sábado, setembro 22, 2007

Berezovsky, o tal


Acabo de ler o livro “Morte de um dissidente”. Fantástico! Um thriller que escancara o sistema político da Rússia desde a queda do comunismo até a reeleição de Putin. O livro é escrito pelo cientista Alex Goldfarb e Marina Litvinenko, viúva do ex-agente da KGB, Alexander Litvinenko (foto à direita), assassinado em novembro do ano passado.


A intenção, além de nos presentear com os bastidores mais sórdidos da política, é denunciar os supostos culpados pelo envenamento de Litvinenko, que seriam ex-agentes da KGB a mando do presidente russo, Vladimir Putin. Nas entrelinhas, porém, fica clara outra intenção, a de desmistificar uma personalidade que se tornou bastante conhecida no Brasil depois de financiar o Corinthians: Boris Berezovsky (foto).

Boris é minuciosamente retratado como o oposto do mafioso russo que conhecemos. Os autores, profundamente envolvidos com o magnata, expõem apenas algumas características (positivas) de Berezovsky. Extremamente astuto, o mega-empresário é retratado como de uma vitalidade impressionante, inteligência acima da média, exímio estrategista (político e econômico), cujas qualidades foram usadas com o propósito de manter no poder um grupo que visava dar continuidade à democracia conquistada com a queda do comunismo, em 1991. Porém, fica claro também que – além da atitude “altruísta” – Berezovsky, influente nas decisões do Kremlin, beneficiou-se (e muito) do sistema de privatização galopante na nova Rússia.

Confesso que, depois deste livro, fiquei intimamente ligada à Rússia e ao povo daquele país. Um povo que ama a pátria e, acima de tudo, acredita nos herdeiros do trono (independente de quem seja ele). Se está governando o país, merece crédito e respeito. Qualquer semelhança com a nossa terrinha não é mera coincidência. Aqui, como lá, somos sujeitos a denúncias violentas de corrupção (para citar apenas um item) e 48% da população ainda diz aprovar o presidente Lula.

É certo que muito do crédito ao governo russo se dá por falta de informação, já que toda a mídia tornou-se (de novo) controlada pelo governo e nada, absolutamente nada que seja contrário ao governo é passado à população. Quem ousa fazer isso, como a jornalista Anna Politkovscaya (foto), é simplesmente assassinado. Aliás, assassinatos políticos não faltam na história da ex-URSS, muito bem narrados no livro.

Escondido por trás desta ditadura disfarçada de democracia, Berezovsky se diz perseguido político. Conseguiu asilo britânico e mora atualmente entre seu retiro na França e em Londres. É financiador de várias ONGs na Rússia que abrigam dissidentes e defensores dos direito humanos, usadas, entretanto, para atacar o governo de Putin pelos vários massacres na guerra contra a Tchetchênia. O conflito teve dois períodos: de 1994 a 1996 e reiniciado por Putin em 1999. A guerra, que dura até hoje, já matou quase 300 mil pessoas desde 1994.

Caçado na Rússia por crimes de lavagem de dinheiro, Boris é, agora, acusado pela justiça brasileira por suas manobras financeiras dentro do Timão. Episódio que, aliás, o livro nem passa perto.

Se eu pudesse, ficaria horas falando sobre o livro, a beleza deste povo, a ganância dos governos, as práticas ainda atuais da antiga KGB e, claro, de Boris Berezovsky. Mas não seria justo. O livro “Morte de um dissidente”, mesmo com uma visão parcial sobre o controvertido Boris Berezovsky (embora em vários momentos o autor tente eximir-se de qualquer parcialidade), vale muito a pena ser lido.

Berezovsky pode ser o “tal”, mas não deixa de ser - assim como Putin é retratado no livro - ganancioso, egocêntrico, vaidoso e manipulador. Basta ler nas entrelinhas.

Enquanto isso, vou devorando “Um diário russo”, da jornalista assassinada, Anna Politkovscaya.

Boa leitura!

sexta-feira, setembro 21, 2007

Pode entrar, a casa é sua!

Um cidadão brasileiro, desempregado, doente, há quatro dias sem comer, portanto, desesperado, tenta invadir o Planalto para falar com o presidente Lula. No cumprimento de seus deveres, os seguranças o dominam, forçam-no a enterrar a cara no chão, algemam-no e o colocam para fora. É, está certo, o Palácio do Planalto não é terra de ninguém (embora o principal ocupante esteja sempre viajando) e não pode mesmo ser invadido. Imagine se Lula fosse receber todos os brasileiros famintos, desempregados e doentes. Ele não teria tempo para viajar!

O senhor Ângelo de Jesus tinha – e tem - todo o direito de querer falar com o presidente, assim como é totalmente compreensível o seu descontrole. O que é inadmissível é um cidadão chegar a este ponto. É inadmissível que um país rico como o nosso ainda tenha mais de 36 milhões de habitantes abaixo da linha da pobreza (19% da população - dados fresquinhos da Fundação Getúlio Vargas). Aqui, valem algumas informações: está abaixo da linha da pobreza quem recebe menos de US$ 1 por dia, o que dá R$56,10 por mês! Os beneficiários de programas assistenciais recebem mais do que isso e, portanto, não estão abaixo da linha da pobreza (embora vivam às minguas). Está explicado porque o Brasil tem tirado tanta gente do limite da pobreza nos últimos anos!

Enquanto o senhor Ângelo tentava desesperadamente falar com o presidente, Lula estava em Manaus com o amiguito Chávez. Entre umas e outras (prosas, não pingas... bem, talvez ambas), Lula ofereceu o nosso país como sede do encontro entre Chávez e as Farc para tratar da paz na Colômbia.

Como é? O Brasil pode ser palco para o encontro entre a Venezuela e os guerrilheiros para tratar de assuntos da Colômbia? E o “seo” Ângelo não pode entrar no Planalto para falar com Lula? Vamos ver se eu entendi direito: o banqueiro italiano, Salvatore Cacciola, pôde sair do Brasil enquanto era julgado pelo prejuízo de R$1,5 bilhão ao país; Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália pela morte de quatro pessoas em ataques terroristas, não foi extraditado, assim como seu patrício, Achille Lollo, do PSOL, condenado a 18 anos de prisão depois de incendiar uma casa, também na Itália, cujo incêndio queimou vivas duas pessoas (entre elas uma criança de oito anos), também pode ficar. E o senhor Ângelo não pode entrar no Planalto?

Você até pode pensar que estou misturando tudo, mas o fato é que existe uma profunda sensação de injustiça (pra variar) com relação a quem entra ou sai de qualquer lugar neste país. Quem vai preso, quem não vai. Quem é solto, quem não é. Quem foge, quem não foge. Quem pode entrar no Planalto e quem não pode.

Não podemos fazer nada para que todos os brasileiros necessitados tenham seu encontro com o presidente, assim como não podemos impedir que as Farc venham tratar, aqui, de assuntos da Colômbia com o presidente da Venezuela. Tenha paciência! Nossas portas estão escancaradas para guerrilheiros e terroristas, mas “seo” Ângelo não pode entrar no Palácio do Planalto!

Quem está com as “chávez” do Brasil, afinal?

Como sempre neste país, quem entra ou sai depende do que oferece em troca. Se o governo tem cargos públicos à disposição (e isso só aumenta no governo Lula), deputados aprovam a CPMF. Se Achille Lollo for companheiro de armas, pode ficar. Se tiver que pagar R$1,5 bilhão ao governo, pode voltar. Se financiou campanha política do PT, pode entrar pra negociar com Chávez a paz na Colômbia. Mas, se for um pobre coitado, doente e desempregado, fique onde está!

