sexta-feira, agosto 10, 2012

Quando o melhor na TV é o mensalão...

fotos: ANDRÉ COELHO - O GLOBO
O mês de agosto começou com uma grande atração na TV: o julgamento do mensalão. Mas eu preciso explicar o meu entusiasmo diante das horas monótonas de falatório pomposo. 

Quando se mora no exterior, algumas situações corriqueiras se tornam uma odisséia; como ver televisão, por exemplo. A programação de TV, na Itália, não é melhor do que a dos canais abertos, no Brasil. Às vezes, passa um lixo “assistível”. Outras vezes, melhor nem comentar. Dá até dó de ver. Salvo alguns documentários históricos - eles possuem um acervo de imagens riquíssimo! - e poucos programas científicos investigativos (que estão de férias, infelizmente). Bendita a internet que veio salvar as nossas noites sufocantes desse verão de 40 graus! Para quem tem uma boa conexão em casa, dá para se ver muitos canais, sem contar os filmes online completos, no YouTube, e tantos outros sites de onde se podem baixar seriados, por exemplo.

Mas, agosto, é mês de mensalão! E lá vamos nós diante do computador, com direito a pipoca e Guaraná (comprado em lojas de indianos ou chineses, porque onde moro, não tem nos grandes supermercados), relembrar os bons tempos em que acompanhávamos de perto os acontecimentos na terra do verde e amarelo. No primeiro dia, ligeiro euforismo com o quebra pau entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandoswski. Alguns bons minutos depois, parecia sexo entre octogenários. Dá até pra tentar, mas não vai. Cansa, irrita e quase faz dormir! 

E não é que poderia ficar pior!? Sim, ficou. Com o passar dos dias, as sustentações orais dos advogados de defesa, além de intermináveis, foram se tornando vergonhosas. Não só pelos argumentos de defesa como também pela oratória mesmo. Pareciam crianças diante de uma classe cheia de estudantes e professores, tendo que apresentar o trabalho de casa, em voz alta. Até mesmo Lula, em seus discursos improvisados, faz melhor. Ou talvez, estejamos mais acostumados aos erros de concordância do sempre-eterno-presidente. Sei lá. Mas eu esperava mais dos melhores(!) criminalistas do país, no julgamento político-jurídico mais esperado dos últimos sete anos!

Depois de longas horas de tortura, com direito a menção à novela das oito e futebol, corríamos até o site da Veja online para acompanhar o debate sobre o julgamento. Mas nem isso durou muito. Assisti a dois, depois, falhou alguns dias e nem sei mais se vai continuar. Que pena, era uma das poucas coisas inteligentes que dava pra engolir. E olha que, a essa altura, já são mais de meia noite, por aqui, e lá estamos nós, fíéis aos interesses da nação! 

Falando sério, rapaziada, será que vamos ler nos livros de história política, daqui a algumas décadas, que o maior escândalo de corrupção que este país já viveu, durou mais de sete anos e, no final, nada foi provado? Duvido muito. Mas, infelizmente, o maior escândalo político envolve muitos interesses. Se forem condenados, perde o PT, em ano eleitoral! Se forem absolvidos, perde moral a justiça, nas figuras de Joaquim Barbosa e da Procuradoria Geral. Qual dos lados pesa mais? É o que vamos ver. Sinto que vamos empatar, o que seria o pior placar. Alguns serão condenados, mas não serão os políticos.

E o pior é que o final desta novela real já está escrito, literalmente! Tudo o que estamos vendo, hoje, neste julgamento, é encenação. De péssima qualidade, afinal, mas é verdade. É mera formalidade porque nada disso é novidade para os onze ministros que vão decidir quem paga e quem não paga a conta do mensalão. Os votos deles já estão, não só decididos, como escritos! Eles já conhecem os dois lados e com base nisso, já decidiram para que lado vão apitar. É como um jogo cujo placar já está definido antes de os jogadores entrarem em campo e, mesmo assim, os torcedores vão no estádio com suas bandeiras em punho.

Quer saber? Vou continuar com meus seriados, livros e filme online. Pelo menos, até começarem os próximos caítulos: a leitura dos votos dos ministros. A nova fase deve começar no dia 15/08 e, só pra se ter uma idéia, o primeiro a ler será Joaquim Barbosa, cujo voto tem cerca de mil páginas e deve durar quatro sessões. Espero que ele seja melhor do que os outros porque, senão, nem pipoca e nem guaraná. Vamos precisar mesmo é de viagra!

sábado, outubro 22, 2011

O dia do juízo final


O homem é arrastado, ferido, decadente e sujo. Implora por sua vida. Apela para um instinto de devoção que não existe mais. O grupo é impiedoso e a tortura parece pouca perto dos anos de violência com que ele comandara o país. Muamar Kadafi é empurrado, arrastado, pisoteado, colocado sobre o capô de um carro; é puxado novamente, visivelmente perturbado, chocado e finalmente, amedrontado. Sabia que era o fim, assim como sabem todos os ditadores que, acovardados, fogem ou se matam.


Somente os presentes sabem dizer o que realmente aconteceu naquele fim de manhã, em Sirte, na Líbia, quando o ditador foi assassinado. Baseado nos vídeos publicados na internet, podemos apenas ter uma noção fragmentada momentos finais. Oficialmente, ele foi atingido durante um tiroteio. Mas todos sabemos que esta versão não tem nada de verdadeiro. Está tudo na internet! Kadafi foi morto com um tiro à queima roupa, na cabeça, e pronto. Julgado, sentenciado e executado na rua, tão barbaramente quanto foram os seus 40 anos de poder.

Talvez, por eu não ser líbia ou não ter enterrado amigos e parentes vítimas de um ditador; talvez, por eu nunca ter vivido uma ditadura (por favor, não digam que tivemos ditadura no Brasil!!!) ou talvez porque as cenas de horror me assustam apenas quando são reais (não sei bem o motivo), eu tenha ficado incomodada ao ver as imagens de Kadafi sem suas vestes excêntricas ou seu ar arrogante, reduzido à roupas ensanguentadas e dorso quase nu.

Incomodou-me pensar que este é o início do futuro de um país. Um futuro que já foi traçado quando os países”ricos” se aliaram aos rebeldes e quando formou-se o Conselho Nacional de Transição. A bala que matou Kadafi foi apenas um projétil. A verdadeira mão que segurou a arma não importa, mais. A sentença daquele país foi definida muito tempo antes da Primavera Árabe.

Não só o futuro da Líbia, mas de todos os países onde o “povo” (certeza que é o povo?) tem se levantado contra os poderes autoritários do Oriente Médio, já está traçado. Infelizmente, creio que seja um futuro ainda sob outras ditaduras.

Entristeceu-me saber que o fim de Kadafi mostrou às crianças e aos jovens do mundo árabe como se faz justiça. Por outro lado, vale à pena esperar pela justiça?

Nefrologista Pedro Torrecilas,
acusado de matar José Faria Carneiro com um golpe de bisturi,
momentos antes da condenação (Foto Divulgação)

No mesmo dia em que Kadafi recebia a sentença, no Brasil, um outro julgamento entrava no terceiro dia e só terminou nos primeiros momentos do quarto dia, com uma condenção de 17 anos de prisão. Os réus eram três médicos acusados de matar quatro pacientes para retirar-lhes os órgãos. Na verdade, segundo as denúncias, os pacientes estavam vivos enquanto os médicos forjavam provas de que estariam mortos somente para oferecer seus órgãos no mercado negro. Algumas vezes nem se preocupavam em forjar nada. Uma enfermeira contou, em juízo, que um dos pacientes se debatia na mesa de cirurgia enquanto seus rins eram retirados. O paciente só morreu quando o médico enfiou o bisturi e o deixou sangrar, dizendo à enfermeira “é assim que se faz”.

Matar uma pessoa, quatro ou milhares. Tem diferença? Requinte de crueldade dentro de um hospital ou nas ruas, tem diferença? O meu filho, o seu ou o de um líbio, tem diferença?

