe - que também é jornalista - a retirar a filha da escola e denunciar a instituição em um artigo. A briga foi parar na justiça e, até o momento, apenas a mãe teve que cumprir uma ordem judicial: retirar o nome da escola do artigo. A jornalista e dois editores onde o artigo foi publicado respondem processo na justiça.
Esta é a educação que estão oferecendo aos nossos filhos. Muitas escolas (públicas e particulares) estão usando métodos da antiga cartilha comunista de “como recrutar jovens da maneira mais fácil possível”.
Encontrei, na internet, várias denúncias desta prática vindas de pais e até professores. Profissionais que se sentem atropelados pelos canhões silenciosos da doutrinação dentro de sala de aula, como relata este professor de Filosofia:
... “não suporto mais o clima sufocante que o ativismo esquerdista fez pairar sobre nossas instituições de ensino”
... “Espero de coração que muita gente, para o bem de seus filhos e do Brasil, entre nessa cruzada contra a barbárie e em defesa do verdadeiro ensino E acho que a coisa tem de começar já nas escolas primárias e secundárias, onde a atuação dos doutrinadores esmaga e transforma num mingau indigesto o cérebro de nossos jovens, porque nas universidades o "Leviatã" já se apossou de suas almas e afirma, de púlpito, que o inferno é aqui.”
Em outro caso, uma escola em Bagé (RS) – também particular – estaria usando um livro “didático” para a 5ª série (isso mesmo, 5ª série!!!!) de “Geografia”, em que os alunos são bombardeados com ensinamentos do tipo:
... “propriedades grandes são de ‘alguns’ e que assentamentos e pequenas propriedades familiares ‘são de todos’. Aprendem que ‘trabalhar livre, sem patrão’ é ‘benefício de toda a comunidade’. Aprendem que assentamentos são ‘uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais’”
Para completar, diz o artigo “A Revolução Silenciosa”, os jovens são obrigados a ler um texto do líder do MST, João Stédile!!!!!
É cruel demais ver nossos jovens, que já passam por tantas provações que a fase lhes incide, serem doutrinados desta maneira, à luz do dia, silenciosamente e debaixo dos nossos olhos! Façamos as contas. Lula está no governo há 5 anos. Quando ele entrou, uma criança de 11 anos, sendo “educada” desta maneira, hoje, aos 16, estaria apta a votar. Preciso falar mais alguma coisa?
Todos sabem que as escolas sempre serviram de palanque. A diferença, hoje, somos nós (pais) e o acesso à informação. Ter uma conversa franca com os filhos e procurar mostrar-lhes todos os lados da História - hoje em dia - está sendo fundamental para garantir a saúde mental dos nossos jovens!
Mas não acabou, companheiros!
Só para lembrar, em fevereiro, a revista Veja publicou uma entrevista com o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, em que ele denuncia uma doutrinação idelológica dentro do Itamaraty.
“Está havendo uma doutrinação. Diplomatas de categoria, não apenas jovens, são forçados a fazer certas leituras quando entram ou saem de Brasília. Livros que têm viés dessa postura ideológica. É uma coisa vexatória. O Itamaraty não é lugar para bedel.”
"Um processo de doutrinação assim no Itamaraty não aconteceu nem na ditadura".
Pode ser pior? Pode.
Recebi, recentemente, um email com uma questão formulada em uma prova da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A questão apresentava um conceito tão ideológico que achei que fosse piada. Não era. Assim como também não era ela a única questão a me chocar. Só para se ter uma idéia, vou deixar aqui um gostinho:
22. Aponte os exemplos de homens éticos com visão filosófica engajada (para além da hipocrisia):
A) Bush, Olavo de Carvalho, Editora Abril, Inocêncio de Oliveira e Roberto Marinho.
B) Dalai Lama, Gandhi, Marina da Silva, Frei Beto e Dom Helder.
C) FHC, Marco Maciel, ACM, Ratinho e Reginaldo Rossi.
D) Leonardo Boff, Irmã Dulce, Ariano Suassuna, Betinho e Zilda Arns.