Viva a democracia!

sexta-feira, setembro 14, 2007

Tudo pela imagem

A semana foi tão conturbada que fiz um texto para a coluna desta semana e, por fim, elegi outro como tema: a “greve branca” dos Senadores.

Deixei para trás o que eu chamei de “Brasília dividida”, comentando que, enquanto o Senado promovia a mais celebre vergonha do ano ao absolver Renan Calheiros, na mesma Brasília o STF deu um banho de democracia. Autorizou a entrada dos deputados na votação e ainda derrubou duas leis abusivas: a aposentadoria vitalícia do ex-governador do Mato Grosso do Sul (o Zeca do PT) e a de Minas Gerais que garantia foro privilegiado a mais de duas mil autoridades mineiras. Terminava o texto dizendo que, o triste disso tudo é ver que vivemos em um país onde honestidade, caráter e aplicação das leis deixaram de ser obrigação e viraram qualidades raras!

Voltemos, então, à “greve branca” no Senado. São seis partidos que se rebelaram contra o resultado da absolvição do presidente da Casa e, agora, ameaçam não votar projetos de interesse do governo limitando-se apenas aos que são de interesse do país. Ótimo! Palmas para eles! É uma bela pressão recusar-se a votar a CPMF em troca da saída de Renan da presidência do Senado, afinal, tudo lá é à base da troca! Qual o problema? O problema é que, entre estes senadores certamente tem um ou outro que, na surdina, absolveu o camarada e, agora, mostrando a cara, vira protetor dos interesses da sociedade.

O mesmo interesse pela imagem pôde ser visto enquanto as câmeras ainda estavam ligadas na sessão que discutia o futuro de Calheiros. Não faltaram senadores para repudiar a sessão ser secreta. Exigiram rapidez na votação de projetos que pedem a quebra do sigilo em sessões como aquela. Oras, se estes projetos estão lá há tanto tempo, por que não foram votados antes? Só agora lhes interessam defender a transparência? Que eu me lembre, o último (e único) Senador cassado foi Luiz Estevão, também do PMDB. E isso foi em 2000! Lá se vão sete anos de desinteresse pela matéria. Mas, tudo pela imagem! Tudo pela aprovação popular!

Então, vamos mexer nos esqueletos e desenterrar estes projetos, mesmo que não dê tempo de ser aplicado na próxima sessão contra Renan, se é que ele enfrentará outra. A meu ver, se mentir em plenário, apresentar provas falsas à comissão de Ética (e à polícia) não é quebra de Decoro Parlamentar, então o que pode ser uma ajudazinha a uma cervejaria, o uso de laranjas em meios de comunicação ou pegar propinas em Ministérios encabeçados pelo PMDB? Nada! Como disse Mercadante, não há prova “concreta” para condená-lo!

Agora, veremos quanto vale Renan Calheiros. Por enquanto, ele está cotado em torno de 38 bilhões de reais. Quantia que deve ser arrecadada pela CPMF no ano que vem. Se é um pelo outro, então fica Renan!!!!!!!!!!! Fica!

Por outro lado, se Renan se afastar (o que eu acho difícil), a oposição vai aprovar a CPMF, mudar o discurso e dizer que a “contribuição” é de interesse do povo? Ou vai ser contra e jogar o acordo (ou as propinas) no lixo? Vamos ver, de verdade, por quanto a oposição vai vender esta imagem de defensores da ética daqui algumas semanas.

Só para concluir, para quem quer saber quem votou o quê na sessão de quarta-feira, tenho uma sugestão: invoquem o fantasma de ACM! Só ele pode violar o painel e ficar impune.

“ACM, está me ouvindo? Aparece, meu rei!!!”

quarta-feira, setembro 12, 2007

Barrados no baile

Aconteceu, agora pouco, uma confusão na entrada do Senado. Deputados Federais foram impedidos de entrar no Senado. Mesmo tendo em mãos a decisão do STF que lhes garante o direito de acompanhar a votação da cassação de Renan Calheiros, os seguranças do Senado os impediram de entrar.

Não estou sendo realista: foi uma verdadeira algazarra! Uma cena vexatória ver deputados tentando passar por cima da segurança, gritaria, xingamentos, pancadaria! Foi isso mesmo. Acompanhei ao vivo, pela TV Senado. Até Gabeira acertou um soco no vice-presidente da Casa, Tião Viana! A deputada Luciana Genro ficou com a perna machucada e até armas de choque foram usadas.

A confusão era porque a Mesa Diretora ainda não havia decidido “se acataria a decisão do STF ou recorreria”. Totalmente desnecessária!!

Este foi mais um episódio vergonhoso que envolve todo o processo de cassação de Renan Calheiros. As denúncias, em si, já são vergonhosas. A demora em se tomar uma atitude, outra vergonha. A sessão ser secreta – mesmo que previsto no regimento interno do Senado – é outra vergonha. Pura falta de transparência dentro do legislativo (como se não soubéssemos que, de transparente, não existe nada na política deste país).

Espero que, ao final da sessão, não tenhamos que engolir outra vergonha. Que o dia de hoje já foi decidido nos bastidores entre os partidos e o governo federal. Se Renan for absolvido, houve venda de votos e ninguém me convencerá do contrário.

Agora, me interessa acompanhar as próximas semanas. Com Renan na rua, muita sujeira pode sair de baixo do tapete.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Oposição pode salvar Renan

Quando a enxurrada de denúncias contra o PT e os “vizinhos de porta” do presidente Lula começou, em 2005, a oposição deixou a desejar apostando que Lula “sangraria” no poder. Errou e errou feio. O poder de Lula (e de seus programas assistenciais) garantiu-lhe mais quatro anos de mandato. Agora, a oposição corre o risco de cometer o mesmo erro com Renan Calheiros.

Se Renan passar por esta ileso, que ninguém duvide do poder dele de reverter a situação. Calheiros se atirará com todas as forças para recuperar sua imagem e governabilidade como presidente da Casa.

A oposição pode ter negociado muito com os aliados de Renan para que ele passe por essa primeira fase na garantia de que os outros três processos na Comissão de Ética o tirarão de circulação. Se isso aconteceu, está assinado o atestado de burrice e assumido que não aprendeu nada com a chance perdida de derrubar o governo Lula, dois anos atrás. Mais do que isso, os senadores serão responsáveis pela volta da “pizza” no Congresso, algo que, após os réus do mensalão, seria um retrocesso na esperança de ser ver algo de sério na política.

Qualquer acordo a esta altura só pode favorecer Renan Calheiros. Veremos o quanto de inteligência há nas mentes dos digníssimos senadores e o quanto custou o voto da oposição em breve. Infelizmente, com a votação secreta, nos restarão apenas especulações. A menos que o fantasma de ACM viole o painel e nos adiante o presente de Natal!

Comecemos a invocá-lo já: “ACM, está nos ouvindo?”

O que o PT pode aprender com a China

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, e outros dez dirigentes do partido foram à China nesta segunda-feira (10) para um encontro com lideranças do Partido Comunista Chinês. Os doze petistas devem ficar dez dias na China. A versão oficial é que o PT pretende ver como o Partido Comunista Chinês (PCC) administra uma estrutura de mais de 70 milhões de filiados e sua comunicação interna. A minha versão é um pouco diferente desta, principalmente quando a China enfrenta uma situação muito semelhante ao Brasil: a corrupção.