As famílias das vítimas dos médicos esperaram quase 30 anos para ver a condenação dos “doutores” acusados. Trinta anos! Provavelmente alguns parentes morreram enquanto os médicos - mesmo respondendo o processo - exerciam suas profissões, viajavam com suas famílias, envelheciam ao lado dos parentes e amigos. Um futuro que não foi permitido às quatro pessoas assassinadas no hospital de Taubaté. E, mesmo com a condenação, as famílias não verão os médicos atrás das grades. Todos poderão recorrer da sentença em liberdade! Quantos anos mais isso vai levar?

Ao menos Kadafi teve a sentença em um curto prazo. Julgamento feito, sentença proferida e executada. Simples assim, o que me leva à pergunta do dia (ou duas): os meios justificam o fim? Kadafi seria sentenciado à morte do mesmo jeito, então, qual o sentido de esperar pelo julgamento?

Talvez, se as imagens de Kadafi ferido, vulnerável e depois morto, não tivessem girado o mundo; talvez se eu não as tivesse visto não me daria conta da violência explícita e, sabendo apenas que ele havia sido assassinado, teria pensado “bom, era de se esperar”. Mas não foi assim. O fim de Kadafi me faz pensar que aquele país continuará semeando a violência e que os jovens continuarão achando que o sangue é a melhor maneira de se lavar a alma.

Talvez, se os médicos tivessem sido condenados e saído algemados direto para uma penitenciária, eu teria me importado menos com o recurso e a encenação toda de desmaio da parte de um dos “doutores”.

Eu apenas esperava algo mais do juízo final. Tanto de um lado, quanto do outro. Mas ambos os países não vão mudar.

sexta-feira, setembro 02, 2011

É, na Itália é assim!

Algumas coisas na Itália me irritam muito e uma delas se chama Política! Tal qual em todos os países do mundo, o governo tem que ter jogo de cintura para fazer aprovar as suas medidas. E isso leva tempo. Em se tratando de Itália, leva o dobro do tempo. Felizmente, a lentidão italiana não está incomodando só a mim ou aos contribuintes, mas aos investidores também. Digo felizmente porque a Itália está precisando de um choque para sair da estagnação que se encontra e que só piora com os péssimos hábitos da política italiana.

Um comentário do economista-chefe para Europa da Jefferies International, David Owen, me fez rir. “Esperava-se uma reação mais rápida da Itália no sentido de apresentar um plano com credibilidade para melhorar a tendência de crescimento no longo prazo, mas isso não aconteceu". Rapidez é uma palavra que a Itália desconhece. Contudo, existe uma linha quase invisível entre o divertido e o inquietante.

A Itália tem a terceira maior dívida do mundo, beirando aos 120% do PIB. O primeiro é o Japão, com 220,3% do PIB (agravada pelo terremoto e pelo tsunami no início deste ano), seguido da famosa Grécia, com 138,6% do PIB no vermelho. A dívida brasileira está em 50,1% do PIB, segundo o último levantamento do Goldman Sachs. Berlusconi precisava já ter estabelecido um plano econômico decente para sair das primeiras posições deste ranking, mas não consegue. Nas últimas semanas, a proposta já mudou três vezes e acho que ainda mudará mais. Com a longa espera, o Banco Central Europeu já se arrependeu de ter comprado títulos italianos, que só ajudou a aliviar a pressão e reforçar o comodismo, dizem os especialistas.

Sem querer entrar em detalhes, porque não sou economista, apenas uma residente na Itália, algumas coisas me parecem um tanto estranhas. Dizer que não vai mexer no bolso do italiano é conversinha para tentar agradar os contribuintes que, a este ponto, não são mais ingênuos e sabem bem quem terá que pagar parte desta dívida, por mais que isso seja revoltante. Um dos exemplos é a Robin Hood Tax, que agora cairá sobre as empresas do setor energético que, obviamente, será repassada para o cidadão. Uma taxa que cai, inclusive, sobre as empresas de distribuição de gás, um serviço que já pesa muito no orçamento.

Entre as mais novas mudanças está a prisão para os grandes sonegadores fiscais. Digo grandes mesmo! Os que sonegam mais de três milhões de euros! O governo espera apertar o cerco contra a sonegação e aumentar a receita. Não a sua própria, mas a das prefeituras que terão liberdade (obrigação e interesse) em fiscalizar a sonegação e o que for recuperado irá 100% para os cofres públicos locais.

A medida veio para substituir uma proposta do governo chamada “contribuição de solidariedade”, que era um imposto de 5% para quem tem renda superior a 90mil euros por ano (7500 ao mês) e de 10% para os de renda superior a 150mil euros ao ano (12.500 ao mês). Posso garantir que já a primeira categoria tem sido uma raridade na Itália do século XXI (em 2009, 90% da população não chegavam aos 34 mil euros ao ano). Talvez tenham feito os cálculos e visto que poucos pagariam a tal contribuição e decidiram nivelar todo mundo, dificultar a sonegação para todos, com alvo principalmente no sul do país, responsável por 65,7% dos casos.

O problema é que os pequenos sonegadores pagarão mais impostos não sonegando enquanto os grandes vão encontrar outros modos de desviar os milhões. Alguém duvida?

Oficialmente, uma em cada cinco famílias na Itália não consegue chegar até o final do mês. Oficialmente! Porque uma das coisas que chamam a atenção nas ruas (e para o fisco) é a quantidade de carros e patrimônios luxuosos que não condizem com o padrão de renda. O jeito é fiscalizar, começando, pelo que tudo indica, lá em baixo no mapa.

Enquanto isso, o tempo está passando e a incerteza abala a credibilidade do país. Eu, que estou na Itália há três anos, já percebi que o italiano, em geral, é confuso e prolixo. O que se esperava de Berlusconi e das dezenas de grupos que o governo tem que contentar antes de decidir o que realmente vai fazer? Agilidade?

Talvez sim, visto a urgência da situação, mas, acima de tudo seriedade, objetividade, honestidade, coragem e determinação. E continuamos esperando.

sábado, agosto 13, 2011

Motivação, desculpa e oportunidade

Durante toda a semana, a Inglaterra esteve de joelhos diante dos inúmeros ataques sofridos em várias cidades da ilha. Sociólogos tentam explicar o porquê de tanto vandalismo. Alguma motivação existe, é óbvio, é uma questão de física! Mas, motivação não pode ser usada como desculpa para violência e vandalismo. O estopim, que teria sido a morte de um homem negro durante uma ação policial, nunca foi o motivo da confusão que se instalou nos dias seguintes. (leia mais...)

quinta-feira, junho 09, 2011

STF libera Battisti e condena brasileiros do bem


Ligo a televisão. Horário nobre, telejornais começando e sinto um nó na garganta. Durante mais de trinta minutos só falam da decisão do STF em liberar Battisti. E quem sabe o quanto isso significa em rede nacional pode ter idéia do peso que a Itália está dando para a liberação do terrorista.

Sinto um misto de vergonha e medo. Um misto de raiva e pena. Um coquetel de sentimentos que, em teoria, não deveria nem tê-los. Mas tenho.

Sinto, penso e choro com as vítimas vivas, parentes dos que morreram nas mãos ou a mando de Cesare Battisti.

Vítimas como Maurizio Campagna(foto1), irmão de Andrea Campagna
(assassinado por Battisti na frente do futuro sogro, aos 25 anos).

Vítimas como Adriano Sabbadin(foto 2), filho de Lino Sabbadin, que tinha 17 anos quando viu o pai ser assassinado por mandantes de Battisti. Adriano que, em janeiro deste ano, mandou uma carta à Dilma Roussef pedindo justiça. Pobre Adriano, não sabia que Dilma é tão terrorista quanto o assassino de seu pai.


Vítimas como Alessandro (foto 3), filho de Antonio Santoro, agente penitenciário e primeira vítima do homicida.