E) Dalai Lama, Gandhi, ACM, Frei Beto e Leonardo Boff
Agora, imagine, caro leitor, como será a tal TV Pública... aliás, com um governo munido de tantos instrumentos de doutrinação assim, pra quê TV Pública, não é mesmo? Talvez para garantir os 10 milhões de empregos que Lula tanto disse que criaria no primeiro mandato. Até dezembro do ano passado, o IBGE apontou pouco mais de 2 milhões de novos empregos em 4 anos de governo.
***As denúncias foram retiradas do site “Escola sem Partido”, criado em 2004 para denunciar práticas de doutrinação ideológica dentro das escolas:
Luta sem Classe (Míriam Macedo)
A Revolução Silenciosa (Diego Casagrande)
Denúncia de doutrinação ideológica no Itamaraty
Uma prova da Universidade Federal de Pernambuco e a revolução cultural do ministro Haddad
terça-feira, abril 10, 2007
Cadê o recheio do bolo?
Levando em consideração que a pesquisa esteja correta (porque neste país começo a duvidar cada dia mais de tudo e de todos!) a aprovação do presidente subiu para o mesmo patamar em que estava em maio de 2005, semanas antes de estourar o escândalo do mensalão. Como lembrou bem o comentarista Joelmir Beting, no Jornal da Band (10.04), isso quer dizer que a imagem de Lula resistiu ao mensalão, à crise aérea e ainda levou uma reeleição entre uma crise e outra. É muito prestígio para tanto descaso! Sem falar nos gastos com cartões de crédito (investigados pelo TCU), repasses irregulares às obras do PAN (também investigados pelo TCU), prorrogação da CPMF por mais 10 anos, envio do nosso dinheiro para países da América Latina, falta de investimento na segurança pública (entre muitas contradições da pesquisa, quase 91% dos entrevistados dizem que a violência aumentou!), etc (sim, vou apelar para o etcetera porque estou mesmo farta dessa besteira toda de política).
O que importa é que o brasileiro não quer saber de nada, só de ter seus benefícios pagos pelo governo e de andar de ônibus (porque "pobre anda de ônibus e não de avião", como dizem os lulistas), mesmo que as estradas estejam um caos e coloquem em risco a vida de famílias inteiras!
Pobre quer ter escola de graça (mesmo que as condições de ensino não sejam lá essas coisas - faltam carteiras, merenda, professores ETC, porque o dinheiro é desviado desde o Ministério da Educação até às prefeituras). Mas não importa, a escola é de graça... graças ao Lula! E viva o Lula, viva a cegueira do povo brasileiro!
O Jornal Nacional desta terça-feira preocupou-se em justificar o aumento da popularidade do populista. Segundo a reportagem, a diferença social caiu 4,6%. Mas é óbvio que caiu! O pobre hoje tem mais dinheiro no bolso (ou vales gás, refeição, ETC). Entre os mais ricos (entende-se banqueiros) a renda caiu apenas 1,2% enquanto a renda dos pobres aumentou em 36% (entre 2001 e 2005).
Se você, leitor, também sentiu falta da classe média nesta conta, tem uma explicação. Ela não existe mais. O governo conseguiu fazer com que grande parte da classe média fosse achatada e outra pequena parte (com sorte e influência) subisse para a classe mais alta. Em resumo - e falando em culinária - o recheio do bolo sumiu mas.... não importa. O que vale é que tenha bolo para a festa, regada à muito funk, pagode e linguiça no forno pra assar. Sem falar na cachaça, é claro.
PS: o que poucos se lembram é que a renda de muitos pobres e da "classe média" está vinculada aos milhões de empréstimos bancários. "Nunca antes na história desse país" o povo brasileiro teve tantos empréstimos, nunca antes teve tantas facilidades de pagamento... nunca antes o povo esteve tão endividado... enquanto os bancos, nunca antes tão ricos. Uma hora esta receita vai desandar!