Assim como o PT, depois de tentar negar, esconder e driblar várias denúncias, O Partido Comunista Chinês não teve outro jeito a não ser assumir que a corrupção estava engolindo o partido e o governo.

No poder desde 1949, o PCC já admitiu que quase dois mil funcionários públicos confessaram envolvimentos com corrupção. Só em 2006, foram registrados mais de 30 mil casos no país, incluindo pelo menos seis nomes ministeriais. Nos últimos meses, dezesseis integrantes do governo comunista foram detidos acusados de corrupção. O dinheiro servia, principalmente, para financiar suas amantes. Depois disso, acreditem ou não, até uma lei foi editada proibindo que funcionários públicos tivessem amantes!

Os chineses que, embora estejam submetidos ao regime comunista há quase 60 anos, têm mostrado intolerância quando o assunto é a corrupção dentro do governo. Esta associação incomoda o partido que não pretende perder o poder. O governo tem tentado de todas as formas aplicar mãos de ferro contra os corruptos. A atitude mais drástica foi a execução do chefe da Administração Estatal de Alimentos e Remédios da China, em julho deste ano. Zheng Xiaoyu foi acusado de receber suborno, em torno de US$ 832 mil, para liberar produtos sem as inspeções necessárias e foi executado por isso.

Se o PT quiser aprender com a China como passar ileso pelas denúncias de corrupção, poderia começar com a execução dos envolvidos. O problema é que o PT não tem 70 milhões de filiados e sobraria pouca gente para contar história. Talvez devesse aconselhar o governo a editar uma Medida Provisória proibindo parlamentares e ministros de terem amantes, o que não passaria com facilidade pelo Congresso.

Corrupção à parte, a China tem muitas lições a passar ao PT que pensa em uma nova Constituinte, a extinção do Senado e acaba de ditar o novo “Socialismo Petista”. O problema é que nunca saberemos o motivo deste encontro nem como o PT (atolado em dívidas) está pagando as 11 passagens aéreas para a China (em torno de 3 mil dólares por pessoa). Sem falar que Ricardo Berzoini, além de ser presidente do PT é um Deputado Federal que, na semana em que Brasília ferve com o julgamento de cassação de Renan Calheiros, a prorrogação da CPMF e tantos outros assuntos que interessam ao país, preferiu abrir mão de dez dias de trabalho - para o qual foi eleito - para ir à China “trocar idéias de como organizar um partido e sua comunicação interna”.

E tem gente que ainda acredita nisso...

sábado, setembro 08, 2007

185 anos de orgia

Em 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga, em São Paulo, o príncipe D. Pedro I, recebendo as ordens para retornar a Portugal, ergueu a espada e, sobre seu lindo cavalo, gritou “Independência ou Morte!”. Esta “independência” nos custou muitas negociatas internas e externas, inclusive o pagamento de mais de 2 milhões de libras esterlinas aos portugueses, que pegamos emprestados da Inglaterra. O país trocava o domínio português pelo inglês e dava início à dívida externa.

Bom, certamente eu não estava presente aos fatos e relato acima o que aprendi nos livros de História do Brasil (muitos anos atrás). Portanto, não me responsabilizo pela veracidade dos fatos. Há quem diga que o “grito” veio de trás de uma moita enquanto o príncipe fazia suas necessidades depois de uma longa noite com sua amante, a Marquesa de Santos. Mas isso já é fofoca! O importante é que, fazendo um balanço de 1822 para cá, tenho que lhes dar uma notícia nada agradável: como um objeto de luxo, estamos sendo passados de mão em mão, usados- e abusados - há 185 anos.

Não vou perder o meu tempo – nem o seu – em detalhar cada período histórico de nossa querida Pátria. Até porque, no final de tudo chegaremos à conclusão que nada mudou. A orgia só aumentou e ainda somos colônia de alguém. Alguns exemplos bastam.

Nossa dívida externa passou da libra esterlina ao dólar (muitos milhões de dólares a mais).

Os impostos, que tanto abasteciam a Corte Portuguesa, chegaram a R$606 bilhões arrecadados até 06.09.2007 (R$57 bilhões a mais que o mesmo período do ano passado) cujo destino – assim como no passado - certamente não é a educação, saúde, transporte, moradia, geração de emprego e renda.

O desvio de dinheiro público está, hoje, no superfaturamento e dentro das nossas estatais, sugadas para abastecer campanhas eleitorais, partidos políticos e as propinas aos parlamentares para aprovação de projetos do governo. Não quero nem pensar em quanto está nos custando a barganha para a prorrogação da CPMF e a permanência de Renan Calheiros!

Passamos de colônia à democracia com as eleições diretas. Vejamos quantas mudanças isso nos trouxe: o povo escolhe, mas o governo (independente de qual seja) é obrigado a manter a roda da corrupção girando, a menos que tenha interesse, caráter e honestidade para não fazê-lo. Até hoje, nenhum teve.

A justiça... ah, a justiça. Era só para quem tivesse dinheiro, poder, influência, fosse amigo do rei ou todas as alternativas anteriores. Era?

A Lei Áurea, assinada há quase 120 anos, morreu de velhice e inanição. Ainda trabalhamos a troco de ticket alimentação, além de pagar impostos e manter a corte do rei.

Poderia dar uma passeada ainda pela educação, saúde, liberdade religiosa, sexual e de expressão. Todos os aspectos de uma sociedade que deveriam ter evoluído em 185 anos. Mas, melhor parar por aqui. Afinal, hoje é feriado, Dia da Pátria, vamos sair e comemorar a Independência do Brasil!

Em pensar que começamos nas mãos de um barbudo e continuamos do mesmo jeito!

Pena que não estou na Itália para dar adeus a Pavarotti. Este sim – mesmo que barbudo – sabia “gritar”...

sexta-feira, agosto 31, 2007

A pequena chama se apagou

A decisão do STF de acatar grande parte das denúncias contra os 40 envolvidos no esquema do mensalão foi uma vitória que comemorei por pouco tempo. Apostei que iria acontecer e acertei. Agora, começa de fato o julgamento e será uma longa história. Longa o suficiente até para que alguns dos crimes prescrevam no meio do caminho. Isso todo mundo sabe.

Mas a minha curta comemoração não foi por saber que possivelmente nenhum deles será condenado. Muito menos por uma jornalista atenta ter ouvido confissões de um ministro que disse ter sentido a “faca (da mídia) no pescoço”, ou porque a tendência era “amaciar para José Dirceu”. Não. Nada disso me espanta mais do que, no mesmo dia da decisão histórica do STF, um outro órgão judiciário ter decido manter – em cargo vitalício – um promotor que matou a tiros um jovem de 20 anos.

O mesmo Ministério Público que denunciou o promotor Thales Ferri Schoedl por homicídio qualificado, devolve a ele o cargo, o porte de arma, o julgamento em foro privilegiado e mantém o salário de 10 mil reais. Salário que, aliás, Thales só não recebeu entre 2004 e 2006 quando uma primeira decisão havia afastado o promotor do caso (R$ 284.352 que Thales pede na justiça referentes aos “salários atrasados”). Se não bastasse, o promotor assumirá o cargo na cidade de Jales, interior de São Paulo, onde a família da vítima possui muitos amigos. Thales atuará em casos civis e criminais.