Vítimas como a família de Perluigi Torregiane, comerciante que reagiu aos tiros disparados a mando de Battisti. Tiros que
condenaram Alberto (foto 4) à cadeira de rodas, filho de Perluigi, que tinha quase 15 anos e saía da joalheria com o pai.


Jornais, televisão e sites falam em boicotar produtos brasileiros e a Copa de 2014, em caçar duplas cidadanias e fechar embaixadas.

Apenas falam, porque (apesar de tudo) a população não concorda. Dizem que é uma disputa a ser feita nos tribunais e na área diplomática, não contra os cidadãos brasileiros. Mais uma lição!

Mesmo assim, não me sinto mais tão à vontade neste país que eu tanto amo. Nem eu e nem os brasileiros do bem que conheço. Hoje, se tivesse que renunciar à cidadania brasileira para continuar na Itália, não pensaria duas vezes. Não somente pela decisão do STF, mas principalmente pela falta de futuro no Brasil.

STF e governo, ao libertarem Battisti, condenaram os brasileiros a toda esta vergonha. Eu sinto, e muita!

sábado, maio 21, 2011

Preconceito ou não?

Nunca me considerei uma pessoa preconceituosa. Ao contrário. Sempre achei que respeitasse todas as pessoas, classes sociais, gêneros e cor de pele igualmente. Mas, esta semana comecei a colocar esta imparcialidade em xeque. Ver esta foto de dois garotinhos que inocentemente se beijam sendo usada para uma campanha contra a homofobia eu acho um pouco demais. Se fossem duas meninas, seria menos chocante? Se fosse usada para outro tema como a paz, por exemplo, me chatearia menos? (continua aqui...)

segunda-feira, maio 16, 2011

Recriando os limites


Respeito é algo que se pratica diariamente. E exigí-lo é mais do que um direito. É um dever para deixarmos um futuro melhor para nossos filhos. Infelizmente, vivemos em uma sociedade que perdeu os limites, parâmetros, exemplos... (continua aqui)

sábado, abril 02, 2011

Invasão de domicílio



Imagine você, tranquilo na sua casa, com sua família e seus filhos, vivendo dentro daquele orçamento apertado, mas sobrevivendo. Até que, um dia, dez pessoas abrem a porta da sua casa (sem bater mesmo) e se acomodam no sofá, no chão da cozinha, no banheiro, do jeito que der, simplesmente porque eles não têm onde morar, nem o que comer. Em princípio, você pode até sentir-se tocado por isso, tentar ajudar de alguma maneira, mas depois de algum tempo, vendo que os necessitados nem sequer limpam a sua própria sujeira, comem da sua comida e ainda reclamam, como você se sentiria? Gostou da sensação?


Pois é sso o que vivem os moradores da pequena ilha de Lampedusa, na Itália.


Lampedusa fica mais perto da África do que do próprio continente italiano. Cerca de 100km de um lado para 200Km do outro. Por isso, é alvo de desembarque diário de barcos vindos do norte da África recheados de refugiados que querem uma vida melhor. Pelo menos é o que dizem. Chegaremos lá mais adiante.


A ilha possui pouco mais de 5 mil habitantes, em sua maioria pescadores e agricultores. Mas a ilha mais que dobrou de habitantes só no mês de março deste ano, quando chegaram cerca de 8 mil tunisianos divididos em dezenas de barcos! Oito mil em um mês, mais do que toda a população da ilha!


As autoridades italianas têm que analisar cada caso, dar asilo político aos que necessitam e repatriar outro tanto. Mas isso leva tempo. Tempo que nem os imigrantes e muito menos os moradores de Lampedusa estão dispostos a esperar. Manifestações de intolerância se misturam às de solidariedade. Moradores que levam comida aos refugiados e os que ficam de guarda nos arredores dos centros de acolhimento tentando evitar que muitos refugiados fujam antes que seus casos sejam julgados.


De todos os tunisianos que chegaram na Itália nos últimos meses (cerca de 40mil em seis meses), mais de 10% deles é procurado pela justiça daquele país. Outros já têm várias passagens pela Itália com antecedentes nada bons, mas que contam sempre com a sorte de passar por uma barreira, fugir na multidão e - de novo - tentar a vida por aqui. Nesta semana, 1300 imigrantes que estavam no centro de acolhença forçaram os portões de fora e fugiram! Foram para a praça da cidade pedir para não serem enviados de volta à Tunísia (foto). Muitos moradores de Lampedusa aplaudiram! Enquanto a polícia não conseguia conter a multidão. Ao final, mais de 300 tinham fugido.


Lampedusa não tem mais condição de abrigar mais ninguém! O que fazer? Distribuir toda essa gente pela Itália, um país que já sofre a falta de emprego e até falta de lugar nas escolas, pode ficar ainda pior. Pode, mas não vai. Muitos prefeitos já fecharam as portas de suas cidades para a implantação de acampamentos que abrigam os imigrantes.


Muitos nem querem ficar na Itália, querer ir para a França encontrar parentes. Mas Sarkozy já fechou as portas para eles e mandou dezenas deles de volta. Pra onde? Pra Itália! De onde "partiram". Desculpe, mas eles partiram da Tunísia!


A Espanha já tratou de criar um bloqueio marítimo para conter a entrada dos imigrantes ilegais vindos do norte da África. Enquanto aqui, são despejados, diariamente, centenas de pessoas...


Semana que vem, Berlusconi vai à Tunísia cobrar um acordo, que já tinha sido feito com aquele país, de conter a saída do povo. Um povo que, aliás, deveria aproveitar agora e reerguer o seu país, depois das recentes mudanças que vão implantar a democracia!!! Ou não é bem assim? Aliás, nada é o que parece ser nestes países que recentemente abriram guerra contra as ditaduras locais. Tenho minhas suspeitas de todo este movimento que está acontecendo nos países norte-africanos, mas isso é assunto para depois.


Enquanto isso, espero ansiosamente pelo encontro no parlamento europeu, dia 11 de abril, quando o assunto será discutido e - espero - haverá um acordo com todos os países europeus para receber os imigrantes norte-africanos. Mas duvido muito ter boas notícias. Não para o caso dos tunisianos. Talvez, para os futuros desembarques vindos da Libia. Aliás, ouvi do próprio ministro da defesa italiano que a Itália "aceitou" ser aliada aos Estados Unidos na interferência no conflito na Líbia porque parte dos refugiados líbios seriam enviados aos States... é o que veremos!


Vendo tudo isso de perto, o ponto de vista sobre refugiados e oportunistas muda um pouco. Dificilmente quem mora no Brasil, por exemplo, vai saber exatamente o que é viver este tipo de situação.


Separar o joio do trigo não é assim tão fácil. E fica cada vez mais difícil.

sábado, fevereiro 26, 2011

Lei da sobrevivência



A Itália vive, hoje, uma economia estagnada. De um lado, a política está parada tentando derrubar o Berlusconi com seus escândalos cada vez mais juvenis, movimentando multidões em praça pública usando como bandeira a luta pelos direitos da mulher. A causa pode ser louvável, mas o uso político de tudo isso é de dar mais nojo do que as próprias aventuras e citações do premier.


Do outro, os bancos fecham cada vez mais as portas e os financiamentos para as empresas. O desemprego cresce, o italiano procura vagas de empregos "inferiores" ocupados por imigrantes que, por consequência, acabam sendo vistos com olhos cada vez mais tortos.


Mas todo ser vivo só perde a batalha quando para de lutar. Mesmo quando pensamos que não existe uma saída, eis que surge una nova ideia, um caminho, um atalho, qualquer coisa que nos mantenha em pé por mais uma hora, duas, um dia inteiro e assim vai.


E eis que surge uma saída (para quem pode!): Fazer as malas e ir para a Suíça!


Cada ano, mais e mais empresas italianas estão se transferindo para o país vizinho onde as taxas de 18% a 23% são extremamente convidativas, em comparação com a média de 43% que paga em média uma pequena indústria, na Itália.Além disso, galpão para uso gratuito por 90 anos. E mais! Dependendo do número de funcionários, as taxas podem chegar a zero. Quanto mais empregos você criar, menos taxas pagará.