PS2: antes que digam que estou "ferida" com o desaparecimento da classe média, não custa falar o que pode não ter sido entendido. Eu só não entendo como este povo, que merece tanto, se dê por satisfeito com as esmolas que recebe, ao invés de reivindicar o certo: emprego, oportunidade, saúde, estradas, escola (com equipamentos, professores, uniformes e merenda escolar), segurança (informatizada, equipada, limpa), ETC.
sábado, abril 07, 2007
Chance perdida
Quarenta e nove aeroportos e millhares de passageiros ficaram à mercê das negociações entre controladores de vôo e o governo. Enquanto os passageiros esperneavam (com razão), fotos tiradas de dentro da sala de controle mostravam os militares de braços literalmente cruzados enquanto poucos controladores civis faziam o monitoramento apenas dos aviões que estavam no céu.
Neste momento, o Brasil parou junto com os controladores. Passageiros exigiam a presença das autoridades, culpavam o governo pela falta de investimentos. Rasgavam títulos de eleitores. Xingavam o presidente e apoiavam o motim. Funcionários e donos das empresas aéreas juntavam-se aos passageiros e exigiam providências do governo, cuja omissão já lhes causava milhões em prejuízo, em mais um apagão aéreo.
Assistindo à esta movimentação, policiais militares somaram à revolta. Espalharam panfletos denunciando privilégios aos bandidos e a humilhação a que são submetidos por falta de investimento e segurança pública. Oficiais do exército cercaram o Congresso Nacional exigindo votação imediata das leis que garantem às famílias dos oficiais mortos por comunistas, indenização igual aos que recebem as famílias dos “revolucionários”.
Assim que chegou a Camp David (EUA), Lula soube da confusão que se instalara no país e não demorou muito para saber que era o fim. Fim das atrocidades que vinha cometendo contra o país. Fim da cegueira e dormência a que pareciam estar submetidos os brasileiros. Exilado nos EUA, Lula enviou um comunicado oficial renunciando ao cargo.
Claro que quase tudo é uma grande ficção. Um sonho em que estou mergulhada há alguns anos. Infelizmente, só o motim dos controladores de vôo e o caos instalado nos aeroportos é verdade. Uma semana depois, tenho muito mais certeza de que, entre o “agora ou nunca”, o NUNCA venceu.
A verdade é que Lula, voando tranquilamente entre o Brasil e os Estados Unidos, anistiou os amotinados, ordenou que fosse amenizada a crise com um acordo que, dias depois, seria praticamente jogado no lixo. Para o lixo foi, também, a ousadia dos controladores militares que, dias depois do motim, pediram "desculpas" à população pelos transtornos causados pelo último apagão.
Dinheiro para atender às necessidades dos controladores de vôo e da segurança pública em geral, não falta. Temos dinheiro até para mandar pra fora! Os R$ 20 milhões destinados à reforma agráraria NA VENEZUELA só não saíram do papel, ainda, porque o Senado ainda não aprovou a Medida Provisória assinada pelo governo, mas já passou ilesa pela Câmara.
Se tem dinheiro pra os Venezuelanos, para os funcionários da Presidência da República, também. Sobra tanto que financiamos viagens, hospedagens e locação de veículos muito acima do normal, pagos com cartões de crédito corporativos do governo e apontados pelo Tribunal de Contas da União como suspeitos. Em apenas 3 anos (de 2002 a 2005) o TCU encontrou indícios de irregularidades em 35% das notas fiscais apresentadas pela Presidência. Estamos falando em R$ 482,5 milhões! Muitas delas possuem endereços falsos e alteração de valor pelas empresas prestadores de serviço.
Cartões de Crétido à parte e voltando aos caos aéreo, o major-brigadeiro Renato Cláudio Costa Pereira, ex-diretor da Organização de Aviação Civil Internacional – órgão que regulamenta o transporte aéreo no mundo – pede à população que faça a pergunta certa: "...para onde foi o dinheiro arrecadado com as taxas do tráfego aéreo, e porque não foram direcionadas para o Departamento de Controle, que carecia tanto de equipamentos e investimentos”. Em entrevista ao jornalista Sidney Rezende, ele vai além. Diz ainda que uma auditoria internacional deveria ser instalada para averiguar o destino de milhões de reais não empregados no controle aéreo.