Como um promotor que mata a tiros um jovem de 20 anos e fere outro numa discussão em uma festa pode julgar a culpabilidade de outra pessoa? Quantos pesos e medidas o nosso Ministério Público tem ao analisar um caso? O mesmo peso que usou para levar oito anos para exonerar do cargo o promotor Igor Ferreira? Igor matou a esposa grávida em 1996. Em 2001 foi condenado e só em 2006 foi exonerado. Igor foi condenado a 16 anos de prisão, mas nunca cumpriu um só dia porque está “foragido” desde o crime.

Eu poderia, hoje, estar comentando com alegria, a decisão de que o voto pela cassação de Renan Calheiros (no caso Mendes Júnior) será aberto; ou criticando a lentidão do Conselho de Ética em julgar um e não os três casos envolvendo o presidente do Senado; levantar a questão do suposto envolvimento de Calheiros com lavagem de dinheiro em contas no exterior (a mais nova denúncia contra ele); ou o próximo capítulo do Valerioduto que, em breve, chegará ao STF envolvendo o também senador Eduardo Azeredo. Mas nada disso tem valor quando uma família vê o assassino de seu filho nas ruas, andando armado e com a proteção da justiça.

O Órgão Especial do Colégio de Procuradores do Ministério Público de São Paulo, que devolveu a Thales o cargo de promotor, apagou a pequena chama de justiça que a sociedade tanto precisa e nos fez lembrar que ainda estamos no Brasil, o país onde as alegrias duram pouco. Muito pouco.

Guardem estes nomes: Fábio Modanez e Sônia Mendes Modanez pais de Diego Mondanez, assassinado pelo digníssimo promotor. Amanhã, estes nomes poderão ser os nossos.

sábado, agosto 25, 2007

STF x mensaleiros: o jogo do ano!

Se eu gostasse de futebol, estaria me sentindo em final de Campeonato Brasileiro com meu time na final. Ou, na Copa do Mundo, com o Brasil disputando a taça com a Argentina ou com a França e seu Zidane, sei lá, como disse, “se eu gostasse de futebol”. Deste esporte, gosto mesmo é do meu São Paulo.

A minha Copa do Mundo está sendo acompanhar o julgamento do STF quanto à denúncia dos quadrilheiros do mensalão. Um deleite. O flagrante do fotógrafo do jornal O Globo, Roberto Stuckert Filho, nas mensagens eletrônicas entre os ministros Ricardo Lewandovski e Carmen Lúcia foi um gol de bicicleta!

A atitude do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, de separar por capítulos a denúncia do Procurador Geral de República, Antonio Fernando de Souza, que tem mais de 400 páginas, foi outra jogada de mestre. Assim, o julgamento fica mais objetivo, com maior tendência de acatar as denúncias contra os acusados. Tanto é que 19 já se tornaram réus no processo.

O julgamento só deve terminar na terça-feira e até lá saberemos o futuro dos outros 21 denunciados. Se eu fosse participar de um bolão desta final, apostaria que o STF acatará a denúncia contra todos eles. Nem mesmo José Dirceu vai se livrar dessa. É bom lembrar que Dirceu pode ter se livrado de uma acusação mas, no total, ele é apontado pelo procurador-geral como chefe da organização criminosa, foi denunciado por formação de quadrilha, denunciado quatro vezes por peculato e nove vezes por corrupção ativa! Talvez alguns dos acusados se safem de um ou outro crime. Mais do que apostar, é que eu gostaria de ver.

Pesa sobre os ombros do STF o clamor da sociedade que se mostra intolerante à impunidade. E, convenhamos, acatar a denúncia, não seria tão difícil para o STF, já que transformá-los em réus não torna nenhum deles diferentes do que já são: culpados perante a sociedade. Tornando-os réus não muda a vida de nenhum dos envolvidos. No Brasil, ser processado não é sinal de culpa até o final do julgamento o que, neste caso, levará anos (senão décadas)!

Em tempo: se a informação da ministra Carmen Lúcia (flagrada por mensagem eletrônica) de que o colega Eros Grau não acataria a denúncia do Ministério Público for verdadeira, ele não teria esta chance já que o ministro sairia de licença para uma cirurgia. Eros Grau cancelou a cirurgia. Vamos ver o porquê no final do julgamento, que deve seguir até terça-feira.

Em tempo 2: enquanto os holofotes estão virados totalmente para o STF, o deputado Antônio Palocci será o relator do projeto de prorrogação da CPMF na Câmara, o que não é nada bom para o Brasil.

Em tempo 3: Ainda não engoli a história de que Collor afastou-se do cargo de senador para dar lugar ao primo, que será candidato a prefeito nas próximas eleições. Aí tem. Atenção alagoanos, fiquem de olho no que Collor fará nos 120 dias de licença. O grupo Collor de Melo, que também possui veículos de comunicação no estado, tem muitos interesses no caso Renan. Políticos e financeiros.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Eu posso falar mal do Lula!

Uma simples razão me leva a ter o direito de criticar o presidente Lula. Eu votei nele. Votei nele e no PT desde as eleições de 1989. Fiz duas campanhas políticas para o PT e arrastei milhares de votos comigo. Acreditava cegamente que havia muita verdade, honestidade, vontade política e caráter no partido e principalmente na figura de Lula.

Ainda me lembro da primeira entrevista que fiz com ele, em Poços de Caldas, Minas Gerais. Foi em 1994. Ele tinha um olhar profundo, desafiador, daqueles que você não consegue desviar e definitivamente acredita no que ele diz.

E é por tudo isso que me sinto no direito de falar o que eu quiser dele, do partido e do governo petista. O que esta tríade fez com o país e principalmente com aqueles que, como eu, neles confiavam, foi uma das piores traições políticas já vividas neste país.

Eram inadmissíveis corrupção, apadrinhamento, mensalão, ou qualquer coisa que fosse desonesto em governos petistas. Pelo menos era assim que eu fui levada a crer. Lula, para mim, não é melhor do que qualquer mercenário.

Não está em questão, aqui, questões econômicas, sociais, ou qualquer tipo de discurso pró-Lula. E olha que, mesmo assim, são muito discutíveis! Minha questão com ele é mais profunda, é de falta de caráter mesmo. Ética, transparência, honestidade e todas as coisas que ele pregava e se esperava de Lula.

Dois anos atrás, Peter Eigen, presidente da TI (Transparência Internacional) que mede o índice de corrupção em diversos países no mundo, disse que “Lula foi uma decepção”. Decepção? Lula é mais do que isso, é uma mentira. Um personagem criado pelo PT que passou a ter vida própria, interesses próprios e aprendeu a fazer o que há de pior na política. Ser igual.

Detalhe: quando Peter Eigen disse que Lula era uma "decepção" (em 2005) a crise no governo petista havia feito o Brasil perder três posições no ranking global de corrupção, caindo da 59ª para a 62ª posição. Um ano depois, o Brasil caiu ainda mais chegando a 70ª posição entre os 163 países pesquisados.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Por favor, vaiem o Lula!

Lula mostra, a cada dia, que tem um ponto fraco e de alvo fácil. O ego do metalúrgico que se tornou Presidente da República não suporta vaias e, pouco a pouco, elas estão desfazendo a máscara do “Lulinha Paz e Amor”. O discurso polido (quando escrito por assessores, é claro) está ficando para trás e dando lugar à vulgaridade, à falta de respeito e mostrando o verdadeiro Lula.