Os incentivos são enormes se somarmos ainda à qualidade de vida, investimento na saúde e educação que um país como a Suíça pode oferecer a uma família que tem filhos e se preocupa com o futuro dos mesmos e não apenas com a crise emergencial. Ah! E a burocracia italiana, lá não tem. Em 15 dias o governo suíço coloca todos os papéis em dia para a transferência da empresa e de todo o pessoal para lá.


Com isso, na Itália, se vê cada vez mais placas de "aluga-se" e "vende-se" onde, até pouco tempo atrás, existia uma empresa, uma fábrica, uma pequena indústria, uma loja, um escritório. É triste, é desmotivante, mas nem toda a economia está falida, na Itália.


A CNA (Confederação Nacional do Artesão, da Pequena e Média Empresa) oferece um incentivo de 25 mil euros (quase R$ 60 mil) para uma mulher que deseja começar o próprio negócio. Financiamento a juros zero e com até cinco anos para pagar. Se a mulher precisar comprar um veículo (carro, moto ou furgão) para a atividade, o custo do bem pode ser abatido nos impostos futuros que vier a pagar!


A explicação é simples. Com o desemprego aumentando nas fábricas e no setor de construção civil - cuja mão de obra é basicamente masculina - as mulheres se tornaram a única alternativa de renda dentro de casa. Sem muita oferta de empregos, o governo decidiu investir na capacidade feminina de gerenciamento. Hoje, em média, 25% das empresas italianas são "rosa". E, mal ou bem, estão colocando comida dentro de casa.


Apesar de toda a lamentação de um pequeno grupo que prefere esperar a crise passar, ou esperar que os bancos façam alguma coisa, outros estão buscando alternativas, procurando ser criativos e otimistas porque, afinal, "Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade; um otimista vê uma oportunidade em cada dificuldade" (Winston Churcill).


E viva o otimismo!

domingo, janeiro 30, 2011

Itália: o Brasil de cabeça para baixo


Quando se fala em poder aquisitivo e problemas sociais, no Brasil, impossível não dividir o país em duas partes. De Minas para cima e de Minas para baixo. Pega-se, portanto, o Brasil e vire-o de ponta cabeça: eis a Itália!

O clima no norte e nordeste brasileiro, com suas belas praias, é mais uma característica em comum com o Sul da Itália. O povo mais alegre e barulhento, idem. Mas o que mais chama a atenção é a condição social. Desemprego, pobreza, submissão e dependência do governo/máfia são outras similaridades, que ficaram ainda mais claras, esta semana.

Uma pesquisa do Instituto Euripes, de Roma, fez um raio X da sociedade italiana e o seu relacionamento com as instituições, é a Rapporto Italia 2011. Ela revelou, entre muitas outras coisas, que pouco mais da metade dos jovens italianos (50,9%) deixariam o pais com prazer, por causa da falta de trabalho, da falta de consciência cívica e da grande corrupção. Porém, a coisa muda de figura quando a resposta vem somente do sul da Itália, onde os problemas sociais são ainda mais graves, mas eles se recusariam a deixar o próprio país!

Por quê? Esta é a pergunta da vez. Por que o italiano que mais sofre dificuldades, aparentemente, ama mais o seu país? No Sul, a precariedade na educação, na saúde, no transporte e nas obras públicas é o retrato de uma Itália totalmente diferente do centro para cima. A pergunta é válida também para o Brasil. Por que o brasileiro pasta tanto e, mesmo assim, defende o país como se fosse o melhor lugar do mundo?

Penso que, infelizmente, a resposta seja simples, pouco romântica e bem realista.

Dos que se dizem insatisfeitos, os que não querem deixar o país, ou são coniventes com as suas facilidades ou realmente não possuem a menor condição de sobreviver fora do habitat natural. Por falta de cultura, por falta de coragem, falta de motivação. Ausências cuja causa foram anos e anos de massacre psicológico. O sujeito simplesmente não se sente capaz! É o caso clássico da mulher vítima de violência doméstica.

A segunda pergunta da vez é: quem reerguerá ambos os países? O futuro da Itália está nas mãos dos jovens entre 25 e 34 anos que está descontente com o próprio país e que o deixaria imediatamente (os destinos mais escolhidos são: França, Estados Unidos e Espanha... nada mal, hein!).

E o destino do Brasil, está nas mãos de quem? Pelo resultado das ultimas eleições, está nas mãos dos eleitores de Dilma.

Não sei quem está pior...

sábado, dezembro 18, 2010

Polêmica no ar

Cheiro de tramóia no ar... por que a Alitalia desistiria de comprar 20 aviões que seria fabricados na Itália (pela Alenia, em parceria com a empresa russa Sukhoi) por aviões fabricados no Brasil e ainda por cima mais caros? Qualidade? Não acredito...

Berlusconi e Lula estão tramando alguma coisa... uma troca de favores? Vai saber... tem muita gente que não está gostando nada disso!!!

Em tempos de crise, com o país querendo e precisando aquecer o mercado e criar empregos, importar os aviões com preços mais caros?

Por que eu tenho a sensação de que tem coisa estranha aí? Será que Battisti vale 20 aviões?

Sei não...vamos ver se os sincidatos italianos vão fazer alguma coisa.

Leia a notícia aqui, pelo Corriere della Sera.

(foto: Rocco Sabelli, Alitalia (Newpress))

domingo, novembro 28, 2010

Rio: uma triste mentira. Será?



O que ainda dizer sobre a confusão que se instalou no Rio de Janeiro, na última semana? Ainda não ficou claro que tudo isso já era esperado? O que ainda não ficou claro é: o que é real e o que é teatro.

Pelo menos, para mim, este limite ainda é um tanto nebuloso. Dizer que bandido e moçinho não se falam, não combinam as estratégias, não entram em acordo, é o mesmo que dizer que o PT é o partido mais transparente deste país!

Pensem comigo: imaginem um morro cheio de bandidos acuados (diziam entre 500 e 600 traficantes escondidos!). Tanques de guerra e soldados começam a fechar o cerco. Se tudo isso fosse verdade, sendo o bandido extremamente mais armado do que a polícia, o que você acha que aconteceria?

Seguem algumas alternativas:

1- contra ataque em massa, morte e sangue pra todo lado
2- fuga em massa (que já tínhamos visto dias antes e a polícia nada "pôde fazer" - foto)
3- ataques pela cidade, a fim de manter a sociedade refém, uma ameaça contra a tomada do morro pelas forças armadas;
4- toneladas de armamentos sendo apreendidas
5- toneladas de drogas sendo apreendidas;

E o que vimos?

A polícia subindo, quase pacificamente o morro, pouco bandido para prender e um pouco de droga deixada para trás para satisfazer a vontade da população e da mídia. Convenhamos. O Complexo do Alemão, o centro neural do tráfico do Rio de Janeiro, formado por 13 favelas, com quase 70 mil habitantes e um dos maiores laboratórios de transformação de drogas do mundo, depois de invadido, ter um saldo de 20 prisões, alguns fusis e alguns sacos de droga? E você, se satisfaz com isso?

Será que a polícia, enquanto fazia show para as emissoras de TV do Brasil e do mundo, estava, na realidade, deixando que o bandido fugisse (conforme combinado e conforme registrado pela própria TV)?

Quanto será que custou ao governo estadual e federal todo este show? Não digo em munição ou em vidas, pq isso é caixa pequeno para governos e bandidos. Quanto será que foi pago ao tráfico para que o mundo visse que o Complexo do Alemão esta sendo "tomado" pela ordem, com direito à bandeira estiada e tudo mais?

Ainda estou no aguardo do saldo real, não do quanto pagamos aos bandidos por este show (pq isso, nunca vamos saber), mas para onde se transferiu o crime organizado. Ou você realmente acredita que a paz foi instaurada no Rio de Janeiro?