Em 2003, o Conselho de Aviação Civil (Conac) alertou sobre um possível apagão aéreo em pouco tempo, graças à falta de investimento no setor. Mesmo assim, 3 anos depois deste alerta, o governo teimava em aplicar apenas 53,6% da verba que seria destinada ao programa “Proteção ao Vôo e Segurança do Tráfego Aéreo”. Do final de 2006 pra cá, os cofres foram abertos e, mesmo assim, a burocracia fez com que apenas 17,2% do orçamento anual fosse efetivamente pagos até o início de abril.
Em 1964 as forças armadas demonstraram para que serve um exército afinal. Contiveram a tentativa de entrada do comunismo em nosso país (que já durava mais de 30 anos e contava, naquele momento, com a conivência do presidente João Goulart).
Não cabe, agora, discutir os fatos seguintes, pois os abusos de ambos os lados vitimaram cerca de 500 civis e outros 500 militares. Mas, fica uma única pergunta: 43 anos depois da revolução de 64, como estão os países comunistas hoje?
Ai, que saudades do Exército!
quarta-feira, março 21, 2007
Depois de descobrir o "Brasil", Cabral vai à Colômbia
Quinhentos anos atrás, ou pouco mais do que isso, um outro Cabral pretendia ir à Índia. Encontrou outras terras, terras "novas" como seriam chamadas. De "novo", nada havia. Aliás, nem teria sido ele o primeiro a desembarcar por nossas terras. Mas ficou a ele o título de descobridor do Brasil.
Hoje(22.03), o nosso Cabral desembarcará num país conhecido por ser o maior fornecedor de cocaína no mundo. Encontrará na Colômbia muito mais do que isso. Terá a "surpresa" de ver que a criminalidade tem cura. Nada de novo, de novo. Qualquer sociólogo de plantão terá todas as fórmulas para devolver ao Rio o título de "cidade maravilhosa". Cabral irá à Colômbia para descobrir o óbvio: empenho, seriedade, punição, investimento social, etc.
Álvaro Uribe pode ter todos os defeitos do mundo, como qualquer governante os tem. E nós, com o governante que temos, não podemos abrir nossa boca miúda para fazer qualquer crítica que seja. Vale lembrar os últimos escândalos envolvendo os governos colombiano e brasileiro.
Aliados de Uribe foram acusados de envolvimento com o narcotráfico. Sendo a Colômbia o segundo país a receber os maiores recursos do governo Bush no combate ao tráfico de drogas, as pressões internacionais foram grandes o suficiente para que providências fossem tomadas e talvez tenha sido este o diferencial dos rumos tomados entre os escândalos daqui e os de lá. Na Colômbia, pelo menos oito congressistas foram presos e dezenas ainda estão sendo investigados. Aqui... sem comentários. Uma semelhança, porém, há de ser citada. Tal qual o nosso governante, Uribe disse que não sabia de nada. Defendia seus aliados até o último minuto.
Comentários políticos à parte, vamos ao que interessa: a questão da diminuição da criminalidade, tema central da visita de Sérgio Cabral e Aécio Neves (o que ele vai fazer lá?) à Colômbia.
Em entrevista à Folha de São Paulo, Uribe foi objetivo: combater o narcotráfico requer muitas ações, entre elas uma ação militar efetiva. Além de oferecer aos agricultores alguma recompensa por trocar o cultivo da coca por outras culturas. O medo de uma punição mais severa pode fazer com que os colaboradores dos traficantes troquem mesmo de patrão. Eles certamente não terão o mesmo lucro, mas terão garantias como segurança, ajuda do governo e incentivo fiscal. Poucos sabem, mas a Colômbia, hoje, é o segundo maior exportador de biocombustível da América Latina produzindo etanol com palma africana, mandioca e cana-de-açúcar, mas também está estudando a utilização do milho.
Tomando como exemplo, seria mais ou menos oferecer segurança, educação e emprego aos jovens que, diariamente, se submetem aos traficantes dos morros cariocas.