As vaias no Pan ficaram sem resposta, o que foi uma pena. Eu gostaria de saber qual besteira ele teria dito. Nos protestos seguintes, Lula atribuiu à meia dúzia de descontentes e chamou a briga para as ruas. Depois, provocou a elite dizendo “Os que estão vaiando deveriam estar aplaudindo porque ganharam muito dinheiro no meu governo”, referindo-se a banqueiros e empresários. Sem perceber, explicou o milagre do aumento do consumo no país. Com a facilidade dos empréstimos bancários - que encheu os bolsos dos bancos - a classe média e o trabalhador nunca compraram tanto e nunca estiveram tão endividados.

Mas, foi esta semana, que Lula mostrou o quanto é dissimulado e arrogante. Foi durante a inauguração de uma Unidade de Ensino, em Campos dos Goytacazes, no Rio. Um grupo de estudantes e professores, usando nariz de palhaço, vaiou o presidente. Com um sorriso cínico no rosto, Lula primeiro comparou os manifestantes aos atletas no banco de reserva torcendo para que o titular cometa um erro. De banco de reserva Lula entende. Ficou 20 anos em um, criticando, à espera de uma chance. O pior é que, quando conseguiu, não cumpriu metade do que prometeu. Principalmente nos quesitos transparência, honestidade e o fim da corrupção.

Depois, ofendeu os estudantes ao dizer que o público “é tão jovem e desprovido de consciência política, que usa nariz de palhaço, que é uma coisa alegre.” O que o presidente, desprovido de inteligência como é não entendeu, é que o brasileiro é sim um palhaço. Motivo de piada internacional, do Governo Federal, do Congresso, do PT e até da justiça.

Mas foi ao chamar os estudantes de “desprovidos de consciência política” que Lula expôs sua mais sincera opinião sobre o jovem deste país. Para ele o jovem é apenas uma mente manipulável. E disso, ele também entende bem. Durante anos, os chamados revolucionários manipularam milhares de jovens a pegar em armas em nome de uma ideologia falsa e, mais tarde, Lula e o seu bando do PT incentivaram-os a pintar suas caras pelo impeachment de um presidente.

Quanto mais Lula sofre vaias, mais mostra sua face cruel, mentirosa e ao mesmo tempo verdadeira. Espero que a sociedade vaie mais. Muito mais.

sexta-feira, agosto 10, 2007

As lições da semana

Lição 1:
Um avião com 15 parlamentares fazer um pouso forçado não é nada. Teria sido bom se este tivesse com um reverso desligado, sem freios, em pista curta, molhada e num dia de chuva. Exatamente para não passar por isso é que eles foram parar em Guarulhos e não em Congonhas, como previsto. O que eles sentiram dentro daquele avião não foi nada e, mesmo assim, ficaram apavorados! Quem sabe, agora, eles comecem a entender um pouco do que é o dia-a-dia de um brasileiro comum. Aliás, eles têm muito que aprender com a nossa gente.

Lição 2:
Orçamento. Quando uma família comum faz o orçamento do ano ela inclui estudo, moradia, comida, transporte, atendimento médico e por aí vai. O Ministério da Defesa, porém, faz diferente. Ele calcula o quanto deverá investir em Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos durante todo o ano de 2007 (2 milhões de reais) e usa em festas e homenagens em apenas 7 meses! Justamente entre os dois maiores acidentes aéreos da história do país! Se não bastasse, o novo Ministro da pasta diz que as companhias aéreas deveriam aumentar o tamanho das poltronas! Em que país estas pessoas vivem, hein?

Lição 3:
Efeito dominó. Por outro lado, até que seria bom. Aumenta a poltrona, diminui o número de passageiros, aumenta o preço da passagem, restringe os vôos às classes A e B, aumenta o preço das passagens de ônibus, aumenta o fluxo de veículos nas estradas, mata mais gente nas rodovias e aí, quem sabe, as novas pesquisas Datafolha comecem a mostrar a verdadeira imagem de Lula (aquele cujo avião nunca voa com o reverso desligado).

Lição 4:
Cartas na manga. Depois de ser expulso do baile, o ex-Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira resolveu dedurar a diretora da Anac. Pergunto: se ele sabia que Denise Abreu fazia lobby para levar o serviço de cargas para Ribeirão Preto e presentear amigos com 400 millhões de reais, por que ele não denunciou antes? Afinal, era obrigação dele, como presidente da Infraero, ou não? Isso me faz lembrar Roberto Jefferson... só quero ver se o brigadeiro terá o mesmo peito que Jefferson e se ele será processado (no mínimo) por omissão.

Lição 5:
Processo contra autoridade é besteira. Não é que Maluf conseguiu se livrar dos processos em São Paulo? Também, depois de 11 anos na gaveta, duvido até que alguém soubesse onde estavam. Mesmo destino terão outros processos. Contra Marcos Valério, por exemplo. O publicitário-caixa 2-empresário denunciado há mais de dois anos está tão de bem com a vida que até mudou o visual. Fez implante e está a cara de Renan Calheiros. Em tudo. Abandonou a publicidade e agora é pecuarista. Cria cavalos e gado numa fazenda cuja sede é uma mansão.

Lição 6:
Construindo o futuro. Aliás, se Valério quer ser copycat de Calheiros, está no caminho certo. Faltam apenas as concessões de rádios. Será que ele ainda não as tem?

segunda-feira, agosto 06, 2007

Um filme chato, cansativo e repugnante

Se o Brasil de hoje fosse um filme, seria uma obra sem direção, com um péssimo enredo, com muitos personagens e todos ruins. Nos dois sentidos. Os atores (com altíssimos cachês) nem se dão ao trabalho de fingir. Agem e pronto. Acredite neles se quiser! Enquanto outros, que deveriam agir, ficam às moscas, como se esquecessem suas deixas e não entram nunca em ação. Porém, antes mudo do que com péssimas falas. Dizer que tem "duas orelhas, uma para ouvir vaias e outra para os aplausos" e o "não sabia da extensão da crise (aérea)", como disse o protagonista do filme, soa-me como uma piada sem graça, absurda e infantil.

Mas não é um filme. O país está num caos (há muito tempo) que piora a cada dia. Quando um presidente chega ao cúmulo de dizer que "de rua ele entende", em resposta a um protesto "Fora Lula", como se tivesse sido chamado para uma briga de rua, Lula resumiu-se ao que ele é: um bronco cuja maior habilidade é a briga de rua, sem regra, sem escrúpulo e sem técnica, apenas um instinto selvagem de sobrevivência, a própria. Este é o presidente deste país. É o protagonista deste filme que somos forçados a assistir, gostando ou não.

Até Renan Calheiros está cansado. Bocejou longamente no segundo dia de trabalho depois do recesso. Não parece nem um pouco preocupado com o desenrolar das investigações contra ele. Em seu lugar, eu também não estaria. Num país como este?

Enquanto isso, a Polícia Federal vem com um requentado esquema de corrupção nos Correios. E com uma declaração incrível! Mesmo depois das denúncias na estatal, em 2005 (2005!!!), as fraudes nas licitações dentro da empresa continuaram. Jura? Eu nunca poderia imaginar... Assim como não poderia imaginar que outros aviões da TAM apresentassem problemas tão cedo, nem que as CPIs que investigam a crise aérea acabariam por se digladiar no primeiro brilho alheio. Se fosse o Senado a divulgar os dados das caixas-pretas, os deputados é que estariam gritando.