Esta é a maior utopia desde a caçada aos marajás instalada por Collor!

Sabe o que me deixa mais irritada? Saber que poderia ter sido tudo verdadeiro! A polícia, exército, Bope e todos os capitães Nascimentos do país poderiam combater o crime organizado. Poderiam, mas não fazem. E não fazem, porque não podem. Deu pra entender? Enquanto isso, a população que acredita em toda esta ação, se sente mais segura, agradece a polícia e não pensa que, em breve, tudo vai voltar como antes. É o efeito paleativo no crime.

É preciso muito mais do que uma operação midiática para ocupar o Complexo do Alemão, infelizmente. Vamos ver se ao menos, para evitar que os bandidos voltem, o poder público ofereça à população - pelo menos - educação e emprego, para que, ao menos estas pessoas, não voltem para as mãos do tráfico e (atenção!) nem para as mãos da milícia ou de qualquer outro tipo de crime organizado!

Mas isso, é uma outra história... ou seria parte da mesma?

Aguardemos os próximos capítulos.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Búlgaras de verdade

Tenho que admitir: Dilma Russeff salvou a minha vida!

Devo meu retorno ao blog, a esta mulher. Senti que Dilma me puxou para fora de um terreno movediço. Estava eu, atolada entre toneladas de carnes congeladas e siglas como FOB, C&F, CIF, EXW, CPT, CMR, BL (se voce não entendeu nada, não se preocupe, eu levei algumas semanas pra conseguir respirar no meio de tudo isso. São alguns dos conceitos do comércio exterior, novo caminho pelo qual estou trilhando há três meses). Mas eis que surge Dilma e sua boca maldita!

Ao ler suas declarações pós-vitória, senti-me como Neo, em Matrix, sendo puxado para o mundo real. Talvez porque eu esteja mais próxima de outras nacionalidades, vejo e respeito mais o mundo fora das cercas deste curral chamado Brasil.

Depois que a imprensa descobriu que Pétar Roussef, pai de Dilma, nasceu em Gabrovo, na Bulgária, que não faz outra coisa senão dizer o quanto os búlgaros devem estar orgulhosos desta mulher que venceu as eleições no Brasil. Em Gabrovo, até organizaram uma exposição com fotos da família de Dilma! Sim, sim, sim... quanto orgulho. Para uma cidade de 60 mil habitantes, cuja filha de um dos habitantes chega à presidência de um país - mesmo que nunca tenha ido à Bulgária - pode ser mesmo um motivo de festa! Mas as notícias não me convencem. Por isso, decidi conversar com Rosi Dimitrova, uma verdadeira búlgara e colega de trabalho.

Ela, na Bulgária. Eu, na Itália. E viva o mundo moderno, sem fronteira, com internet e Skype para se fazer "gran business", como diz minha outra colega, Agnes, da Hungria. Falaremos sobre ela e as outras vinte estrangeiras com quem trabalho, mais tarde.

Voltemos a Rosi, à Bulgaria e à Dilma. Durante alguns minutos, Rosi e eu conversamos sobre Dilma, a nova musa da Bulgária (pelo menos foi isso o que a imprensa brasileira me fez acreditar!).

"Nunca tinha ouvido falar nela", me responde.

Insisto. "Mas dizem que ela agora é famosa na Bulgária, não? Ela disse até que deve ser a única búlgara a fazer sucesso fora da Bulgária!"

"Ah,não... quer saber, não me interesso nem um pouco por ela."

"Se não fosse tão prepotente eu até gostaria dela. Mas a este ponto, que se dane." Conclui Inna, outra colega búlgara, com um gesto, um olhar e um tom de voz de tamanho desprezo que fez o meu almoço mais apetitoso do que nunca!

Estas são algumas das búlgaras das quais a imprensa brasileira não quer falar. Pelo mesmo motivo que não falam dos 79 milhões de brasileiros que não votaram em Dilma. Pelo mesmo motivo que não dizem a que preço Lula elegeu Dilma. Quanto pagou aos jornalistas (dentro e fora do Brasil), aos deputados, senadores, partidos políticos, juízes e inclusive ao povo mais carente daquele país.

E dá pra entender. Dilma é agora a mulher mais poderosa do Brasil, a mulher que terá (como Lula) todo o dinheiro para comprar tudo e todos. Será ela a governar um país que sobrevive da mentira, da máscara do país das maravilhas em pleno desenvolvimento econômico. Será ela a distribuir a propina aos jornais, radios e TVs. É ela que seguirá os passos do governo mais corrupto da nossa história.

E, falando em história, voltamos a Rosi e Inna. Búlgaras de verdade que trabalham para criar filhos e manter as despesas da casa com honestidade e talvez, por isso, nunca tenham ouvido falar em Dilma Rousseff antes. Porque o mundo de Dilma, de Rosi e de Inna, mesmo que estejam ligados de alguma maneira, não tem nada em comum. As búlgaras não assaltaram banco ou sequestraram ninguém ou pegaram em armas em nome de um "ideal". Viveram o regime comunista europeu. Passaram por ele com dignidade e ainda a mantém!

A Bulgária, com mais de 1400 anos de história, diferente do que disse Dilma, não é um "país pequeno em que a visão do Brasil é de 190 milhões de pessoas, um país que está se desenvolvendo, criando emprego, um país que é visto no mundo como uma das grandes oportunidades." (palavra de Dilma!)

Para mim, é o Brasil o país pequeno, com apenas 500 anos, que tem muito o que aprender ainda mais com vocês, Rosi e Inna, verdadeiramente búlgaras.

Cala a boca, Dilma!

sexta-feira, julho 09, 2010

O direito de saber

Imagine ligar a televisão e, na hora do Jornal Nacional, entrar um documentário qualquer com uma tarja comunicando "Os jornalistas farão greve contra a lei da mordaça até às 6 da manhã de amanhã". Sabe quando uma Globo, SBT, Band ou Record se oporiam a uma lei do governo desta maneira? NNUNNCAAAA!!!!!!!!

Pois este foi o dia de hoje, aqui na Itália. Foi esta a imagem que vimos nos horários em que os telejornais deveriam ir ao ar (veja foto acima, mas não me pergunte do que se tratava o documentário porque eu nem vi!). Foi isso o que vimos por 24 horas no canal de notícias. A imprensa ficou muda e várias bancas de jornais fechadas contra uma lei, proposta pelo governo, que, entre outras coisas, impede a divulgação de escutas telefônicas em processos não sigilosos.

Greves são rotina na Itália, país regido pelos sindicatos de classes e, infelizmente, ainda por setores da máfia. Mas, para mim, jornalista e brasileira, ver este silêncio na televisão, nas rádios e nos jornais realmente foi chocante. Exatamente por saber que, no Brasil, isso jamais aconteceria. Não por falta de motivos (como o PNDH3, por exemplo), mas por falta de comprometimento público e excesso de comprometimento político.

Na Itália são duas as redes de televisão. A RAI (TV estatal) e a Mediaset (cujo dono é Berlusconi). E, acreditem, ambas aderiram à greve, hoje. AMBAS! Seria o mesmo que a TV Pública, do Lula, fazer uma greve contra as manobras políticas do molusco! E mais... imagine Lula, sendo realmente dono de uma emissora de TV, e esta fazer greve contra o próprio!

Dos mais de vinte jornais diários, somente nove circularam, hoje. Veja, na foto ao lado, os expositores das manchetes dos jornais diários. Não dá uma sensação estranha? Como se ficássemos privados, para sempre, das notícias importantes do dia a dia? Pois esta foi a intenção da imprensa. Mostrar como o silêncio e a falta de informação, de apenas um dia, poderá ser uma realidade de todos os dias!
Conversei com a proprietária de uma banca de jornal e, para ela, a censura deveria ser aplicada nas revistas de fofocas, que publicam fotos de atrizes semi nuas durante as férias milionárias das celebridades; que impõem um padrão de beleza que é seguido por milhões de jovens que se tornam anoréxicas (adorei a dona Elisa!) e que, de útil não tem nada. "Você sabe quantos criminosos são presos graças às escutas telefônicas? Muitos! Sem elas, a investigação vai ser comprometida e é isso o que eles querem". Palavras de dona Elisa. (continuo adorando ela!).