Que bons ventos tragam a caravela, ops, a comitiva de Cabral de volta à terrinha e que ele mostre coragem, determinação e seriedade para reduzir os mesmos 79% na taxa de homicídio (como em Bogotá) ou, quem sabe, chegar aos 90% como ocorrido em Medellín.
terça-feira, março 13, 2007
Onde estava Deus naquela hora?
Começo este texto com cara de reportagem de jornal mas em meu rosto correm lágrimas de uma mãe, cuja filha, da mesma idade, pode ser a próxima vítima. Talvez não de um crime tão cruel (e qual crime não o é?), mas de uma bala perdida, de um maníaco qualquer, de um atropelamento e de todos os riscos que correm qualquer cidadão comum. E, por isso, eu não consiga seguir as regras do “jornalismo e da ética”. Ao invés disso, despejo sobre estas linhas uma revolta que me persegue há tempos, resumida no título deste artigo.
Neste caso específico, assim como todos os casos que envolvem crianças, a dor que sinto é mísera perto da que os pais desta e de todas as outras vítimas devem sentir.
Uma amiga, que perdeu o filho aos 20 anos baleado em uma lanchonete, disse “todas as mães podem dizer que imaginam o que eu devo estar passando. Mas não imaginam não. É muito pior do que isso”. Por isso, não ouso dizer que “imagino” a dor da mãe de Gabrielle, de João Hélio, de Alana (vítima de bala perdida no RJ), de Priscila (cuja bala perdida a sentenciou a uma cadeira de rodas), de Luciana Novaes (com o mesmo futuro de Alana), de Liana Friedenbach, de Felipe Café, de Gabriela Prado, de Rodrigo Damus, de Georgio Renan, de Hermes Thadeu, e de milhares de vítimas que surgem a cada minuto neste país e no mundo.
Não. Eu não imagino esta dor. Mas choro diante de tudo isso simplesmente em pensar em como seria se tivesse acontecido com um de meus filhos. Se esta dor que sinto neste momento já me arrasta para um choro compulsivo de medo e angustia, o que dizer a estes pais? O que dizer a estes monstros que puxam um gatilho, torturam, estupram e matam pessoas inocentes?
O acusado da morte da pequena Gabrielle chegou na delegacia sob um forte esquema de segurança. Ele teve seus direitos protegidos pela polícia. Direitos que Gabrielle não teve e nenhuma das outras vítimas também não. O direito à vida, à segurança, ao ir e vir.
Quero crer que a polícia, naquele momento, tinha a mesma vontade que nós. De soltá-lo à multidão para que ela acabasse com ele, ali mesmo. Quero crer que depois de preso, este monstro tenha anos de sofrimento que o faça lembrar o horror vivido por aquela pequena garotinha inocente que brincava em uma igreja. Uma criança cuja maior maldade que poderia lhe passar pela cabeça (em seus poucos meses de vida) no máximo seria uma birrinha, de vez em quando.
Gabrielle passou da inocência para a crueldade humana em segundos. Viveu um terror que nenhum de nós pode imaginar.
Se existe mesmo um Deus (que não olhou por ela naquele momento), que este ser a recompense de alguma maneira pela tortura sofrida. Embora, infelizmente, acredito que não haja remédio algum para este sofrimento.
E, se existe um Deus, que permitiu que o “livre-arbítrio” levasse um monstro a fazer o que fez, que este ser faça justiça sobre a mente e o corpo desta abominável criatura que disse “não se lembrar de nada porque estava bêbado”.
Sei que desabafos como este remetem a questões religiosas de cada um e não pretendo debatê-los. Quem quiser, que o faça em seus comentários.
Neste momento posso ouvir uma outra amiga dizendo “Tira esse ódio do coração...”. Ela diz isso com um sorriso nos lábios, é uma brincadeira entre nós, mas não consigo sentir nada além de ódio mesmo diante de situações assim. Que o assassino terá seus momentos críticos na prisão, eu não tenho dúvidas. Mas isso não aliviará a dor dos pais de Gabrielle e nunca responderá a pergunta: onde estava Deus naquela hora?