O filme é tão previsível em alguns aspectos que cansa mesmo. Porém, enquanto somos apenas nós, meros espectadores desta trama (que parece não chegar ao fim simplesmente por não ter um desfecho a apresentar), dá para entender. Não temos poder (nem direito) algum mesmo. Mas, a Ordem dos Advogados do Brasil dizer "Cansei"? Cansou de quê? Se pelo menos tivesse feito algo, mas não a vi em ação concreta contra nada do que estamos vendo. Nada! Onde está o pedido de impeachment que poderia (e deveria) ter feito?

Cansados estamos nós, de assistir a este filmezinho de custo elevadíssimo sem resultado algum. Cansados estamos nós de ver famílias destruídas por violências e tragédias entregarem pedidos de "atitude" ao presidente Lula (como se esta não fosse a obrigação dele e sim um favor).

A vida tornou-se tão banal neste país que praticamente três aviões como o Airbus A320 caíram no mês de julho e ninguém percebeu. Foram 669 mortes em acidentes, apenas nas estradas Federais. A imprudência, as péssimas condições das estradas e o aumento do número de veículos (graças ao caos aéreo) foram as principais causas destas mortes. Como sempre, uma "trágica conjunção de fatores".

A última vez que me senti tão enojada ao ver um filme foi em “Laranja Mecânica”, há vinte anos. E, hoje, comparo não só a minha reação ao filme como também os personagens. Lula é Alex. Começa como marginal e termina como marginal. Só que este foi um filme bom de ver e deve ser revisto, principalmente agora! Pena que, diferente do filme, não teremos a chance de revidar a Lula e a todos deste governo a violência que estamos sofrendo. O nosso filme é péssimo mesmo!

domingo, julho 22, 2007

Tragédia TAM: número indefinido de mortos

Não há como calcular o número de mortos na tragédia com o Airbus da TAM. Um acidente como este, assim como foi com o Boeing da Gol, em setembro do ano passado, não se calcula pelo número de corpos e sim pelo número de famílias, amigos e parentes atingidos pela tragédia. E este cálculo, infelizmente não tem número definido.

Meu choro, como mãe e cidadã, não significa nada perto do grito de desespero de Cristiane Bueno, a mãe que perdeu seus únicos dois filhos (apenas para citar um dos exemplos). Que vida poderá levar esta mãe depois desta tragédia? Que vida levarão todas as famílias que perderam tantos sonhos junto com aquela explosão? Todas elas morreram naquele dia. Poderão sobreviver à tragédia, mas jamais terão os mesmos sonhos, farão os mesmos planos, terão as mesmas esperanças. Tudo o que morreu com elas (além dos seus entes queridos), não terá retorno.

Suas vidas serão de lembranças. Um dia, porém, terão que renascer de alguma maneira. E elas renascerão, espero eu, com muita coragem e a força dos amigos e parentes. A pessoa é parte daquilo que a cerca. Ou, “daqueles” que a cercam. Quando este ambiente muda, com perdas tão grandes, esta pessoa precisa se redescobrir, começar de novo e isso não está nos cálculos da TAM ou da Infraero, está?

Por todos aqueles que enterraram seus parentes em setembro do ano passado, por todos estes que tentam enterrar as mais novas vítimas desta tragédia aérea, por todos nós brasileiros, possíveis vítimas num futuro vôo, que se faça alguma coisa!

Nada que seja para daqui a 10 anos, senhor presidente. É preciso fazer algo hoje, agora, já que nada foi feito quando deveria. Era preciso ter feito antes, muito antes daquele Boeing da Gol ter se despedaçado, pois o senhor, presidente Lula, foi informado das condições técnicas dos radares assim como das pressões sobre os controladores de vôos.

Era preciso ter feito também depois do acidente com o avião da Gol. E é preciso fazer algo agora! Não somos nós que temos que fazer, são as autoridades que têm nosso dinheiro para isso. São as empresas aéreas que lucram com cada passageiro que coloca sua vida em suas mãos.

Vocês têm que fazer alguma coisa! E isso não é um pedido. É uma ordem, escrita por mim, mas que – certamente – é também de todo o povo brasileiro, pois temos o direito de exigir alguma atitude concreta para que tragédias como estas não se repitam, nem daqui dez meses, nem daqui dez anos.

É nosso direito, é seu dever.

O fantasma de ACM

Não é porque ACM morreu que vou falar bem dele. Não. ACM não foi um político imaculado, mas também não posso negar que sua figura impressionou e que sua liderança fará falta. Mesmo afastado, ACM ainda era o "Senador Antônio Carlos Magalhães". Por isso, um homem como ele não morre. Deixa o corpo velho e cansado para viver em segredo.

ACM rondará o Senado, a Câmara, o Governo e a Bahia. Mas, por mais assombrado que seja não terá êxito. Não neste cenário e, acredito, nem nos próximos dez anos. Não há e nem haverá, tão cedo, alguém com a personalidade tão ambígua, forte, assustadora e necessária quanto à dele. Nem o filho, nem o neto.

ACM sabia passar da ternura à malvadeza nos momentos certos. Era um político. Por paixão e vocação. Fez tudo o que todos os políticos fizeram e fazem. Manipulou, mentiu, enriqueceu. Violou o painel e fugiu. Mas e daí? O que contarão, em se tratando de Antônio Carlos Magalhães, serão sua coragem, sabedoria e sagacidade. Ele teve força, bateu na mesa, gritou, urrou e amedrontou, quando foi preciso. Venceu batalhas e soube passar de um lado para o outro no momento oportuno. Foi um líder. E é esta figura que permanecerá.

A morte de ACM é a concretização de que os pilares da política estão ruindo. Enterrar as atitudes manipuladoras de ACM e sua certeza de que o dinheiro poderia comprar tudo (e todos) poderia ser um alívio, mas não é. Entre raríssimas exceções, ficam apenas os aprendizes que tomaram para si tudo aquilo pelo qual o "Senador Antônio Carlos Magalhães" não será lembrado.

Enterrar o velho coronel, somado a tudo pelo qual o Brasil vem passando, é um aviso: o país está morrendo aos poucos. A saúde pública está em estado terminal. A segurança mete medo. As professoras temem os alunos, e os pais, medo da doutrina política nas escolas. As rodovias, um perigo tão grande quanto o transporte aéreo e o governo mais sujo do que nunca, ao ponto de comemorar uma suposta isenção na tragédia com o Airbus da TAM.

É, povo brasileiro... nós nunca estivemos tão no limbo quanto hoje. Tanto, que ainda vamos sentir saudades do jeito ACM de ser.

quinta-feira, julho 19, 2007

Novas lições, velhas tristezas

A aviação, que fez com que tantas crianças e jovens sonhassem em se tornar pilotos e aeromoças, no Brasil é, hoje, sinônimo de medo, revolta, sofrimento e decepção. O sonho transformou-se em pesadelo em menos de dez meses, período em que dois acidentes mataram quase quatrocentas pessoas. Destruiu famílias inteiras, forçou o brasileiro comum a aprender, por exemplo, que um transponder não pode ser desligado e que uma pista de pousos e decolagens não deve ser liberada sem o grooving.