Na prática, a "lei da mordaça" contra a qual a imprensa italiana está em pé de guerra, impede não só a divulgação das gravações telefônicas e dos processos em si, mas dificulta (e muito) a autorização até das próprias interceptações. Para conseguir uma autorização judicial para grampear um telefone, a procuradoria vai ter que provar que o sujeito é culpado dos crimes pelos quais está sendo investigado, por exemplo. (Mas, se já tem provas contra ele, pra que grampeá-lo?)

Depois de apresentar provas concretas de que o cara é culpado, o Ministério Público vai conseguir, no máximo, 30 dias de grampo. Para prorrogar o prazo, vai ter que comprovar tudo de novo e assim mesmo vai conseguir por outros 30 ou 45 dias, que deverá ser aprovado por um conselho de três juízes (você tem idéia de como tudo isso pode ser lento, aqui na Itália? Nem queira saber...).

A quebra do sigilo telefônico também vai ter que enfrentar uma saga jurídica até que os investigadores tenham em mãos a lista de chamadas feitas por um suspeito de homicídio, de terrorismo ou de corrupção, por exemplo.

Os julgamentos não poderão mais ser registrados em câmeras, como já acontece na França e nos Estados Unidos, somente por desenhos.

Estes são apenas alguns dos principais pontos da "lei da mordaça" italiana. Uma lei que já foi aprovada pelo Senado e deve ser aprovada pela Câmara e depois pelo presidente Napolitano. Caminhos que, aparentemente, ela não encontrará obstáculos, para a infelicidade de um povo que quer se informar, que quer que o crime seja punido e que seus ciminosos sejam desmascarados, como eles já mostraram de inúmeras manifestações públicas nas últimas semanas (obviamente muito bem manipuladas e usadas pela oposição ao governo).

A privacidade de um cidadão é uma premissa inviolável. Disso, ninguém pode ter dúvidas. Mas quando este cidadão transita por caminhos tortuosos, combina propinas ou negócios ilícitos, superfaturamento e desvio de dinheiro público, ele passa de lado. O problema é que nem sempre o crime e os criminosos estão somente do lado de lá.

Desde sempre, políticos são pegos em conversas nada politicamente corretas e é isso o que eles querem impedir, que estas conversas compliquem as suas vidas, como os recentes escândalos envolvendo ministros de Berlusconi e do próprio premier.

Pena... é muita pena mesmo.

"A lei da mordaça nega aos cidadãos o direito de serem informados", La Repubblica)

terça-feira, junho 15, 2010

Brasil: amor e ódio

Quatro anos atrás, no dia 02 de junho, escrevi o que penso sobre o Brasil na Copa do Mundo e a postura dos brasileiros diante deste espetáculo milionário. Depois destes anos, mantenho a mesma opinião. Detesto Copa do Mundo. Detesto o patriotismo que invade o coração e o cotidiano brasileiro. Detesto ver a bandeira verde e amarela nas janelas das casas. Aqui da Itália, detesto ainda mais ver os torcedores brasileiros vestidos com as cores do Brasil. Toda esta aversão tem um simples motivo: onde estão os brasileiros que choram, que gritam, que torcem, que brigam, quando o PT usa o dinheiro público para campanha política, quando Tuma Junior negocia contrabando com a máfia chinesa? Onde está o patriotismo destes quase 190 milhões de brasileiros durante os outros dias, meses e anos fora da Copa do Mundo?

Mas, por outro lado, vivendo fora do Brasil, me vem um sentimento extremamente ambíguo que me deixa ainda com mais raiva. Detesto ver o meu país desta maneira exatamente porque o amo imensamente! Amo este povo que luta dia e noite por uma vida digna. Amo este país tão rico, tão lindo, com um clima tão maravilhoso! E é por amá-lo que não suporto ver o que estão fazendo a tudo isso. A este povo,que merece muito mais do que quatro dias de alegria no Carnaval ou um título de hexa campeão para sentir orgulho da sua pátria. Não suporto ver o imposto pago com suor e trabalho dessa gente sendo usado para pagar mordomias políticas, orçamentos superfaturados, luxo e mais luxo, campanhas políticas! E nada... absolutamente nada acontece aos que nos roubam dia após dia!

Detesto ver milhões de brasileiros tendo que receber um Bolsa Família para pode comer enquanto os cofres públicos nunca estiveram tão cheios. Detesto saber que, de tudo o que o país arrecada, somente 2% realmente volta para o país como investimento enquanto o restante é usado para pagamento de despesas (altíssimos salários, pensões e desvios). Detesto saber que o brasileiro poderia ter uma vida absurdamente mais digna se não fosse governado por sucessivos ladrões.

Portanto, neste dia de estréia de Dunga no mundial da África do Sul, torço contra. Torço contra a corrupção, a injustiça, a falta de direitos, a censura e a conivência que governam o meu país! Torço contra este sentimento patriótico que, de concreto, não muda em nada o país. Como disse quatro anos atrás, é um sentimento que só nos afasta ainda mais do que importa neste momento: a realidade do país.

Hoje, quando a seleção brasileira entrar em campo, me desculpem, mas não vou usar verde e amarelo. Não vou soltar aquele grito de gol. Aliás, nem sei se vou assistir ao jogo. Talvez sim, para ver a bola balançar a rede e marcar um gol para a Coréia do Norte. País, aliás, que pode refletir o futuro do nosso Brasil caso o brasileiro continue a se interessar tanto pelo futebol.

sexta-feira, junho 04, 2010

Depois de rir, pense bem...



Embora o momento seja crítico - por revelar o quanto cresce a inteligência perversa dos radicais islâmicos - o mundo ainda faz piadas sobre tudo isso. Eu não sou capaz... para mim é muito mais triste do que cômico. Porém, indiscutivelmente, é um modo de fazer chegar a verdade ao conhecimento coletivo, por isso, reproduzo aqui dois vídeos.

Um deles, o mais recente (publicado acima), foi divulgado, por "erro", pelo próprio governo de Israel. Em um comunicado oficial, o porta voz israelense diz que um comunicado interno afirmava que deveriam tomar cuidado com o vídeo, mas o link acabou caindo na rede por "engano". O vídeo se chama “Flotilla-We con the world” (Flotilla, nós enganamos o mundo).

O outro, é um programa de humor, também em Israel, que critica a posição de Lula no acordo entre Irã e Turquia. Imperdíveis!



Voltando à seriedade do tema, foi-se o tempo em que...

... o Oriente Médio era só um capítulo no livro de História Geral.
... a guerra era travada em um campo de batalha com soldados armados.
... o jornalismo investigativo era a base da notícia.
... os radicais eram barulhentos, enlouquecidos e inconsequentes.

Hoje, estamos em um tempo em que os conflitos na faixa de Gaza batem às portas de todas as naões, inclusive o Brasil, graças aos interesses pessoais de Lula.

Hoje, estamos num tempo em que a guerra tomou lugar no campo das comunicações, nas propagandas, nas alianças internacionais, nos acordos firmados sobre um imenso tabuleiro onde as peças se movem em direção a interesses cada vez mais perigosos.

Hoje, as grandes empresas de comunicação são veículos de repetição que, na maioria das vezes, servem apenas para reforçar uma imagem superficial a respeito de tudo. É a banalização da verdade.

Hoje, os radicais aprederam que, mais do que explodir aviões, o caminho para a destruição do inimigo é enfraquecê-lo diante do mundo. Expôr suas fragilidades. Pressioná-los a um ponto que os leve a agir precipitadamente, obviamente sob holofotes do mundo inteiro.