Talvez exista um Deus que tenha colocado a polícia na pista certa para prender aquele monstro, na pista certa para pegar os assassinos de João Hélio. Um Deus um tanto atrasado, na minha opinião.
Sei que o debate vai além da religião e sim na falta de segurança pública e privada, no caso de Gabrielle, que estava dentro de uma igreja, cuja segurança cabia à instituição. Mas, não me surpreenderá nem um pouco se, ao longo das notícias, soubermos que o pedreiro que a matou já tinha um histórico de pedofilia, havia sido solto ou coisa parecida.
Neste momento, só consigo pensar no tão poderoso Deus que algumas religiões pregam ser onipresente e que tem como missão cuidar de seus filhos, tementes a Ele.
Aliás, não era este o caso de Gabrielle que, estava em uma igreja, ou melhor, na casa d’Ele mesmo?
sexta-feira, março 09, 2007
Que povo é esse?
Em São Paulo o protesto gerou confronto entre a polícia e os manifestantes. Sabe-se lá de onde começou a pancadaria, mas o fato é que o espetáculo brasileiro reforçou a imagem de um povo medíocre política, cultural e economicamente.
Revivemos um momento político mal explicado para a grande parte da sociedade que foi a mobilização popular pré-regime militar. Jovens manipulados por um pré-conceito implantado por movimentos políticos cujos interesses nada mais são (e eram) do que seus próprios holofotes. Antes, era a implantação do comunismo disfarçado de "liberdade de expressão". Hoje, na simples exposição da mídia.
Protestar contra a guerra no Iraque é ainda mais hilário e nem perderei meu tempo – nem o seu – comentando este despertar atrasado do nosso povo que nunca está no lugar certo na hora certa.
Por mim, faria um manifesto “Fora, povo brasileiro!”
Quanto ao Etanol, a ganância de Lula em tornar-se o presidente que fará do Brasil o principal fornecedor do combustível alternativo, no mundo, terá um preço muito mais alto do que a pechincha de Bush.
E não é exagero. Apenas no ano passado, o trabalho pesado matou (por exaustão) 17 cortadores de cana, segundo a Pastoral do Migrante ligada à igreja católica. As condições de trabalho destes “escravos” estão mais detalhadas no site: http://www.pastoraldomigrante.org.br/artigo01.html. Mas, em resumo, atualmente um único cortador realiza as seguintes atividades todos os dias (sem feriado ou fim de semana livres):
· Caminha 8.800 metros;
Com o Brasil prestes a se tornar o rei do Etanol, será que esta triste realidade de trabalho canavial mudará? Será que os milhões de reais vindos do fornecimento do Etanol chegará, de alguma maneira, às mãos destes trabalhadores que, hoje, recebem o farto salário de R$ 413,00 por mês?
Bom, para quem acredita que o PT nunca perdeu o foco de tornar o Brasil no socialismo disfarçado, vale a pena lembrar que a China anunciou a criação de um campo socialista de trabalho para incrementar o PIB daquele país. Entenda, trabalho escravo em nome da economia.
É... ainda bem que os mais de 10 mil processos por improbidade administrativa não estão à beira do arquivamento, nem o salário dos juízes estaduais bateu o teto dos R$ 24,5 mil, nem o violência matou mais de 55 mil brasileiros no ano passado no Brasil e, muito menos, que o país investiu mais no transporte de prisioneiros do que na segurança pública, entre outras tantas notícias que não cabem ao nosso país.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Do chôro à atitude
Choramos todos, menos os bárbaros que torturaram este menino.
Não quero, aqui, comentar nada além do que todos já falaram. Não tenho palavras suficientes para isso. Apenas recomendo duas leituras:
A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA E O BRASIL EM GUERRA CIVIL
(de Júnia Turra)
e POR QUEM OS SINOS DOBRAM
(de Paulo Coelho)
Injustiça aos porcos
A revista semanal britânica "The Economist" publicou um artigo, esta semana, entitulado "'Parliament or pigsty?" (Parlamento ou chiqueiro?). Coitados dos porcos serem comparados aos nossos legítimos representantes do legislativo... é certo que algumas semelhanças eles têm. Vamos à elas: são bebês fofinhos e quando crescem - além de viverem na lama - podem ser nocivos à saúde.