Estas novas lições jamais serão esquecidas, pelo menos por nós, cidadãos comuns que não pilotamos, não construímos pistas mas sofremos junto àqueles que perderam filhos, netos, pais, amigos, noivas, esposas...sonhos. O que, aparentemente, não aconteceu com aqueles que são responsáveis por evitar que novas tragédias acontecessem.

Uma lição antiga parece não ter sido aprendida pela própria TAM: um avião não deve voar com problemas no reverso! Esta, até nós já sabíamos, desde 1996, quando um Fokker-100 (da mesma TAM) caiu poucos minutos após a decolagem. A causa? Uma "rara combinação entre falha humana e mecânica", entre elas, defeito no reverso (que auxilia na frenagem durante o pouso). Neste caso, o reverso foi acionado durante o vôo causando a queda. Agora, a falha pode ter impossibilitado o pouso e matado mais de duzentas pessoas.

Tudo isso é assunto para investigação que, pra variar, vai levar à agonia famílias que mal conseguirão enterrar seus parentes, vítimas, provavelmente, de uma "combinação rara de vários erros". Afinal, esta também foi a conclusão da tragédia com o avião da Gol. O que impedirá que gora seja também a resposta para as duzentas vítimas do vôo 3054? "Falha mecânica e humana agravada pelo estado da pista e a chuva"... ficaremos sabendo, talvez, daqui a dez meses ou até dois anos.

Por que nós, que aprendemos as lições, vamos ter que repetir o ano? Seremos obrigados a acompanhar as degravações das caixas pretas, reconstituição do acidente, identificação dos corpos, enterros e mais enterros! Não somos obrigados a pagar pelos erros das autoridades!

Por que o governo preferiu investir quase 20 milhões de reais no embelezamento do Aeroporto de Congonhas, ao invés de garantir a segurança na pista? E da TAM que, mesmo sabendo que o Airbus havia apresentado problemas no reverso uma semana antes, nada fez, importando-se apenas em garantir mais vôos para a empresa? Por que a pista de Congonhas foi liberada antes de suas obras terminarem? Quem a liberou? Estas respostas serão meros esquivos, não convencerão e nem devolverão a vida àqueles que se foram por causa da imprudência e da ganância daqueles que deveriam cumprir o seu papel, que é o de garantir a segurança.

Penso em qual (e quando) será a nossa próxima lição... passou da hora de "eles" aprenderem algumas lições.

sexta-feira, julho 06, 2007

Jogo de cartas marcadas

Renan Calheiros está certo. Ele não deve mesmo renunciar.

Moralmente falando (se é que ainda existe um pouco de moral no Congresso), quando um senador ou deputado renuncia ao cargo diz à população que está interessado apenas em manter seus direitos políticos. E, moralmente falando, Renan Calheiros já foi exposto. Todos já sabem quem paga suas contas e a sua imensa (e mágica) capacidade como pecuarista. Resta a Calheiros esperar para ver quem terá coragem de abatê-lo. Assim como Renan, eu também estou pagando para ver o fim dessa história, até porque, o Presidente do Senado não deve ter apenas o "dossiê ignorado" (como auto-intitula o relatório de sua defesa). Devem ser vários os dossiês guardados em seus currais. E muita gente sabe disso. Não é à toa que o processo no Conselho de Ética apresenta irregularidades capazes de anulá-lo. Calheiros é forte como um touro!

Bem menos forte, Joaquim Roriz renunciou sozinho. Por enquanto. Gim Argello, que assumirá o lugar de Roriz, bebeu da mesma fonte e poderá ter que escolher, em breve, entre a cassação ou a renúncia. Creio em uma nova renúncia. Será que o ex-deputado e empresário, Wigberto Tartuce, e Nenê Constantino, dono da Gol, vão querer que este caso vá mais longe do que já foi? Creio que não.

Teriam que explicar muita coisa sobre a venda do tal terreno do governo do DF que, um ano depois, valorizou 170% graças a um projeto do então governador Roriz.. E, se Argello renunciar, quem aparece para substituir o substituto é ninguém menos que Marcos de Almeida Castro, irmão de Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido por livrar políticos de denúncias e é também amigo de José Dirceu. Precisa dizer mais alguma coisa? Precisa.

Se eles estão pouco ligando para a imagem "moral", o futuro das investigações criminais também não lhes importa muito. Elas têm rumo certo: a impunidade. Quem garante é a própria Associação dos Magistrados Brasileiros. Parecia piada, mas não era. Juízes fizeram manifestação contra a impunidade! Pois foi exatamente isso que aconteceu.

Diante de tanta indignação do povo brasileiro perante as denúncias (que parecem nunca ter fim - e não terão mesmo) e a falta de punição, os magistrados correram para se defender e só faltaram chorar. Disseram que o STF (Supremo Tribunal Federal) não condenou autoridade alguma, desde a Constituição de 1988, simplesmente porque não têm condições de julgar tantos processos. Na realidade, nenhuma autoridade foi condenada nos últimos 40 anos!

Das duas uma: ou temos políticos sujos demais ou as instituições julgadoras são incompetentes. Aposto em ambos.

Em uma coisa eu concordo com eles. Esse "foro privilegiado" tem que acabar. Aliás, isso mais parece um "forro" privilegiado, uma tenda onde eles se protegem da luz da verdade e da justiça. Por mim, acabaria também com essa tal Comissão de Ética. Existe uma suspeita de irregularidade envolvendo parlamentar? Ele deveria ser imediatamente afastado do cargo. De tanto usar a declaração de que alguém é "inocente até que se prove o contrário", o país está cheio de bandidos nas ruas, no Congresso e nos Governos.

Graças a tudo isso é que estamos vendo, hoje, o presidente do Senado envolvido em propina e transações pecuárias milagrosas, senadores repartindo um cheque de dois milhões de reais (o que também parece ser propina por uma transação imobiliária) e mais! Graças a isso, Lula pretende trazer de volta Silas Rondeau ao Ministério das Minas e Energia, suspeito de levar R$100 mil da Gautama.

Em pouco tempo teremos de volta também José Dirceu.

segunda-feira, julho 02, 2007

Hogwarts brasileira: o Congresso e seus feitiços

A escritora britânica J.K. Rowling tornou-se bilionária ao criar o bruxo Harry Potter, cuja vida está sentenciada a um confronto com o sanguinário bruxo Valdemort, que tentou matá-lo quando Potter tinha ainda um ano de vida. Enquanto o confronto final não acontece, Potter - assim como centenas de outros bruxos adolescentes - frequentam a escola de Hogwarts. Lá se aprende todas as poções e feitiços que se possa imaginar. A cada episódio Valdemort torna-se mais forte e Potter perde um a um de seus aliados.

Rowling diz que não há nada de mágico em seu processo de criação. Apenas espelhou-se na vida real. Acredito nela. Quem acompanha a série "Escândalos no Congresso Brasileiro" sabe que tudo é possível. Casos recentes mostram-se verdadeiramente mágicos. Com uma pitada de imaginação, qualquer um poderia ter criado uma Hogwarts brasileira.

O mais recente exemplo é o "feitiço" lançado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que permitiu-lhe escolher, convidar e desconvidar o relator do possível processo contra ele no Conselho de Ética. Algo inusitado para qualquer cidadão comum. Não tenho acesso aos livros de feitiços de Renan, mas posso imaginar que ele tenha usado o chantagius, aquele que revela os segredos de suas vítimas caso não realizem os seus desejos. Lição que, aliás, é uma das primeiras a ser aprendida na política brasileira.