O episódio das frotas "humanitárias" turcas, só teve um vencedor. O Hamas, exército radical islâmico que governa Gaza desde 2007. E isso, não é para ser comemorado em lugar nenhum do Planeta! Não deveria ser, mas bem sabemos que há muitos que estão por aí repetindo discursos antissemitas sem pensar que, por trás de tudo isso, ganha o terrorismo mundial. Ganha Ahmadinejad, ganham os governos ditadores e as potências esquerdistas. Por isso, o Brasil tanto condena a ação de Israel à "Frota da Liberdade" que seguia para Gaza.

Espero que, a este ponto, passados alguns dias do episódio em alto mar, já seja de consciência comum que a frota não era humanitária, mas usou pessoas para levar o exército de Israel a usar a força contra si mesmos. Um Cavalo de Tróia às avessas. Um só não, seis. Ou isso ainda não ficou claro?

O erro de Israel foi ter reagido como se estivesse num campo de batalha. E estava, mas os inimigos não usavam armas de fogo. Usavam vidas, usavam a opinião pública, usavam o escudo "humanitário". Turquia, Hamas e todos os países aliados comemoram hoje a queda parcial do bloqueio a Gaza já anunciado, não oficialmente, pelo governo de Israel que, a este ponto, perdeu mais uma batalha importante.

Depois de ser questionado pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) por suas possíveis armas nucleares, mas que não questionou o Irã ou a Coréia ou a Índia ou o Paquistão, Israel soma mais esta derrota. E, se perde Israel, perdem também os Estados Unidos e, por consequência, fortalecem seus opositores. Entre eles e eles, eu fico com eles. Entendeu?

Foi-se o tempo em que tudo era às claras, minha gente!


quarta-feira, maio 26, 2010

Paulista de coração


Sou mineira, mas escolhi São Paulo para viver. Lá, vivi por alguns dos melhores anos da minha vida. Saí de lá, mudei de país e, daqui da Itália, olho esta foto e me dá uma saudade.... mas não quero voltar, não! Esta relação ambígua me faz comentar a notícia da pesquisa Mercer de Qualidade de Vida que aponta São Paulo em 117o. lugar em "qualidade" de vida.
Leia mais aqui.

sábado, maio 22, 2010

Vai voar urânio pra todo lado!

Ninguém aqui é bobo de achar que Lula intermediou um acordo entre Irã e Turquia somente pra ganhar notoriedade internacional. Lula e Amorim sabiam muito bem o que o Conselho de Segurança da ONU pensaria sobre isso e seguiram adiante. Pois bem, vamos tentar desenrolar este novelo, passando do urânio aos interesses iranianos e brasileiros.

Urânio


O urânio enriquecido pode servir como energia nuclear para fins pacíficos ou não. Para fins energéticos, basta um enriquecimento mínimo de 3,5%. Para pesquisas, 20% e para bombas atômicas, 90%. O Irã, atualmente, tem urânio enriquecido a 3,5%, mas já está enriquecendo-o a 20%, o que leva cerca de um ano. O processo do enriquecimento a 20% é mais difícil do que de 20 a 90% e leva penas mais seis meses para atingi-lo.


Brasil


O Brasil é hoje, um dos poucos países no mundo com conhecimento técnico para enriquecer o urânio até o seu ultimo estágio. Atualmente, enriquece o urânio a 20%, projeto inspecionado pela Marina, em Aramar (Iperó-SP), como segredo industrial ao qual nem mesmo a Agência Internacional de Energia Elétrica tem acesso. A produção é destinada a abastecer reatores de pesquisa e, futuramente, mover o submarino a propulsão nuclear, além de um novo reator de pesquisa, em fase de projeto.O Brasil é o sétimo país, no mundo, em extração do urânio. E olha que conhecemos somente 25% do nosso solo! A extração é feita na mina de Caetité (Lagoa Real- BA), mas outra mina, em Santa Quitéria (CE), deve entrar em operação daqui dois anos.


Irã


Ninguém sabe, exatamente, qual a quantidade de urânio disponível no Irã. Aliás, ninguém sabe exatamente nada sobre o Irã, além da violação dos direitos humanos tão ferozmente aplicado naquele país. Esta falta de conhecimento sobre o que acontece naquela parte do mundo é um dos problemas entre o Conselho de Segurança da ONU e Ahmadinejad. O ditador iraniano se nega a abrir as portas para uma inspeção em suas instalações e suas pesquisas sobre o enriquecimento de urânio. Ahmadinejad diz que precisa do urânio enriquecido para fins de pesquisas médicas, mas ninguém acredita esta imagem de líder preocupado com a saúde pública. Ou quase ninguém. O Brasil e a Turquia parecem que sim!


Relações perigosas



No ano passado, o G5+1 (China, Rússia, Inglaterra, EUA, França + Alemanha) ofereceu a Rússia e a França para fazerem o enriquecimento do urânio a 20% para o Irã. Ahmadinejad disse não porque temia que o urânio nunca voltasse ao seu país. Como se a ONU fosse roubar o minério dele! Com isso, novas sanções estavam por vir, o que levantou uma defesa feroz por parte do Brasil e da Turquia e foi quando o acordo começou a ser costurado efetivamente.



No tal acordo assinado esta semana, a Turquia pegará 1,2 tonelada de urânio e, doze meses depois, entregará 120kg do material enriquecido a 20%. Mas este acordo, diferente da proposta anterior pela ONU, não garante nada ao resto do mundo. Ao contrário! Faz do Irã um país "colaborador" com a ONU, mas na verdade, enquanto isso, ele ganhará tempo e poderá continuar com o seu enriquecimento (como já disse que vai fazer) ou aproveitar para desenvolver a técnica para chegar ao enriquecimento a 90% para armas nucleares. E, melhor! Sem a inspeção de ninguém!


A quantidade de urânio que o Irã mandará à Turquia é irrisória perto das 400 toneladas ao ano que a mina de Caetité, no Brasil, produz. Ou seja, somos um país muito interessante aos olhos de Ahmadinejad (e não só "uraniamente" falando, mas isso fica para outras reflexões).


Se o Brasil tem a tecnologia para enriquecer o urânio do Irã, porque não assinou Lula o acordo com aquele país?


A resposta oficial é que o Brasil não tem, ainda, estrutura suficiente para enriquecer o urânio em escala industrial. Mas não podemos esquecer que estamos em ano eleitoral e, por mais que Lula não se importe em ser chamado de irmão brasileiro do Irã, uma coisa é posar para foto e fazer discurso bonito de tolerância, a outra, é mandar - oficialmente - urânio ao Irã, enfrentar direta, política e economicamente o Conselho de Segurança da ONU.


Em fevereiro deste ano, correu à boca pequena que Brasil e Irã estavam firmando um acordo neste sentido. Autoridades iranianas chegaram a afirmar que estavam discutindo com o Brasil o enriquecimento do minério em solo brasileiro, mas o Itamaraty desmentiu rapidinho.


Não podemos nos esquecer que, dois anos atrás, veio à tona um acordo bancário secreto entre Brasil e Irã para burlar as sanções da ONU. Tem muitas coisas mal explicadas nesta parceria de Lula com Ahmadinejad. Por isso, não dá para pensar que o Brasil, como mediador de um acordo entre Turquia e Irã não ganhe nada.


Mediadores comerciais levam um percentual pelo trabalho, sempre. Neste caso seria diferente? Acho muito difícil. Até porque, em se tratando de energia nuclear, não dá pra confiar em ninguém. Nem mesmo nos signatários do Tratado de Não-Proliferação das armas nucleares, como o Brasil.


Diga-se de passagem que Israel, que não é signatário, não permite uma inspeção em suas instalações nucleares. Diga-se de passagem que Paquistão e Índia já confirmaram ter bombas nucleares. Coréia do Norte, que também não faz parte do Tratado, já anunciou que tem capacidade para fabricar bombas nucleares.


Meus amigos, os países estão armados até os dentes. Por que temos que acreditar que o Brasil só quer participar de um acordo "de paz"?