Mas dá para evitar uma teníase (ou solitária), basta evitar a carne de porco mal cozida. Agora, como evitar os males causados pelo "trabalho" dos nossos excelentíssimos deputados? O papo "acompanhe o que o seu deputado está fazendo e cobre dele a seriedade prometida" não serve mais. Além de nunca ser colocado em prática, não leva a nada. Eles sempre estarão lá e farão a mesma coisa...
A solução seria, talvez, assá-los, bem temperadinhos? Assim como não sou adepta ao leitão à pururuca (embora aprecie um lombinho assado), também não tenho tendência alguma ao canibalismo. Acho que nem mesmo Hannibal Lecter toparia jantar o cérebro de qualquer um dos nossos nobres parlamentares. É muita sujeira num prato só.
Voltando ao "The Economist", a matéria fala sobre a eleição de Chinaglia ao cargo de presidente da Câmara. Perspicaz, a revista "sugere" troca de favores na vitória à presidência da casa, no comentário "Parochial back-scratching trumped ethics". Algo como "O toma-lá-dá-cá paroquiano venceu a ética".
Assim como no meu texto anterior "The truth is out there", eles conhecem muito bem a nossa realidade.
Mesmo assim, insisto... brasileiros e brasileiras. Ainda há esperança. Clodovil está lá! Pelo menos, na lama certamente ele não vive... não faz o "estilo" dele. Resumindo seu discurso, que foi da ingenuidade à ironia, o deputado-estilista-comunicador-apresentador prometeu colocar a faxina em dia.
Haja água para tanta lama!
sexta-feira, janeiro 12, 2007
As mãos sujas do brasileiro
Esta pesquisa me fez procurar os resíduos no nosso dinheiro. Pra que!
No mês passado um funcionário de um hospital na Inglaterra morreu depois de ser infectado por uma variante desta bactéria. Outro paciente já havia morrido infectado da mesma maneira, durante o ano.
Enquanto nos países europeus a sujeira presente nas cédulas se dá por uma livre escolha (o uso da droga) aqui, o nosso dinheiro nos contamina pela pura ausência de higiene durante uma ação essencial do ser humano: o alimentar-se!
A conotação de “dinheiro sujo” ganha mais uma mão. Além do tráfico, de Brasília e de seus caixas 2, as mãos dos caixas das peixarias, dos açougues, das feiras-livres, do povo em geral também são imundas. Da falta de higiene, educação, sanidade básica de saúde! Falta de água e sabão.
São mais duas, portanto, as outras tristes realidades no nosso país. Nosso povo não tem dinheiro e nem comida, e, quando consegue uma coisa ou outra, ainda corre o risco de morrer por isso.
quarta-feira, janeiro 03, 2007
2007
Por isso, não faço retrospectiva. Faço, sim, planos!
Enfim, retomando a idéia original, 2006 já era, se foi, xô!
Entrando já nos primeiros dias do ano, quase caí na tentação de fazer promessas: "Vou parar de fumar, entrar numa academia, fazer regime, parar de brigar por coisas pequenas, curtir mais a vida, ler mais livros, ir mais ao cabeleireiro, comprar mais roupas, controlar melhor minhas finanças, bla bla bla"
Quase caí.... quer dizer, caí um pouquinho só, mas logo me recuperei. Sei que vou continuar me chocando com a política, com a injustiça e a crueldade humana (como se fosse possível evitar) mas talvez este ano seja diferente. Seja um ano em que as pessoas se importem mais umas com as outras, que sejam mais felizes e façam os outros mais felizes tb.
Este ano, quero apenas isso: A minha felicidade....e a sua também!
terça-feira, dezembro 19, 2006
Sinceramente...