Outra poção mágica usada por grande parte dos nossos políticos é a emprestimus amigus. O ex-presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, foi vítima desta poção quando pagou uma dívida de R$29,4 mil que o presidente Lula tinha com o PT. Pagou e nunca cobrou!

O presidente do conselho administrativo da Gol também parece ter tido um acesso de bondade ao sacar R$ 2,2 milhões do Banco de Brasília e teria emprestado R$300 mil ao senador Joaquim Roriz.

Enquanto Renan também não admitir que usou outro feitiço, o engordum bois, em seu rebanho para justificar sua renda extraordinária, ainda fica a versão de que o amigo Cláudio Gontijo paga, às cegas, as despesas extra-conjugais do senador.

Entre os mais mágico de todos os processos já vistos na Hogwarts Brasilis, está o sortis eternum, criado pelo finado João Alves. Cá entre nós, acertar 221 prêmios na loteria é sorte para toda a vida! Pena que ele levou a fórmula para o túmulo!

O que mais me preocupa, porém, é o memorius finitum, o que parece apagar a memória do povo brasileiro. Prova disso é a volta de personagens como Jader Barbalho, Fernando Collor, ACM, Paulo Maluf, João Arruda, entre outros.

O paralelo entre a ficção de Rowling e o nosso Congresso termina quando, aqui, não há Harry Potters, só Valdemorts e suas trapaças. O futuro de Potter e Valdemort ainda é um mistério que será conhecido em julho deste ano. A corja que ocupa o Congresso, porém, está longe de ter um fim, assim como suas mágicas inimagináveis.

sexta-feira, junho 15, 2007

Déjà vu

Se você, assim como eu, tem a sensação de estar revivendo situações, pode estar sofrendo do que eu chamo de Déjá vu à brasileira. Uma síndrome que vejo acontecer com muito mais freqüência aqui do que em outros países e que pode causar múltiplos transtornos. Por exemplo, não saber diferenciar o presente do passado. E, o que é pior. Ter a certeza de que será o mesmo no futuro.

Nas manchetes policiais, perdi as contas de quantas vezes li frases como estas:
"PF prende 30" (dias depois) "Justiça solta os 30 presos pela PF". (apenas os números mudam)

Na política:
"A denúncia é falsa e vou provar minha inocência"
"Eu nunca vi este senhor" (dias depois) "Estive com ele uma ou duas vezes"
"Conselho de ética analisa processo contra deputado" (dias depois) "Conselho de ética arquiva processo"
"Deputados aprovaram emenda em benefício de empresa" (Máfia das ambulâncias ou da Gautama?)
"Denúncia de caixa 2" (PSDB, PT ou Collor?)

As falas do presidente Lula são as que mais me confundem:
"Eu não sabia!"
"Fui traído"
"Ele é um homem de bem, confio nele até que se prove o contrário"(é sobre Dirceu, Genuíno, Delúbio, Duda Mendonça ou o irmão Vavá?)
"O Brasil nunca esteve tão bem"
"O brasileiro tem que parar de falar mal do seu país"
"Vamos parar de falar de violência"(isso foi anos atrás ou recentemente na campanha pelo Cristo Redentor?)

Não faltam exemplos. O que falta é um ponto final neste padrão. Não só neste, mas também nas falas repulsivas de muitas autoridades. Se é que, hoje em dia, pode-se chamar "político" de autoridade.

Depois do famoso "estupra, mas não mata" de Maluf e do "as mulheres de hoje trabalham deitadas e descansam em pé" de Clodovil, Marta Suplicy soltou o"relaxa e goza". Estamos baixando o nível das reprises ou é impressão minha? Pelo jeito, ainda teremos muito o que ouvir até o final do mandato Lula.

A sensação de Déjà vu teve outro episódio essa semana, com o adiamento (pela quarta vez) da posse de Mangabeira na Secretaria de Planejamento Estratégico. Dizem que será na terça-feira. O país do repeteco é também o da retaliação. Quem chamou o governo Lula de o mais corrupto da história e pediu o impeachment do presidente está sendo fritado antes mesmo de receber o cargo. Mas ele chega lá. Todos chegam!

Depois de analisar alguns destes flashes de memória, imagino que se eu acordar de um coma daqui a 19 anos, como o polonês Jan Grzebski, acredito que vou encontrar tudo na mesma, ou pior.

"Tira o tubo!"

quarta-feira, junho 13, 2007

Uma luz na escuridão

Ufa! Finalmente tem algo de bom acontecendo por aqui. Neste país, onde a justiça se vende tão facilmente, uma sentença deixou-me feliz. Deixaram a Míriam divulgar o nome da escola e da editora responsáveis por colocar em sala de aula apostilas "pornomarxistas". Para quem pegou o bonde andando, seguem os capítulos anteriores:

O fato foi citado no texto "Eles querem nossos filhos", publicado em abril, aqui no site. Míriam Macedo (jornalista, mãe e corajosa) encontrou vários textos com claras tendências esquerdistas nas apostilas usadas na escola de sua filha. Tirou a filha de 15 anos da escola e denunciou o fato na internet. A justiça a obrigou a omitir os nomes dos responsáveis pelo material "didático" e da escola. A revista Veja desta semana disse que a justiça, agora, recuou e decidiu que ela pode sim divulgar os mesmos. Se ela pode, todos nós podemos!

A decisão da justiça é uma migalha perto do prejuízo intelectual que este material poderia ter causado no solo fértil destes mentes ainda jovens. Mas, por uma migalha, solto rojões. Que triste comemorar uma simples autorização. Quisera eu estar comemorando o impeachment do presidente Lula, a condenação de todos os políticos envolvidos no mensalão, nas propinas de empreiteiras, ou simplesmente o cumprimento das leis. Porém, mais tristes ainda devem estar os diretores do COC (dono das apostilas) e do Colégio Pentágono de São Paulo, onde a filha de Míriam estudava. E certamente o estão, como relata um aluno do Ensino Médio da escola em questão.

Pedro de Castro Magalhães Gomes comentou o artigo deste site defendendo a reputação dos professores da escola neste episódio. O texto, muito bem escrito por sinal (digno de um professor ou até mesmo do dono da escola) me pareceu um formato padrão em resposta à Veja e à Míriam muito mais do que a mim, já que a maioria das citações que ele faz eu não havia sequer mencionado em meu artigo. Para quem o leu, verá que o caso "pornomarxista" é apenas um dos exemplos citados por mim do uso da sala de aula como palanque comunista.

Ao Pedro, meus respeitos aos seus sentimentos, embora a escola (mesmo que não faça uso total do material - como garante o aluno - e também possua professores capazes de orientar o jovem a pensar livremente ao invés de submeter-se a uma doutrina) continua sendo responsável pelo material que disponibiliza aos alunos. Ou uma escola não tem obrigação de verificar o conteúdo dos livros que impõe? Tanto se sente responsável que a escola não renovou o contrato com o COC!

O diretor do grupo COC também reconhece a imprudência. A menos que a revista Veja tenha inventado tal fala, Chaim Zaher, diretor do grupo, afirmou: "Erramos mesmo". Ele avisou ainda que fará uma revisão de suas apostilas usadas por 220.000 estudantes.

Como um náufrago que se apega ao primeiro sinal de salvamento, a simples vitória de Míriam na justiça me faz dormir um pouco mais aliviada. Há uma luz no fim do túnel. Um brinde à Míriam Macedo e à justiça.

Mas, só por hoje!