Pra mim, vai voar urânio pra todo lado! Vai ser uma troca de tecnologia, enriquecimento, urânio e bombas para todos os lados, inclusive para o Brasil que, oficialmente, não poderia fabricar armas nucleares, mas o Irã (que não está nem aí) pode, certo?


Não podemos esquecer, também, que Lula visa ser um ícone mundial. Se ele sabia que se posicionando a favor do Irã dividiria opiniões (e obviamente sabia desde que começou a assinalar esta parceria), Lula mostra que tem um plano que foge às fronteiras brasileiras. Vai além da ONU. Talvez termine em uma nova potência formada por nações "inimigas", uma nova força para enfrentar o "poderio" norte americano e Israel.


Vai saber! Na dúvida, duvide!



sábado, maio 15, 2010

o cheiro da morte


A Itália acaba de inaugurar o primeiro museu sobre a máfia sicliana, Cosa Nostra. São 150 anos de história contados em forma de fotografias, pinturas, música e ambientes claustrofóbicos que retraram o horror do poder da máfia. São, também, dezenas de recortes dos principais jornais italianos que ilustram as mortes, as prisões, os abusos e as conexões da máfia e, não à toa, as polêmicas cabines "eleitorais" são usadas para ambientar os principais métodos de morte e tortura usados pela máfia. Em uma das, a simulação de um açougue sujo de sangue. Em outras, pode-se sentir o cheiro de corpos carbonizados. Estas "salas da violência" causaram polêmica e o acesso foi proibido a menores de 16 anos, depois que duas pessoas passaram mal ao visitá-las.

Cada país tem o seu "mal". Religião (ou em nome dela), drogas, poder, armas, trabalho escravo, prostituição infantil e, por fim, a política, quando esta não está ligada a todos os anteriores (o que normalmnte está!). A Itália não é diferente. Tem seus bens e seus males, que só sobrevivem graças à corrupção que gera a impunidade. Nada de novo, muito menos para um país onde a máfia governou desde o início da sua existência. Se a Cosa Nostra completa 150 anos, não por coinciêndia, a unificação da Itália também!

Em algumas regiões da Itália, a máfia é praticamente invisível o que não quer dizer que não exista, que não haja. Existe e age, como nos monopólios empresariais e nas licitações de cartas marcadas, tão conhecidas também no Brasil. Em outras, como no sul do país, ela ainda recolhe o "pedágio", embora muitos comerciantes estejam começando a enfrentá-los. Recentemente, um mafioso foi preso e se disse indignado, "humilhado" ao perceber que o povo já não o respeitava mais como antes!

Viva este povo! Viva a coragem!


Depois de levar seus tentáculos aos Estados Unidos, a Cosa Nostra espalhou-se pelo mundo, extorquindo, traficando, assassinando integrantes, traidores, jornalistas, juristas e inocentes. A máfia do século 21, em todo o mundo, não usa mais a pistola como antes, mas o cunho político. Sem tanta barbárie, sem tanto alarde, com mais precisão e eficiência, o que não a torna mais limpa, mas mais civilizada. Um tipo de organização ainda mais perigosa contra a qual se torna cada vez mais difícil de lutar.

Os horrores cometidos por serem humanos contra seres humanos tornou-se uma repetição na nossa história de vida e principalmente de mortes. Guerras, seitas, religiões, disputa de poder, ganância, ditaduras, crimes organizados. Quantos museus, monumentos e páginas dos livros de história são e ainda serão dedicados à nossa própria destruição?

É impossível, hoje, contar o número de mortos pela criminalidade, seja ela pequena ou grande e organizada. É impossível contar o número de vítimas diretas e indiretas que a máfia fez e ainda faz na Itália. É impossível ficar indiferente às imagens expostas no Museo della Mafia. É impossível não sentir o cheiro da morte, só de pensar no futuro que teremos se não fizermos algo, seja aqui, aí ou acolá.

segunda-feira, maio 10, 2010

"Forrest Lula" ou "Forrest povo"?

Recebi este texto por email. Não sei se o autor é verdadeiro, mas achei tão interessante que vou reproduzi-lo aqui. Por precaução, omito apenas algumas informações sobre a referência ao autor.

O único problema é que, como a charge abaixo, Lula pode ser um idiota, mas ele está lá, afinal, não está? E pegando milhões do nosso dinheiro, não está? Infelizmente, somos mais idiotas do que ele...

Mesmo assim, leiam, vale à pena!



Forrest Lula (por Wagner ******)

Todos conhecem o filme "Forrest Gump", que narra a história de umimbecil que sobe na Vida auxiliado por circunstâncias a ele,absurdamente, favoráveis. Nós brasileiros temos aqui o nosso"Forrest Lula", pelas razões que apresento abaixo:



1-) Lula pensa que chegou à Presidência do Brasil pela suacompetência; mas, conseguiu tal proeza por uma junção entre sua"persistência malufiana" e o "mudancismo" do eleitor, que SÓ pelodesejo de Mudar, nem se sabe o quê, vota alternadamente emcandidatos como Maluf, Collor e depois em Lula & Companhia.



2-) Lula pensa que é respeitado no Exterior; mas, não passa de uma"Curiosidade Zoológica", como o mico-leão dourado. A "esquerda"romântica de lá acha lindo um operário do Terceiro Mundo tervirado Presidente... se ele é competente ou não, o terceiro mundoque se dane.. Mais ridículo do que ele próprio, é o fato deleacreditar que é "O CARA" (para Nós "DE PAU").



3-) Lula pensa que somos idiotas ao dizer que fez Novos ProgramasSociais como o Bolsa-Família, que é o EX-Bolsa Escola (retificadopara PIOR, pois antes era direcionado à EDUCAÇÃO das CriançasPobres Brasileiras e hoje incentiva o aumento da natalidade, comconseqüente Crescimento da Pobreza Nacional), já existente duranteo Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. De concreto, o queele fez MESMO, foi proteger os "terroristas sem-terra" (do MST) etransformar o Bolsa-Escola em Bolsa-Esmola.



4-) Lula pensa que faz sucesso com a Imprensa; mas, na verdadecontou apenas com uma Imprensa domesticada e cordial, pelo menos atéos recentes escândalos.



5-) Lula pensa que não existe ninguém que possa questioná-lo,tanto em Ética, quanto em Política; mas, isso só acontece porqueele nunca se expôs a entrevistas coletivas sérias, com jornalistasespecializados, onde teria que dar uma satisfação objetiva de seudesempenho como Presidente do Brasil.



6-) Lula pensa que é "imune" a essa Crise Econômica Mundial,porque seu percentual de aprovação ainda é alto; mas, vamoslembrar que a maioria dos Brasileiros, infelizmente, não temEDUCAÇÃO, nem CULTURA. Aqueles que ainda confiam nele são tãoignorantes quanto ele; por isso, não sabem o que, realmente,acontece e são facilmente enganados e manipulados.



7-) Lula pensa que é o responsável pelo sucesso da PolíticaEconômica Brasileira; mas, isso se deve única e exclusivamente àmanutenção da Diretriz Econômica Programada durante o Governo doPresidente Fernando Henrique, que nomeou Henrique Meirelles comoPresidente do Banco Central do Brasil e que, Graças a DEUS, estálá até hoje.



8-) Lula pensa que foi responsável pelo aumento das exportaçõesbrasileiras; mas, isso somente aconteceu como consequência de umasérie de Fatores Anteriores ao seu governo, MAIS as circunstânciasfavoráveis do Cenário Internacional.



9-) Lula pensa que não sofrerá o "Impeachment", porque está acimade TUDO e de TODOS, o que acontece no Cenário Político Nacional,embora Collor tenha sido defenestrado por muito menos.(Uma peruaElba) Na Verdade, ele somente vai ficar na Presidência do Brasilporque não interessa a ninguém transformá-lo em Mártir, dando-lhea chance de retornar à Política como Herói, futuramente.



* Wagner ****** é professor do Departamento de Biologia Aplicada daUSP.