Este aperto no coração que me atinge nesta época do ano se chama culpa. Por viver na corrida contra o vermelho da conta bancária, no desejo incessante de proporcionar tudo aos meus filhos, por trabalhar tanto, por nunca ter tempo para nada, nem para olhar do lado e, quando olho, algumas vezes fecho o vidro (mesmo que isso - mais uma vez - meu dê aperto no peito).
Mas, sinceramente...se é para sentir culpa e gastar tudo em amigo secreto, prefiro abolir o Natal e desejar a todos, que a solidariedade que invade o seu coração durante uma semana, dê frutos durante toda a sua vida.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Ainda sobre o filme "Turistas"
Leia também Contrastes e contradições e Turistas na sessão da tarde. Este último, da minha grande mestra Júnia Turra.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
The truth is out there
E, para começar, vamos olhar para o céu. Não tão longe quanto os agentes Mulder e Scully fariam. O céu sobre a Amazônia já está de bom tamanho.
Não acreditávamos, mas o buraco negro é ali. E quem o denunciou foi um americano. Num primeiro momento, o jornalista Joe Shakey foi excomungado pelos brazucas. A bordo do jatinho Legacy, Sharkey (mesmo que tenha sentido apenas um pequeno abalo) foi testemunha do maior acidente aéreo do país. Culpou o sucateamento do tráfego aéreo brasileiro pela falha na comunicação. Certamente não foi a única causa do acidente, mas foi um de uma série de erros que causou a morte de 154 pessoas. Para quem acompanha a cruzada de Sharkey, em seu blog, o jornalista nos despe de nossa cegueira ignorante e submissa. Somos obrigados a engolir a seco trechos assim: "that Brazilian media are very easily manipuilated.", "Surely you don't expect the harrumphing third-world martinets marching around in Brazil to actually FIX their broken air-traffic control system! Don't be silly!"
Muitos de nós ainda prefere refutar...
Agora, o cinema americano exibe "Turistas". Outra batata quente que a maioria de nós prefere jogar para o caldeirão da ficção, ao assumir a verdade. No filme, um grupo de jovens americanos vem passar férias no Brasil. Depois de sofrerem um acidente de ônibus, eles caem numa praia paradisíaca e são vítimas de traficantes de órgãos. São torturados, alguns mortos e descobrem uma rede de tráfico liderada por um médico.
Bom... dá pra imaginar a reação aqui no Brasil. Excomungaram (de novo) os sensacionalistas hollywoodianos que só querem (de novo) denegrir a nossa imagem, que tudo não passa de ficção absurda.
Ficção? Onde!? Talvez seja realmente mentira que turistas sejam assaltados e assassinados no Brasil. Foi pura ficção a atrocidade contra os seis portugueses, em 2001, em Fortaleza. Talvez tenha sido apenas um pesadelo a morte do turista (também português) assassinado na praia de Copacabana, em agosto deste ano. Ou as dezenas de assaltos contra suíços, ingleses, chineses, franceses, no Rio de Janeiro (só este ano!). O estupro de uma turista na praia paulista... é, talvez seja também mera ficção a retirada de órgãos clandestina, em Recife. O assassinato de doadores em Taubaté, Poços de Caldas e várias outras cidades investigadas na CPI do Tráfico de Órgãos, em 2004.
Enquanto nada disso acontece, o brasileiro rejeita o filme, rejeita os fatos, prefere viver uma Matrix tupiniquim (sem o Keanu Reeves, é claro!) e tem a coragem de ainda defender o país! Sequer pensou que o filme poderia ser (assim como as palavras de Sharkey) uma boa oportunidade de escancararmos para o mundo todo a repressão em que vivemos, o massacre moral, a falta de dignidade, de perspectiva, de seriedade! Não. Vamos recuar duzentos passos ao invés de darmos um adiante. Não. Vamos enfiar a cara no buraco e deixar o traseiro à mostra.
Quer saber? Somos um povo ainda mais doente do que eu poderia imaginar. Somos a raiz da síndrome de Estocolmo! Merecemos, não acha?
Ainda há esperança, porém. Enquanto não tivermos coragem de enfrentar, sempre haverá alguém (lá fora) que o faça.